Linfoma Hodgkin

O QUE É A DOENÇA DE HODGKIN OU LINFOMA DE HODGKIN?

A doença de Hodgkin, ou linfoma de Hodgkin, pertence a um grupo de neoplasias denominadas linfomas. Linfoma é um termo genérico para designar os carcinomas que se desenvolvem no sistema linfático. A doença de Hodgkin, um linfoma pouco comum, representa menos de 1% de todos os casos de cancro nos EUA. Os outros carcinomas do sistema linfático denominam-se linfomas não-Hodgkin.

O sistema linfático faz parte do sistema imunitário do organismo, ajudando-o a combater doenças e infecções. Este sistema é constituído por uma rede de finos vasos linfáticos, que se ramificam, como os vasos sanguíneos, para chegar a todos os tecidos do corpo. Os vasos linfáticos transportam a linfa, um líquido incolor e aquoso que contém células para combater as infecções; a estas células dá-se o nome de linfócitos. Ao longo desta rede de vasos existem pequenas dilatações denominadas nódulos linfáticos. Podem encontrar-se aglomerados destes nódulos linfáticos nas axilas, virilhas, pescoço, tórax e abdómen. Os restantes elementos do sistema linfático são o baço, o timo, as amígdalas e a medula óssea. Podemos também encontrar tecido linfático no estômago, intestinos e pele.

O termo cancro é utilizado para designar um grupo de doenças que tem origem nas células, a unidade básica do organismo. Para compreender a doença de Hodgkin, é útil conhecer as células normais e o que lhes sucede quando se tornam cancerígenas. O organismo é constituído por vários tipos de células. Normalmente, as células só crescem e se dividem para produzir mais células quando o organismo delas necessita. Este processo ocorre de forma ordenada e ajuda a manter o organismo saudável. Acontece que, por vezes, as células continuam a dividir-se mesmo quando não são necessárias novas células, formando uma massa de tecido. A esta massa dá-se o nome de neoplasia ou tumor. Os tumores podem ser benignos (não cancerígenos) ou malignos (cancerígenos).

Na doença de Hodgkin, as células do sistema linfático tornam-se anómalas e começam a dividir-se e a crescer a um ritmo demasiado rápido e de forma descontrolada e desordenada. Devido às suas características, o linfoma de Hodgkin é considerado uma neoplasia.

Dado que o tecido linfático está presente em diversas regiões do organismo, a doença de Hodgkin pode ter origem em praticamente qualquer parte. Esta doença pode ocorrer num único nódulo linfático, num grupo de nódulos linfáticos ou ainda noutras partes do sistema linfático, como a medula óssea ou o baço. Este tipo de cancro quando se dissemina, fá-lo de forma relativamente ordenada: de um grupo de nódulos linfáticos para outro. Por exemplo, se a doença de Hodgkin surgir em nódulos linfáticos do pescoço alastra primeiro para os nódulos situados acima das clavículas e só depois para os nódulos linfáticos debaixo dos braços e no tórax. Por fim, pode disseminar-se para qualquer outra parte do organismo.

FACTORES DE RISCO

Desconhecem-se as causas da doença de Hodgkin e os médicos raramente conseguem explicar por que é que umas pessoas são afectadas e outras não. Existem, porém, algumas certezas: a doença de Hodgkin não é contagiosa, ou seja, não se “apanha” esta doença de outra pessoa.

Ao estudar os padrões do cancro na população em geral, os investigadores identificaram determinados factores de risco que são mais comuns nas pessoas afectadas pela doença de Hodgkin. No entanto, a maioria das pessoas que apresenta estes factores de risco não é atingida pela doença de Hodgkin e muitos dos que dela sofrem não apresentam nenhum dos factores de risco conhecidos.

Abaixo estão indicados alguns dos factores de risco associados a esta doença:

  • Idade/sexo – A doença de Hodgkin ocorre com maior frequência em pessoas entre os 15 e os 34 anos e depois dos 55 anos. É mais comum nos homens do que nas mulheres.
  • Antecedentes familiares – Os irmãos e irmãs dos doentes com linfoma de Hodgkin têm uma probabilidade superior à média de vir a desenvolver a doença.
  • Vírus – O vírus de Epstein-Barr é um agente infeccioso que pode estar associado a uma probabilidade acrescida de desenvolver a doença de Hodgkin.

SINTOMAS

Os sintomas típicos da doença de Hodgkin são os seguintes:

  • Inchaço indolor nos nódulos linfáticos do pescoço, axila ou virilha
  • Febre recorrente inexplicável
  • Suores nocturnos
  • Perda de peso inexplicável
  • Comichão

Estes sintomas não são exclusivos da doença de Hodgkin pois podem manifestar-se em muitas outras doenças, algumas menos graves, como uma gripe. Por exemplo: quando uma região do organismo está infectada ou inflamada, os gânglios linfáticos mais próximos aumentam de tamanho e tornam-se mais sensíveis. É o que acontece, por exemplo, quando uma pessoa tem a garganta inflamada e os gânglios do pescoço incham. O líquido linfático é drenado da garganta para os gânglios linfáticos do pescoço, onde o organismo infeccioso pode ser destruído e impedido de se disseminar para outras partes do organismo. Contudo, sempre que sintomas como estes persistam, é importante consultar um médico para que possa ser diagnosticada e tratada qualquer eventual doença. Só um médico pode fazer o diagnóstico de doença de Hodgkin. Não espere até sentir dores.

DIAGNÓSTICO E DETERMINAÇÃO DO ESTADIO

Se houver sinais que possam sugerir a presença da doença de Hodgkin, é fundamental para além da história médica e do exame físico do doente, a realização de exames auxiliares de diagnóstico, nomeadamente: análises ao sangue, radiografias, Tomografia computorizada- TACs, Estudo por emissão de positrões- PETs, biópsias da medula óssea .

O exame físico inclui a palpação dos nódulos linfáticos do pescoço, axilas ou virilhas para verificar se estão inchados. O exame físico deve ser complementado com a realização de outros exames que produzam imagens do interior do corpo, tais como:

  • Raio-X: A maioria das radiografias não requer qualquer preparação e demora apenas alguns minutos . A passagem de radiação através do organismo permite obter uma imagem. Esta imagem mostra os ossos, mas também dá indicações sobre os tecidos moles. Por exemplo, uma radiografia ao tórax pode revelar se o linfoma de Hodgkin invadiu os pulmões ou os gânglios linfáticos no tórax.
  • TAC: utiliza raios X e produz fotografias semelhantes às radiografias. Todavia, as imagens são tiradas em diversas ‘camadas’, adquirindo um aspecto tridimensional. Tal como a radiografia, pode revelar se o linfoma de Hodgkin invadiu os gânglios linfáticos e outros órgãos. Não é um procedimento doloroso ou difícil, embora demore mais tempo do que a radiografia (cerca de meia hora).
    Para a realização de algumas TACs não se pode comer ou beber durante algumas horas e implicam a injecção de uma substância de contraste. Para a realização de uma TAC a pessoa tem de passar através de um scanner e permanecer deitada durante todo o procedimento.
  • RM (ressonância magnética): tal como a TAC, produz imagens tiradas em diferentes ‘camadas’, mas utiliza campos magnéticos para as produzir
    A ressonância magnética pode demorar cerca de uma hora durante a qual a pessoa tem de permanecer deitada e imóvel. Trata-se de um exame indolor, embora a máquina seja ruidosa. Uma vez que o scanner é constituído por um íman muito potente, devem ser retirados todos os objectos de metal (como jóias e relógios). As pessoas com implantes de metal (tais como monitores cardíacos, próteses articulares, placas, ou clips cirúrgicos) não devem realizar este exame. Algumas pessoas sentem medo de se sentirem fechadas durante o exame, pelo que será útil mencionar este facto antes do procedimento para que possa ser prestado auxílio adicional.
  • Tomografia com Emissão de Positrões (PET)
    A PET, ou tomografia com emissão de positrões, é uma técnica altamente sensível que utiliza raios X para detectar partículas a partir de substâncias que foram injectadas no organismo. Isto permite aos médicos distinguir células ‘activas’ de linfoma, que podem causar a doença, e aglomerados de células inactivas. Esta técnica é de grande utilidade após o tratamento do linfoma de Hodgkin para se avaliar o grau de sucesso. Uma vez que se trata de equipamento dispendioso, a PET nem sempre está disponível.

O diagnóstico definitivo depende da realização de uma biopsia, procedimento em que o cirurgião colhe uma amostra de tecido linfático (parte ou a totalidade de um nódulo linfático) que será depois analisada ao microscópio por um patologista que irá identificar a presença de células cancerígenas típicas da doença de Hodgkin. O tecido é examinado quanto à existência de células de Reed-Sternberg, as células anómalas e típicas da doença de Hodgkin.

Um doente que necessite de uma biopsia poderá querer colocar ao médico algumas das seguintes questões:

  • Por que é que necessito de realizar uma biopsia?
  • Quanto tempo demora a biopsia? É doloroso?
  • Quanto tempo demoram os resultados?
  • Se tiver cancro, quem irá falar comigo sobre o tratamento? Quando?

Se a biopsia revelar que se trata da doença de Hodgkin, o médico vai necessitar de saber qual o estadio da doença, ou seja, qual é a sua extensão. A determinação do estadio implica uma pesquisa exaustiva para se conhecerem as localizações exactas da doença e determinar a sua extensão. As decisões referentes ao tratamento dependem destes resultados.

Na determinação do estadio da doença de Hodgkin, o médico tem em consideração os seguintes aspectos:

  • O número e a localização dos nódulos linfáticos afectados;
  • Se os nódulos linfáticos afectados se situam num ou em ambos os lados do diafragma (o músculo fino situado abaixo dos pulmões e do coração, que separa o tórax do abdómen); e
  • Se a doença se disseminou para a medula óssea, baço ou outros locais fora do sistema linfático, como o fígado.

Para determinar o estadio da doença, o médico pode repetir alguns dos exames usados para diagnosticar a doença, como biopsias  dos nódulos linfáticos, fígado, medula óssea ou outros tecidos.

A biopsia à medula óssea envolve a remoção de uma amostra de medula óssea. A medula óssea é o tecido mole que se encontra no interior dos ossos. É aí que se fabricam as células sanguíneas células sanguíneas do organismo e onde a maioria delas amadurecem antes de entrarem na circulação sanguínea.

A biópsia da medula óssea implica a colheita de uma amostra de medula, que se pode realizar sob anestesia local anestésico local . Em geral, a amostra é extraída do osso da anca ou, mais raramente, do esterno.

A biópsia é uma técnica simples que consiste na extracção de duas amostras de tecido através de duas agulhas distintas. Na primeira, a biopsia de aspiração por agulha fina, aspiração por agulha  são extraídos o líquido e as células que rodeiam a medula, geralmente da anca, e menos frequentemente do esterno.

Na segunda, utiliza-se outro tipo de agulha para colher uma amostra da própria medula óssea, da anca/bacia. Esta intervenção pode ser dolorosa, pelo que se recomenda a toma de um analgésico antes do efeito da anestesia local desaparecer. 

A amostra de medula óssea extraída na biópsia é examinada ao microscópio para verificar a presença de células do linfoma.

TRATAMENTO

O médico elabora um plano de tratamento adaptado a cada doente. O tratamento da doença de Hodgkin depende do estádio em que se encontra a doença, da dimensão dos nódulos linfáticos dilatados, dos sintomas manifestados, da idade e do estado geral do doente, assim como de outros factores (o tratamento de crianças com doença de Hodgkin não é abordado nesta brochura).

A doença de Hodgkin é tratada por uma equipa de especialistas, que envolve um médico hematologista ou oncologista, um enfermeiro e/ou um radioterapêuta. A doença de Hodgkin pode ser tratada com:

  • Quimioterapia
  • Radioterapia
  • Transplantação

Em geral, a doença de Hodgkin é tratada com quimioterapia ou radioterapia, ou ainda, uma combinação de tratamentos.

A participação em ensaios clínicos (estudos de investigação) para avaliar novas e promissoras formas de tratar a doença de Hodgkin é uma opção importante para muitas pessoas que sofrem desta doença. Para mais informações, consulte a área sobre Investigação.

OBTER UMA SEGUNDA OPINIÃO

Antes de iniciar o tratamento, alguns doentes querem ouvir uma segunda opinião para confirmar o seu diagnóstico e plano de tratamento.

O médico do doente pode sugerir especialistas a consultar.

PREPARAÇÃO PARA O TRATAMENTO

Muitas pessoas que sofrem de cancro procuram saber tudo quanto podem sobre a doença e as opções de tratamento de que dispõem para poderem ter um papel activo nas decisões sobre os cuidados médicos que lhes são prestados. Quando se diagnostica cancro a uma pessoa, é natural que ela reaja com choque e ansiedade e estes sentimentos podem tornar-lhe difícil pensar em tudo o que gostaria de perguntar ao médico. Muitas vezes, é útil fazer uma lista das perguntas. Algumas pessoas preferem ter um familiar ou amigo consigo quando falam com o médico, para participar na conversa, ou simplesmente ouvir.

Estas são algumas das questões que  o doente poderá querer colocar ao médico antes de iniciar o tratamento:

  • Qual é o meu diagnóstico exacto?
  • Em que fase está a doença?
  • Quais são as minhas opções de tratamento? Quais é que me recomenda? Porquê?
  • Quais são os riscos e possíveis efeitos secundários de cada tratamento?
  • Que efeitos secundários lhe devo comunicar?
  • Quanto tempo dura o tratamento?
  • Quais as hipóteses de o tratamento ter êxito?
  • O tratamento vai afectar as minhas actividades normais? Se sim, durante quanto tempo?
  • Estão a ser estudados novos tratamentos? Existe algum ensaio clínico que seja adequado para o meu caso?

Não é necessário fazer todas as perguntas nem lembrar-se de todas as respostas de uma só vez. Haverá com certeza outras oportunidades para pedir ao médico que lhe explique tudo o que não percebeu e solicitar mais informações.

MÉTODOS DE TRATAMENTO POSSÍVEIS

A quimioterapia e a radioterapia são os tratamentos mais comuns da doença de Hodgkin, embora em determinadas situações possa ser necessário recorrer ao transplante de medula óssea, transplante de células estaminais periféricas e terapêuticas biológicas.

RADIOTERAPIA

A radioterapia (também chamada terapia de radiação) consiste na utilização de raios de alta energia para matar as células cancerígenas. Dependendo do estadio da doença, pode utilizar-se apenas a radioterapia ou a associação com a quimioterapia. A radioterapia é uma terapêutica local, que apenas afecta as células cancerígenas na área tratada. O tratamento de radiação na doença de Hodgkin envolve normalmente uma radiação externa, que tem origem numa máquina que direcciona os raios para uma área específica do corpo. A radiação externa não torna o organismo radioactivo. Na maioria dos casos, o tratamento é efectuado num hospital ou numa clínica, em regime de ambulatório.

Estas são algumas das questões que o doente poderá querer colocar ao médico antes de começar a radioterapia:

  • Qual é o objectivo deste tratamento?
  • Quais são os seus riscos e possíveis efeitos secundários?
  • Que efeitos secundários lhe devo comunicar?
  • Como é que a radiação é aplicada?
  • Quando é que os tratamentos começam? Quando é que terminam?
  • Como me irei sentir durante a terapia?
  • Que cuidados devo ter comigo durante a terapia?
  • Como é que se sabe se a radioterapia está a resultar?
  • Como é que o tratamento vai afectar as minhas actividades normais?

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia consiste na utilização de fármacos para matar as células cancerígenas. Na doença de Hodgkin, a quimioterapia consiste normalmente numa combinação de diversos fármacos, que podem ser administrados isoladamente ou acompanhados de radioterapia.

A quimioterapia é normalmente administrada em ciclos: a um período de tratamento segue-se um período de recuperação, depois outro período de tratamento, e assim sucessivamente. A maioria dos fármacos anti-cancerígenos é administrada por injecção num vaso sanguíneo (veia); alguns deles são ainda administrados por via oral. A quimioterapia é uma terapêutica sistémica, o que significa que os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo.

Normalmente, o doente recebe a quimioterapia sem necessitar de ser internado (em regime de ambulatório no hospital, ou em casa, no caso da terapêutica oral). Contudo, dependendo da forma como são administrados os fármacos e do estado geral do doente, pode ser necessário um internamento de curta duração.

Estas são algumas das questões que os doentes poderão querer colocar ao médico antes do início da quimioterapia:

  • Qual é o objectivo deste tratamento?
  • Que medicamentos vou tomar?
  • Os medicamentos vão causar efeitos secundários? O que posso fazer acerca deles?
  • Que efeitos secundários lhe devo comunicar?
  • Durante quanto tempo preciso de fazer este tratamento?
  • Que cuidados devo ter comigo durante o tratamento?
  • Como é que se sabe se os medicamentos estão a resultar?

TRANSPLANTE

O transplante de células estaminais (ou de medula óssea) é uma opção para alguns doentes com linfoma de Hodgkin. As células estaminais são células sanguíneas imaturas que se formam na medula óssea. Transformam-se em células sanguíneas maduras – glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

O transplante envolve o uso de quimioterapia em doses muito elevadas (por vezes com radioterapia ) que destrói a medula óssea. A medula óssea destruída deve ser depois restaurada pelas células estaminais transplantadas.

O transplante de células estaminais pode ser:

  • Alogénico: as células estaminais provêm de outra pessoa – um dador. O dador pode ser um familiar, preferivelmente um irmão gémeo. A medula também pode ser proveniente de pessoas que não familiares, embora sejam compatíveis
  • Autólogo: as células estaminais provêm do próprio doente, são colhidas antes da quimioterapia de doses elevadas e transplantadas de novo no próprio doente

O transplante envolve o uso de quimioterapia em doses elevadas que destrói a medula óssea, a qual é depois restaurada pelas células transplantadas.

Em geral, no linfoma de Hodgkin, os transplantes de células estaminais são autólogos embora, em certas situações, possam ser utilizados transplantes alogénicos.

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSÍVEIS DO TRATAMENTO

Dado que o tratamento também causa danos ao nível das células e tecidos saudáveis, é frequente a ocorrência de efeitos secundários.

Os efeitos secundários do tratamento dependem sobretudo do tipo e extensão da terapêutica. Os efeitos secundários podem variar de pessoa para pessoa e, inclusivamente, entre cada tratamento. Os médicos e enfermeiros, além de explicarem os possíveis efeitos secundários de cada tratamento, podem também atenuar ou controlar muitos dos efeitos que podem ocorrer durante e após o tratamento.

RADIOTERAPIA

Os efeitos secundários da radiação dependem da dose de tratamento e da parte do corpo a irradiar. Durante a radioterapia, é provável que as pessoas se sintam extremamente cansadas, sobretudo nas últimas semanas de tratamento. É importante descansar, embora os médicos normalmente recomendem aos doentes que se mantenham tão activos quanto possível.

É comum a queda de cabelo e pêlos na zona tratada, a pele ficar avermelhada, seca, sensível e com sensação de comichão. Pode também dar-se um escurecimento ou «bronzeamento» permanente da pele na zona tratada.

Quando se trata o tórax e o pescoço, os doentes podem sentir a garganta seca e inflamada e ter dificuldade em engolir. Por vezes, podem ter falta de ar ou tosse seca. A radioterapia ao abdómen pode causar náuseas, vómitos, diarreia ou desconforto ao urinar. Muitas vezes, é possível aliviar estes sintomas alterando a dieta alimentar ou a medicação.

A radioterapia pode também causar diminuição do número de glóbulos brancos, as células que ajudam a proteger o organismo das infecções, ou do número de plaquetas, as células que ajudam o sangue a coagular. Se isto acontecer, os doentes devem evitar possíveis fontes de infecção ou lesões. Durante o tratamento com radiação, o médico monitoriza cuidadosamente a contagem sanguínea do doente. O tratamento pode ter de ser adiado até que as contagens sanguíneas voltem ao normal.

Embora os efeitos secundários da radioterapia possam ser dolorosos, a maioria deles é tratável e transitória. No entanto, os doentes podem querer falar com o médico acerca dos possíveis efeitos a longo prazo da radioterapia na fertilidade (capacidade de ter filhos) e do aumento da probabilidade de segundo cancro após o fim do tratamento (na secção ?Cuidados de Seguimento? encontrará mais informações sobre a probabilidade de ocorrerem segundos cancros). A perda de fertilidade pode ser temporária ou permanente, dependendo do facto de os testículos ou ovários receberem ou não radiação e da idade do doente. Os homens podem considerar a opção de conservar o esperma num banco de esperma antes do tratamento. No caso das mulheres, os períodos menstruais podem parar e podem manifestar afrontamentos e secura vaginal. O retorno do período menstrual é mais provável nas mulheres mais jovens.

QUIMIOTERAPIA

Os efeitos secundários da quimioterapia dependem principalmente dos fármacos e da dose que os doentes recebem. Tal como em outros tipos de tratamento, os efeitos secundários variam de doente para doente.

Os fármacos anti-cancerígenos afectam geralmente as células que se dividem rapidamente. Estas incluem, além das células cancerígenas, as células sanguíneas, que combatem infecções, ajudam o sangue a coagular e transportam oxigénio para todas as partes do organismo. Quando as células sanguíneas são afectadas, o doente fica mais susceptível a infecções, aparecimento de ?nódoas negras? e hemorragias, podendo sentir-se invulgarmente fraco e cansado.

As células da raiz do cabelo também se dividem rapidamente; a quimioterapia pode, por isso, provocar a queda de cabelo, uma das principais preocupações da maioria dos doentes. Alguns fármacos anti-cancerígenos apenas enfraquecem o cabelo, enquanto outros podem ter como consequência a perda de todo o cabelo e pêlos do corpo. As pessoas reagem melhor à queda de cabelo se tiverem tomado uma decisão sobre como lidar com esta questão antes de iniciar o tratamento.

As células que revestem o aparelho digestivo também se dividem rapidamente e sofrem, muitas vezes, danos causados pela quimioterapia. Os efeitos secundários podem, por isso, incluir falta de apetite, náuseas e vómitos e/ou feridas na boca e nos lábios.

A maioria dos efeitos secundários desaparece gradualmente durante os períodos de recuperação entre tratamentos ou depois de concluído o tratamento. No entanto, a quimioterapia pode levar à perda permanente da fertilidade.

RECUPERAÇÃO E PERSPECTIVAS

É natural que qualquer pessoa que enfrenta um diagnóstico de cancro esteja preocupada com as suas perspectivas futuras.

Compreender a natureza do cancro e quais são as expectativas pode ajudar os doentes e os seus familiares a planear o tratamento, prever alterações do estilo de vida e tomar decisões financeiras e sobre a sua qualidade de vida.

Os doentes com cancro questionam frequentemente os médicos ou procuram eles próprios dados estatísticos que respondam à pergunta ?Qual é o meu prognóstico?? O prognóstico é uma previsão da evolução futura e resultado de uma doença. É uma indicação da probabilidade de recuperação dessa doença. Porém, trata-se apenas de uma estimativa. Quando os médicos discutem o prognóstico de um doente em particular, estão a tentar prever o que é provável que lhe aconteça. O prognóstico na doença de Hodgkin pode ser influenciado por muitos factores, designadamente: o estadio da doença, a resposta do doente ao tratamento, a idade e o estado geral.

Por vezes, as pessoas utilizam as estatísticas para tentar calcular as suas probabilidades de cura. No entanto, os dados estatísticos reflectem a experiência de um grande número de doentes e não podem ser utilizados para prever o que acontecerá a um doente em particular, uma vez que não há dois doentes iguais e que os tratamentos e as respostas variam muito. O médico que estiver mais familiarizado com a situação do doente é quem está em melhor posição de o ajudar a interpretar os dados estatísticos e discutir o seu prognóstico.

Quando os médicos falam sobre a sobrevivência ao cancro, podem utilizar o termo remissão, em vez de cura. Embora muitas pessoas com a doença de Hodgkin sejam tratadas com sucesso, os médicos utilizam o termo remissão porque o cancro pode reaparecer. É importante discutir a possibilidade de recidiva (reaparecimento) com o médico.

CUIDADOS DE SEGUIMENTO

As pessoas com doença de Hodgkin devem ser seguidas e realizar exames com regularidade depois do tratamento e durante toda a sua vida. Os cuidados de seguimento são uma parte importante do processo global de tratamento e as pessoas que tiveram cancro não devem hesitar em discutir esse assunto com o seu médico.

Com o tipo de tratamentos da doença de Hodgkin (radioterapia e quimioterapia) após vários anos de evolução, os doentes têm maior probabilidade de vir a sofrer de leucemia, linfoma não Hodgkin e cancros do cólon, pulmões, ossos, tiróide e mama. Os cuidados de seguimento regulares garantem que os doentes são cuidadosamente vigiados, que quaisquer alterações do estado de saúde são discutidas e que um novo cancro, ou um cancro recorrente, pode ser detectado e tratado o mais precocemente possível. As pessoas que tiveram doença de Hodgkin devem comunicar imediatamente quaisquer problemas de saúde que surjam no período entre as consultas de seguimento.

DOENÇA DE HODGKIN: GLOSSÁRIO

Abdómen: A parte do corpo onde se encontram o pâncreas, o estômago, os intestinos, o fígado, a vesícula e outros órgãos.
Amígdalas: Pequenas massas de tecido linfóide em ambos os lados da garganta.
Baço: Órgão que faz parte do sistema linfático. O baço produz linfócitos, filtra o sangue, armazena células sanguíneas e destrói as que envelhecem. Localiza-se do lado esquerdo do abdómen, perto do estômago.
Benigno: Não cancerígeno; não invade os tecidos próximos nem alastra para outras partes do corpo.
Biopsia da medula óssea: Remoção de uma amostra de tecido da medula óssea, com uma agulha, para análise ao microscópio.
Biopsia: Colheita de células ou tecidos para análise ao microscópio. Quando se remove apenas uma amostra do tecido, o procedimento denomina-se biopsia incisional ou punção-biópsia. Quando todo o tumor é removido, o procedimento denomina-se biopsia excisional. Quando a amostra do tecido ou líquido é removida com uma agulha, o procedimento denomina-se biopsia aspirativa ou aspiração por agulha fina.
Cancro: Termo que designa doenças em que células anómalas se dividem descontroladamente. As células cancerígenas invadem tecidos próximos e podem disseminar-se através da corrente sanguínea e do sistema linfático para outras partes do corpo.
Célula de Reed-Sternberg: Tipo de célula que aparece em pessoas com doença de Hodgkin. O número destas células aumenta à medida que a doença avança.
Conservar o esperma num banco de esperma: Congelar o esperma para utilização futura. Este procedimento pode permitir ao homem ter filhos mesmo depois de ter perdido a fertilidade.
Diafragma: Músculo fino situado abaixo dos pulmões e do coração que separa o tórax (peito) do abdómen.
Efeitos secundários: Problemas que ocorrem quando o tratamento afecta células saudáveis. Os efeitos secundários comuns do tratamento do cancro são: fadiga, náuseas, vómitos, diminuição da contagem de células sanguíneas, queda de cabelo e feridas na boca.
Ensaio clínico: Estudo de investigação que avalia a eficácia de novas intervenções nos seres humanos. Cada estudo é concebido para avaliar novos métodos de rastreio, prevenção, diagnóstico ou tratamento do cancro.
Estadio: Extensão de um cancro no organismo, incluindo a sua disseminação do local original para outras partes do corpo. O estadiamento significa a determinação da extensão do cancro.
Factor de risco: Qualquer factor que aumente as probabilidades de vir a desenvolver uma doença.
Fertilidade: Capacidade de ter filhos.
IRM: Imagiologia por ressonância magnética. Procedimento em que um íman ligado a um computador é utilizado para obter imagens detalhadas de zonas do interior do corpo.
IV: Intravenoso/a. Injectado num vaso sanguíneo.
Laparotomia: Incisão cirúrgica na parede do abdómen.
Leucemia: Cancro dos tecidos que produzem o sangue.
Linfa: Líquido quase incolor que circula no sistema linfático e transporta células que ajudam a combater infecções e doenças.
Linfócitos: Glóbulos brancos. Os linfócitos têm diversas funções no sistema imunitário, incluindo a produção de anticorpos e outras substâncias que combatem infecções e outras doenças.
Linfoma: Cancro que surge nas células do sistema linfático.
Maligno: Cancerígeno; um tumor com tendência a invadir e destruir os tecidos próximos e a alastrar para outras partes do corpo.
Médico oncologista: Médico especializado no diagnóstico e tratamento do cancro por quimioterapia, hormoterapia e terapêutica biológica. O médico oncologista funciona muitas vezes como o médico assistente do doente com cancro e coordena o tratamento prescrito por outros especialistas.
Medula óssea: Tecido macio e esponjoso existente no centro dos grandes ossos e que produz glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.
Nódulos linfáticos: Pequenos órgãos localizados por todo o organismo, ao longo dos canais do sistema linfático. Os nódulos linfáticos armazenam células especiais que combatem infecções e outras doenças. Podem encontrar-se agregados destes nódulos nas axilas, virilhas, pescoço, peito e abdómen. São também designados por glândulas linfáticas.
Patologista: Médico que identifica doenças estudando as células e os tecidos ao microscópio.
Prognóstico: Resultado ou evolução provável de uma doença; possibilidade de recuperação.
Quimioterapia: Tratamento com fármacos anti-cancerígenos.
Radiação externa. Radioterapia que utiliza uma máquina para direccionar raios de alta energia para o cancro. Também denominada radioterapia externa.
Radioterapêuta: Médico especializado em utilizar a radiação para tratar o cancro.
Radioterapia: A radioterapia (também chamada terapia de radiação) utiliza radiação de alta energia de raios-X, neutrões e outras fontes para matar as células cancerígenas e diminuir o tamanho dos tumores. A radiação pode ser emitida por uma máquina situada fora do corpo (radiação externa) ou por materiais (radioisótopos) que produzem radiação colocados no tumor ou na sua proximidade ou na área onde se encontram as células cancerígenas (radioterapia intersticial, radiação por implante ou braquiterapia). A radioterapia sistémica envolve a administração de uma substância radioactiva, como um anticorpo monoclonal marcado com radioactividade, que circula pelo organismo.
Raio-X: Radiação de alta energia utilizada em doses baixas para diagnosticar doenças e, em doses elevadas, para tratar o cancro.
Recidiva: Reaparecimento do cancro, no mesmo local do cancro original (primário) ou noutro local, depois de o tumor ter desaparecido.
Remissão: Desaparecimento dos sinais e sintomas de cancro. Quando isto acontece, diz-se que a doença está “em remissão”. A remissão pode ser temporária ou permanente.
Sistema imunitário: Grupo complexo de órgãos e células que defende o organismo das infecções ou doenças.
Sistema linfático: Tecidos e órgãos que produzem, armazenam e transportam glóbulos brancos, que combatem infecções e outras doenças. Este sistema inclui a medula óssea, o baço, o timo e os nódulos linfáticos, assim como uma rede de capilares finos que transportam a linfa e os glóbulos brancos. Estes capilares ramificam-se, à semelhança dos vasos sanguíneas, para todos os tecidos do corpo.
TAC: Tomografia axial computorizada. Sequência de imagens detalhadas de zonas do interior do corpo; estas imagens são criadas por um computador ligado a uma máquina de raio-X. Também designada por tomografia axial computadorizada.
Terapia biológica: Tratamento para estimular ou restabelecer a capacidade do sistema imunitário de combater infecções e doenças. Também utilizada para atenuar os efeitos secundários que podem ser causados por alguns tratamentos oncológicos. Também conhecida por imunoterapia ou terapia modificadora da resposta biológica (BRM).
Terapia local: Tratamento que afecta as células do tumor e das áreas mais próximas.
Terapia sistémica: Tratamento que utiliza substâncias que circulam na corrente sanguínea, atingindo e afectando células em todo o corpo.
Timo: Órgão que faz parte do sistema linfático, no qual os linfócitos T amadurecem e se multiplicam. Localiza-se no peito, por trás do esterno.
Transplante da medula óssea: Procedimento de substituição da medula óssea destruída pelo tratamento com doses elevadas de fármacos anti-cancerígenos ou radiação. O transplante pode ser autólogo (com a medula óssea da própria pessoa guardada antes do tratamento), alogénico (medula doada por outra pessoa) ou singénico (medula doada por um gémeo idêntico).
Transplante de células estaminais periféricas: Método para a substituição de células produtoras de sangue destruídas pelo tratamento do cancro. As células sanguíneas imaturas (células estaminais) na circulação sanguínea, que são semelhantes às da medula óssea, são administradas à pessoa após o tratamento para ajudar a medula óssea a recuperar e a continuar a produzir células sanguíneas saudáveis. O transplante pode ser autólogo (células sanguíneas da própria pessoa guardadas antes do tratamento), alogénico (células sanguíneas doadas por outra pessoa) ou singénico (células sanguíneas doadas por um gémeo idêntico). Também designado por suporte hematopoiético de células estaminais periféricas.
Tumor: Massa anormal de tecido que resulta de divisão celular excessiva. Os tumores não desempenham qualquer função útil no organismo. Os tumores podem ser benignos (não cancerígenos) ou malignos (cancerígenos).
Virilha: Zona em que a coxa se liga ao abdómen.

Fonte:www.infocancro.com
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