Leucemia

A leucemia é um tipo de cancro que tem início nas células do sangue.

Iremos abordar causas possíveis, sintomas, diagnóstico, tratamento e cuidados de acompanhamento. Através desta informação sobre a leucemia pretendemos, também, ajudar as pessoas com leucemia e suas famílias, a lidar com a doença.

O conhecimento acerca da leucemia tem vindo a aumentar, devido à investigação; continuam a ser estudadas as suas causas e a ser investigados novos processos de tratamento para esta doença. Graças à investigação contínua, adultos e crianças com leucemia podem esperar uma melhor qualidade de vida, e menor probabilidade de morrer desta doença.

O QUE É A LEUCEMIA?

Normalmente, as células crescem e dividem-se para formar novas células, conforme o organismo delas necessita. Quando as células envelhecem, morrem e novas células tomam o seu lugar. Por vezes, este processo ordeiro corre mal. Formam-se novas células quando o organismo não precisa delas, e as células velhas não morrem, quando deviam.

A leucemia é um cancro que tem início nas células do sangue.

CÉLULAS DO SANGUE NORMAIS

As células do sangue formam-se na medula óssea. A medula óssea é a substância mole que existe no interior dos ossos.

As células do sangue, quando imaturas, chamam-se células estaminais. A maioria das células sanguíneas, amadurecem (maturam) na medula óssea e seguem, depois, para os vasos sanguíneos. O sangue que corre através dos vasos sanguíneos e do coração, chama-se sangue periférico.

A medula óssea produz diferentes tipos de células sanguíneas. Cada tipo tem uma função especial:

  • As células sanguíneas brancas (glóbulos brancos) ajudam a combater as infecções.
  • As células sanguíneas vermelhas (glóbulos vermelhos) transportam oxigénio para os tecidos, através de todo o organismo.
  • As plaquetas ajudam à formação dos coágulos sanguíneos, que controlam as hemorragias.

CÉLULAS DE LEUCEMIA

Nas pessoas com leucemia, a medula óssea produz glóbulos brancos anómalos; estas células anómalas são células de leucemia. No início, as células de leucemia funcionam quase normalmente. Com o tempo, ultrapassam, em número, os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas. Torna-se, assim, difícil o sangue conseguir realizar a sua função.

TIPOS DE LEUCEMIA

Os tipos de leucemia são agrupados pela rapidez de desenvolvimento da doença e seu agravamento. A leucemia pode ser crónica (piora lentamente) ou aguda (piora rapidamente):

  • Leucemia crónica: no início da doença, as células sanguíneas anómalas ainda conseguem desempenhar a sua função, e uma pessoa com leucemia crónica pode não ter quaisquer sintomas. Lentamente, a leucemia vai piorando; vai causando sintomas, à medida que o número de células tumorais aumenta.
  • Leucemia aguda: as células sanguíneas são muito anómalas e não conseguem desempenhar as suas funções. O número de células anómalas aumenta rapidamente. A leucemia aguda piora rapidamente.

Os tipos de leucemia são, também, agrupados pelo tipo de glóbulos brancos que são afectados. A leucemia pode surgir em células linfóides ou em células mielóides. A leucemia que afecta as células linfóides, chama-se leucemia linfocítica. A leucemia que afecta as células mielóides, chama-se leucemia mielóide ou mielogénica.

Existem quatro tipos comuns de leucemia:

  • Leucemia linfocítica crónica (leucemia linfoblástica crónica, LLC ): é responsável por cerca de 7000 novos casos de leucemia, todos os anos . Na maioria das vezes, a pessoa não apresenta sintomas. Esta doença é mais frequente depois dos 55 anos. Quase nunca afecta crianças.
  • Leucemia mielóide crónica (leucemia mielogénica crónica, LMC ): é responsável por cerca de 4400 novos casos de leucemia, todos os anos . Afecta principalmente os adultos.
  • Leucemia linfocítica aguda (leucemia linfoblástica aguda, LLA ): é responsável por cerca de 3800 novos casos de leucemia, todos os anos . É o tipo mais comum de leucemia, em crianças. Também afecta os adultos.
  • Leucemia mielóide aguda (leucemia mielogénica aguda, LMA ): é responsável por cerca de 10600 novos casos de leucemia, todos os anos . Afecta tanto adultos, como crianças.

Há, ainda, outros tipos mais raros de leucemia. No conjunto, são responsáveis pelo aparecimento de 5200 novos casos de leucemia todos os anos.

QUEM ESTÁ EM RISCO

Muitas vezes, o médico não consegue explicar porque é que uma pessoa desenvolve leucemia e outra não. No entanto, a investigação demonstra que determinados factores de risco aumentam a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver esta doença.

Globalmente, os factores de risco mais comuns, para a leucemia, são em seguida apresentados:

  • Níveis muito elevados de radiação: pessoas expostas a níveis muito elevados de radiação, apresentam maior probabilidade de desenvolver leucemia. Na História Mundial, houve já situações em que os níveis de radiação foram muito elevados: no Japão, durante a 2ª Guerra Mundial, com a explosão da bomba atómica, e no acidente de Chernobile, em 1986, numa fábrica de energia nuclear.
    Os tratamentos médicos que usam radiações, podem ser outra fonte de exposição elevada a radiações. No entanto, a radiação usada no diagnóstico, expõe a pessoa a níveis muito mais baixos de radiação, e não está ligada à leucemia.
  • Trabalhar com determinados químicos: a exposição a níveis elevados de benzeno, no local de trabalho, pode causar leucemia. O benzeno é muito usado na indústria química. Também o formaldeído é usado na indústria química; os trabalhadores expostos ao formaldeído, também podem ter um risco mais elevado de ter leucemia.
  • Quimioterapia: uma pessoa com cancro, tratada com determinados fármacos anti-cancerígenos, anos mais tarde pode vir a desenvolver leucemia. Por exemplo, a classe terapêutica anti-cancerígena dos agentes alquilantes, está associada ao desenvolvimento secundário de leucemia, muitos anos depois do tratamento.
  • Síndroma de Down e outras doenças genéticas: algumas doenças genéticas, causadas por cromossomas anormais, podem aumentar o risco de leucemia.
  • Vírus dos linfomas T humanos (HTLV-1): este vírus causa um tipo raro de leucemia linfocítica crónica, conhecida como leucemia das células T humanas. No entanto, a leucemia não é contagiosa.
  • Síndrome mielodisplásico: uma pessoa com esta doença do sangue, tem um risco elevado de desenvolver leucemia.

No passado, alguns estudos sugeriram que a exposição a campos electromagnéticos, também seria outro possível factor de risco para a leucemia. Os campos electromagnéticos correspondem a um tipo de radiação de baixa energia, que provém de linhas de alta tensão e de aparelhos eléctricos. No entanto, os resultados de estudos recentes mostram que a evidência é fraca, para se poder afirmar que os campos electromagnéticos são um factor de risco.

A maioria das pessoas que apresentam factores de risco para leucemia, não chegam a desenvolver a doença. Por outro lado, muitas pessoas que desenvolvem a doença, não apresentam quaisquer factores de risco.

Se pensa que pode apresentar risco aumentado para ter leucemia, deverá discutir essa preocupação com o médico; poderá saber como reduzir o risco e qual será o calendário ideal para fazer exames regulares.

SINTOMAS DE ALERTA

Como todas as células do sangue, as células da leucemia percorrem todo o corpo. Dependendo do número de células tumorais, e do local onde estas células se depositam, uma pessoa com leucemia pode apresentar sintomas variados.

Os sintomas comuns de leucemia, incluem:

  • Febre e suores nocturnos.
  • Infecções frequentes.
  • Sensação de fraqueza ou cansaço.
  • Dor de cabeça.
  • Sangrar e fazer nódoas negras (hematomas) facilmente: gengivas que sangram, manchas arroxeadas na pele, ou pequenas pintas vermelhas sob a pele.
  • Dor nos ossos e articulações.
  • Inchaço ou desconforto no abdómen (em consequência do aumento do baço).
  • Gânglios inchados, especialmente os do pescoço e das axilas.
  • Perda de peso.

Estes sintomas não são necessariamente sinónimo de leucemia. Uma infecção, ou qualquer outro problema, também pode causar estes sintomas. Se apresentar estes sintomas, deve consultar o médico, logo que possível. Só o médico pode diagnosticar e tratar o problema.

Nas fases iniciais da leucemia crónica, as células tumorais funcionam quase normalmente. Os sintomas podem não aparecer, durante muito tempo. Muitas vezes, o médico descobre a leucemia crónica durante um exame de rotina, isto é, antes de existirem quaisquer sintomas. Quando surgem os sintomas, estes são geralmente ligeiros, no início, e vão piorando, gradualmente.

Na leucemia aguda, os sintomas surgem e pioram rapidamente. A pessoa vai ao médico porque se sente doente. Outros sintomas da leucemia aguda são vómitos, confusão, perda do controlo muscular e convulsões. As células tumorais podem, ainda, depositar-se nos testículos, provocando inchaço. Algumas pessoas também desenvolvem feridas nos olhos ou na pele. A leucemia também pode afectar o aparelho digestivo, os rins, os pulmões ou outras partes do corpo.

FORMAS DE DIAGNÓSTICO

Se uma pessoa apresenta sintomas que sugiram leucemia, o médico tem que proceder a uma observação cuidadosa, e pedir todos os exames complementares necessários, bem como perguntar acerca da sua história clínica e familiar.

Os exames e análises para diagnóstico, podem incluir:

  • Exame físico: o médico observa a pessoa, para verificar se existem alterações, por exemplo, dos gânglios linfáticos, do baço e do fígado.
  • Análises sanguíneas: o laboratório faz a contagem de células do sangue. A leucemia causa uma grande elevação da contagem dos glóbulos brancos, ou diminuição dos mesmos . Também provoca níveis baixos de plaquetas e hemoglobina. Através da análise do sangue, no laboratório, também pode verificar-se se a leucemia afectou o fígado e os rins.
  • Biópsia: o médico remove uma porção de medula óssea, do osso da bacia; a amostra é analisada ao microscópio, por um patologista. Uma biópsia corresponde à remoção do tecido ósseo, para verificação da existência de células cancerígenas. A biópsia é o único método seguro de saber se as células tumorais se encontram na medula óssea.
    Existem dois processos para obter medula óssea. Algumas pessoas farão os dois procedimentos:

    • Aspiração da medula óssea: o médico usa uma agulha, para remover amostras de medula (interior do osso).
    • Biópsia da medula óssea: o médico usa outro tipo de agulha, para remover um pedaço de osso.

    A anestesia local ajuda a sentir menor desconforto.

  • Citogenética: no laboratório, são feitas análises aos cromossomas de células colhidas de amostras de sangue periférico, de medula óssea ou de gânglios linfáticos.
  • Punção lombar: o médico remove algum líquido cefalo-raquidiano (líquido que preenche o espaço dentro e em redor do cérebro e da espinal medula). O médico usa uma agulha fina, para remover líquido da coluna vertebral. O procedimento é realizado com anestesia local. Depois, a pessoa tem que permanecer deitada, na horizontal, durante algumas horas, para evitar que tenha dores de cabeça. O líquido é analisado, num laboratório, para detecção de possíveis células tumorais ou outros sinais de patologias.
  • Radiografia ao tórax: os raios-X são importantes para avaliar indirectamente os pulmões e o coração.

Antes de fazer uma aspiração ou uma biópsia de medula óssea, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Vai fazer a colheita da amostra de medula da anca ou de outro osso?
  • Quanto tempo demora este procedimento? Estarei acordado? Vai doer?
  • Quando terá os resultados? Quem mos vai explicar?
  • Se eu tiver leucemia quem vai falar comigo acerca do tratamento? Quando?

O TRATAMENTO

Muitas pessoas com leucemia, querem saber toda a informação possível sobre a sua doença e métodos de tratamento; querem participar nas decisões relativas ao seu estado de saúde e cuidados médicos de que necessitam. Saber mais acerca da doença, ajuda a colaborar e reagir positivamente.

O choque e o stress que se seguem a um diagnóstico de cancro, podem tornar difícil pensar em todas as perguntas e dúvidas que quer esclarecer com o médico. Muitas vezes, é útil elaborar, antes da consulta, uma lista das perguntas a colocar ao médico.

O médico pode aconselhar a consulta com um médico especialista em leucemias. A leucemia pode ser tratada por diferentes especialistas, como sejam: hematologista e oncologista. Nas crianças, a leucemia é tratada por oncologistas pediátricos e hematologistas.

Uma pessoa com leucemia só deve ser tratada com médicos que tenham experiência no tratamento de leucemias.

OUVIR UMA SEGUNDA OPINIÃO

Por vezes, é útil ouvir uma segunda opinião, acerca do diagnóstico e do plano de tratamentos. O médico, pode sugerir-lhe um colega especializado no tratamento da leucemia, em adultos ou em crianças. Nos centros de oncologia trabalham, muitas vezes, vários médicos especialistas, que fazem parte da mesma equipa.

PREPARAÇÃO PARA O TRATAMENTO

O plano de tratamento depende, essencialmente, do tipo de tratamento a efectuar e do estadio da doença. O médico tem, ainda, em consideração o tipo de leucemia, a idade do doente, a possível presença de células tumorais no líquido cefalo-raquidiano, se a leucemia já tinha sido previamente tratada e o estado geral de saúde da pessoa.

Para cada caso de leucemia, o médico irá desenvolver um plano de tratamentos, que vá de encontro às necessidades específicas de cada pessoa; poderá, ainda, falar consigo sobre as possíveis escolhas de tratamento e resultados esperados.

Antes de iniciar o tratamento, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de leucemia tenho eu?
  • Quais são as minhas escolhas de tratamento? Qual me recomenda? Porquê?
  • Quais são os benefícios esperados de cada tipo de tratamento?
  • Quais são os riscos e os possíveis efeitos secundários de cada tratamento?
  • Se eu tiver dores, de que modo me vai ajudar?
  • Quanto deverá custar o tratamento?
  • Como irá o tratamento afectar as minhas actividades normais?
  • Será que participar num ensaio clínico (estudo de investigação) seria adequado para mim? Se sim, pode ajudar-me nos contactos iniciais?

Não precisa de fazer todas as perguntas de uma vez; terá outras oportunidades, para pedir ao médico que explique a informação que não ficou clara, e pedir esclarecimentos adicionais.

MÉTODOS DE TRATAMENTO

O médico é a pessoa indicada para descrever as possíveis escolhas terapêuticas. Poderá ainda falar consigo sobre os resultados esperados. Dependendo do tipo e extensão da doença, a pessoa pode fazer quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, transplante de medula óssea ou a associação de diferentes tratamentos.

Uma pessoa com leucemia aguda precisa de ser tratada imediatamente. O objectivo do tratamento é a remissão do tumor. Depois, quando os sinais e sintomas desaparecerem, podem ser administrados tratamentos adicionais, para prevenir uma recidiva. Este tipo de tratamento é chamado de terapêutica de manutenção. Muitas pessoas com leucemia aguda podem ser curadas.

Uma leucemia crónica que não apresente sintomas, pode não necessitar de tratamento imediato. Para algumas pessoas com leucemia linfocítica crónica, o médico pode sugerir a vigilância monitorizada . A equipa médica irá monitorizar a saúde da pessoa, para que o tratamento possa ter início logo que ocorram sintomas, ou se estes piorarem. Quando é necessário tratamento para a leucemia crónica, muitas vezes consegue-se controlar a doença e seus sintomas. No entanto, a leucemia crónica raramente pode ser curada. Os doentes podem fazer terapêutica de manutenção, para ajudar a manter o tumor em remissão.

Poderá, ainda, querer falar com o médico sobre a possibilidade de participar num ensaio clínico, ou seja, num estudo de investigação de novos métodos de tratamento. No tópico “Investigação Sobre o Cancro”, poderá encontrar mais informação sobre os ensaios clínicos actualmente a decorrer.

Adicionalmente ao tratamento da leucemia, podem ser administrados medicamentos para controlar a dor e outros sintomas do cancro, bem como para aliviar os possíveis efeitos secundários do tratamento. Estes tratamentos são designados como tratamentos de suporte, para controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

QUIMIOTERAPIA

A maioria das pessoas com leucemia faz quimioterapia A quimioterapia consiste na utilização de fármacos, para matar as células cancerígenas. Dependendo do tipo de leucemia, pode ser administrado apenas um fármaco, ou uma associação de dois ou mais fármacos.

As pessoas com leucemia, podem fazer quimioterapia de várias maneiras:

  • Administração oral: em comprimidos.
  • Administração endovenosa: através de uma injecção, dada directamente numa veia: IV ou endovenosa.
  • Através de um cateter (um tubo fino e flexível): colocado numa grande veia, geralmente na zona superior do peito; o catéter que fica colocado, é útil para doentes que necessitem de muitos tratamentos IV. O profissional de saúde injecta os fármacos através do catéter. Este método evita a necessidade de muitas injecções, que podem causar desconforto e danificar as veias e a pele da pessoa.
  • Através de uma injecção administrada directamente no líquido cefalo-raquidiano. Se forem detectadas células tumorais neste líquido, o médico pode querer fazer quimioterapia intra-tecal; neste caso, os fármacos são administrados directamente no líquido cefalo-raquidiano. Este método é utilizado porque, muitas vezes, os fármacos administrados por injecção IV ou per os (pela boca), não chegam às células do cérebro nem da espinal medula (uma rede de vasos sanguíneos, filtra o sangue que vai para o cérebro e para a espinal medula; esta barreira impede que os fármacos cheguem ao cérebro).
    Estes fármacos podem ser administrados de duas formas:

    • Injecção na coluna: o médico injecta os fármacos na parte inferior da coluna vertebral.
    • Reservatório de Ommaya: as crianças, e alguns adultos, recebem a quimioterapia intratecal através de um catéter especial, chamado reservatório de Ommaya. O médico coloca o reservatório sob o couro cabeludo, e injecta os fármacos anti-cancerígenos no catéter. Este método evita o desconforto das injecções na coluna vertebral.

A quimioterapia é, geralmente, administrada por ciclos de tratamento, repetidos de acordo com uma regularidade específica, de situação para situação. O tratamento pode ser feito durante um ou mais dias; existe, depois, um período de descanso, para recuperação, que pode ser de vários dias ou mesmo semanas, antes de fazer a próxima sessão de tratamento.

Algumas pessoas com leucemia, fazem a quimioterapia em regime de ambulatório (no hospital, no consultório do médico ou em casa), ou seja, não ficam internadas no hospital. No entanto, pode ser necessário ficar no hospital, em regime de internamento, enquanto fazem a quimioterapia.

Algumas pessoas com leucemia mielóide crónica, fazem um novo tipo de tratamento, chamado tratamento direccionado. Este tratamento, bloqueia a produção de células tumorais, e não atinge as células normais.

IMUNOTERAPIA

Nalguns tipos de leucemia, a pessoa faz imunoterapia. Este tipo de tratamento melhora as defesas naturais do organismo contra o cancro. O tratamento é administrado por injecção numa veia.

Algumas pessoas com leucemia linfocítica crónica, recebem imunoterapia, utilizando anticorpos monoclonais. Estas substâncias ligam-se às células cancerígenas, permitindo que o sistema imunitário elimine as células tumorais, no sangue e na medula óssea.

Por outro lado, alguns doentes com leucemia mielóide crónica recebem imunoterapia com uma substância natural, chamada interferão. Esta substância pode desacelerar o crescimento das células cancerígenas.

Antes de fazer quimioterapia e imunoterapia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Para que preciso deste tratamento?
  • Que fármacos me vão ser administrados?
  • Deverei ir ao dentista, antes de iniciar o tratamento?
  • Que me fará o tratamento?
  • Terei de ficar no hospital?
  • Como saberemos que o tratamento está a funcionar?
  • Durante quanto tempo farei este tratamento?
  • Terei efeitos secundários durante o tratamento? Quanto tempo irão durar? Que poderei fazer em relação a esses efeitos?
  • Existem efeitos a longo prazo causados pelos fármacos?
  • Com que frequência terei de fazer exames médicos?

RADIOTERAPIA

A radioterapia usa raios de elevada energia, para matar as células cancerígenas. Para a maioria dos doentes, uma máquina dirige a radiação para o baço, cérebro ou para outras partes do corpo, onde se tenham depositado células tumorais. Alguns doentes fazem radiação dirigida a todo o corpo; a radiação total ao corpo é, geralmente, realizada antes de um transplante de medula óssea. A radioterapia é sempre administrada num hospital ou numa clínica.

Antes de iniciar a radioterapia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Porque é que preciso deste tratamento?
  • Quando têm início os tratamentos? Com que frequência serão administrados? Quando terminam?
  • Como me vou sentir durante o tratamento? Terei efeitos secundários? Quanto tempo irão durar? O que poderei fazer, em relação a esses efeitos?
  • Existem efeitos a longo prazo causados pela imunoterapia?
  • Que poderei fazer para cuidar de mim próprio, durante o tratamento?
  • Como saberemos se o tratamento está a funcionar?
  • Poderei continuar com as minhas actividades normais, durante o tratamento?
  • Com que frequência terei de fazer exames médicos?

TRANSPLANTE DE CÉLULAS ESTAMINAIS

Algumas pessoas com leucemia, fazem transplante de células estaminais. Um transplante de células estaminais, permite o tratamento com doses mais elevadas de fármacos, de radiação ou de ambos. As doses elevadas, destroem tanto as células cancerígenas como os glóbulos sanguíneos normais da medula óssea. Mais tarde, a pessoa recebe células estaminais saudáveis, através de um catéter que é colocado numa grande veia, no pescoço ou na zona do peito. A partir das células estaminais transplantadas, desenvolvem-se novos glóbulos sanguíneos.

Existem vários tipos de transplantes de células estaminais:

  • Transplante de medula óssea: as células estaminais provêm da medula óssea.
  • Transplante de células estaminais periféricas: as células estaminais provêm do sangue periférico.
  • Transplante do sangue do cordão umbilical: para uma criança sem dador, o médico pode usar as células estaminais do sangue do cordão umbilical. O sangue do cordão umbilical provém de um bebé recém-nascido. Por vezes, o sangue do cordão umbilical é congelado, para poder ser usado mais tarde.
    As células estaminais podem ser da própria pessoa, ou de um dador:

    • Auto-transplante: este tipo de transplante usa células estaminais da própria pessoa. As células estaminais são removidas, e as restantes células podem ser tratadas, para matar quaisquer células cancerígenas presentes. As células estaminais são congeladas e armazenadas. Depois de a pessoa receber doses elevadas de quimioterapia ou radioterapia, as células estaminais armazenadas são descongeladas e “devolvidas” à pessoa.
    • Transplante alogénico: este tipo de transplante, usa células estaminais saudáveis de um dador. O dador pode ser um irmão, uma irmã, um dos progenitores ou um dador não familiar, mas compatível. O médico faz análises sanguíneas específicas, para se assegurar que as células do dador são compatíveis com as da pessoa.
    • Transplante singénico: este tipo de transplante, usa células estaminais do gémeo (idêntico) saudável.

Depois de um transplante de células estaminais, regra geral a pessoa fica internada, no hospital, durante várias semanas. Nestes casos, a equipa médica necessita de proteger a pessoa de qualquer infecção, até que as células estaminais comecem a produzir glóbulos brancos suficientes.

Antes de fazer um transplante de células estaminais, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de transplante de células estaminais vou fazer? Se precisar de um dador, como vamos encontrar um?
  • Durante quanto tempo vou ter que ficar no hospital? De que cuidados vou precisar, quando sair do hospital?
  • Como saberemos se o tratamento está a funcionar?
  • Quais são os riscos e os efeitos secundários? Que podemos fazer acerca deles?
  • Que alterações terei que fazer nas minhas actividades normais?
  • Qual é a minha probabilidade de ter uma recuperação completa? Quanto tempo irá durar?
  • Com que frequência terei de fazer exames médicos?

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSÍVEIS

Tendo em conta que, provavelmente, o tratamento do cancro danifica células e tecidos saudáveis surgem, assim, os efeitos secundários. Alguns efeitos secundários específicos dependem, principalmente, do tipo de tratamento e sua extensão (se são tratamentos locais ou sistémicos). Os efeitos secundários podem não ser os mesmos em todas as pessoas, mesmo que estejam a fazer o mesmo tratamento. Por outro lado, os efeitos secundários sentidos numa sessão de tratamento podem mudar na sessão seguinte. O médico irá explicar os possíveis efeitos secundários do tratamento, e qual a melhor forma de os controlar.

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia afecta tanto as células normais como as cancerígenas.

Os efeitos secundários da quimioterapia dependem, principalmente, dos fármacos e doses utilizadas. Em geral, os fármacos anti-cancerígenos afectam, essencialmente, células que se dividem rapidamente, como sejam:

  • Células do sangue: estas células ajudam a “combater” as infecções, ajudam o sangue a coagular, e transportam oxigénio a todas as partes do organismo. Quando as células do sangue são afectadas, havendo diminuição do seu número total em circulação, a pessoa poderá ter maior probabilidade de sofrer infecções, de fazer “nódoas negras” (hematomas) ou sangrar facilmente, podendo, ainda, sentir-se mais fraca e cansada.
  • Células dos cabelos/pelos: a quimioterapia pode provocar a queda do cabelo e pelos do corpo; no entanto, este efeito é reversível e o cabelo volta a crescer, embora o cabelo novo possa apresentar cor e “textura” diferentes.
  • Células do aparelho digestivo: a quimioterapia pode causar falta de apetite, náuseas e vómitos, diarreia e feridas na boca e/ou lábios; muitos destes efeitos secundários podem ser controlados com a administração de medicamentos específicos.

Alguns fármacos anti-cancerígenos podem, ainda, afectar a fertilidade, feminina e masculina.

No caso das mulheres, se os ovários deixarem de produzir hormonas como, por exemplo, os estrogénios, poderá apresentar sintomas de menopausa: afrontamentos e secura vaginal. Os períodos menstruais podem tornar-se irregulares ou mesmo parar podendo, ainda, ficar infértil, ou seja, incapaz de engravidar. Se tiver idade igual ou superior a 35 anos, é provável que a infertilidade seja permanente; por outro lado, se permanecer fértil durante a quimioterapia, a gravidez é possível. Os homens podem parar de produzir esperma. Como estas alterações podem ser permanentes, alguns homens congelam e armazenam os seus espermatozóides, antes do tratamento. A maioria das crianças que fizeram tratamento para a leucemia parecem ter uma fertilidade normal, quando crescem. No entanto, dependendo dos fármacos e das doses usadas, e da idade do doente, alguns rapazes e raparigas podem vir a ser inférteis, quando adultos.

Como não são conhecidos os efeitos secundários da quimioterapia, no feto, antes de iniciar o tratamento deverá sempre falar com o médico, relativamente à utilização de métodos contraceptivos eficazes.

Tendo em conta que os tratamentos direccionados (por vezes usados para a leucemia mielóide crónica) afectam apenas as células cancerígenas, provocam menos efeitos secundários do que a maioria dos outros fármacos anti-cancerígenos.

IMUNOTERAPIA

Os efeitos secundários da imunoterapia dependem do tipo de substâncias usadas e variam de doente para doente. É comum haver erupções cutâneas ou inchaço, no local da injecção. Também podem ocorrer sintomas do tipo da gripe. A equipa médica pode monitorizar o sangue, para detectar sinais de anemia e de outros problemas.

RADIOTERAPIA

Durante a radioterapia, poderá sentir-se muito cansado, particularmente nas últimas semanas de tratamento. O descanso é importante, mas, geralmente, o médico aconselha as pessoas a manterem-se activas, dentro do possível.

Os efeitos da radioterapia, na pele, são temporários, e a zona irá sarar, gradualmente, assim que termine o tratamento. Pode, no entanto, haver uma alteração duradoura na cor da pele. Se também for administrada quimioterapia, em simultâneo, os efeitos secundários podem ser agravados. O médico poderá sugerir formas de atenuar estes efeitos.

TRANSPLANTE DE CÉLULAS ESTAMINAIS

As pessoas com leucemia, que fazem transplante de células estaminais, podem ter infecções e perda de sangue. Adicionalmente, em pessoas que recebam células estaminais de um dador, pode haver rejeição, chamando-se “doença do enxerto versus o hospedeiro” (GVHD). Nesta situação, as células estaminais doadas “atacam” os tecidos da pessoa que as recebe. Geralmente, esta doença (GVHD) afecta o fígado, a pele ou o aparelho digestivo; pode ser grave, ou até fatal, e pode ocorrer em qualquer altura depois do transplante, mesmo anos mais tarde. Há medicação que pode ajudar a prevenir, tratar ou controlar este processo de rejeição ( GVHD ).

CUIDADOS DE SUPORTE

A leucemia, bem como o seu tratamento, podem provocar outros problemas de saúde, como infecções, anemia e hemorragias. Para prevenir ou controlar estes problemas, e para melhorar o conforto e qualidade de vida da pessoa, durante o tratamento, podem ser prestados cuidados de suporte. Para prevenir as infecções, podem ser administrados antibióticos e outros fármacos, como factores de crescimento das células do sangue. Nesta fase, é conveniente evitar multidões, pessoas com constipações e outras doenças contagiosas; se uma infecção se desenvolver, pode ter consequências graves: deve ser tratada imediatamente. Para fazer o tratamento, a pessoa pode ter necessidade de ficar hospitalizada. Para tratar a anemia e as hemorragias, pode ser necessário receber transfusões de glóbulos vermelhos, para os ajudar a ter mais energia, e transfusões de plaquetas, para reduzir o risco de hemorragia grave.

Os cuidados dentários também são muito importantes. A leucemia e a quimioterapia podem tornar a boca sensível, com propensão para infecções e maior facilidade em ter hemorragias. Geralmente, os médicos aconselham a pessoa a fazer um exame dentário completo e, se possível, a fazer os tratamentos dentários antes de iniciar a quimioterapia. O dentista explicará o que deve ser feito, para manter a boca limpa e saudável, durante o tratamento.

Fonte: http://www.infocancro.com
Roche – Todos os direitos reservados.

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