Cancro do Estômago

O CANCRO DO ESTÔMAGO

A investigação constante, numa área de intervenção tão importante como o cancro do estômago é, inquestionavelmente, necessária; cada vez se sabe mais sobre as suas causas, sobre a forma como se desenvolve e cresce, ou seja, como progride. Estão também a ser estudadas novas formas de o prevenir, detectar e tratar, tendo sempre em atenção a melhoria da qualidade de vida das pessoas com cancro do estômago, durante e após o tratamento.

O ESTÔMAGO

O estômago faz parte do aparelho digestivo. Está localizado no abdómen superior, debaixo das costelas. A porção superior do estômago está ligada ao esófago e a porção inferior conduz ao intestino delgado.

Quando os alimentos entram no estômago, os músculos da parede do estômago criam um movimento ondulado, que mistura e esmaga os alimentos. Simultaneamente, os sucos produzidos pelas glândulas do revestimento do estômago ajudam a digerir os alimentos. Após cerca de 3 horas, os alimentos transformam-se num líquido, que segue para o intestino delgado, onde continua o processo da digestão.

O cancro do estômago, também chamado de cancro gástrico, pode desenvolver-se em qualquer parte do estômago, e pode “espalhar-se”, ou seja, disseminar-se, através do estômago e para outros órgãos. Pode crescer ao longo da parede do estômago, para o esófago ou para o intestino delgado. Pode, ainda, atravessar a parede do estômago e “invadir” os gânglios linfáticos, órgãos como o fígado, pâncreas e cólon. O cancro do estômago pode, também, propagar-se para órgãos distantes, como os pulmões, ovários e para os gânglios linfáticos acima da clavícula.
Quando o tumor se propaga para outra zona do corpo, o novo tumor tem o mesmo tipo de células anómalas, e o mesmo nome que o tumor primário. Por exemplo, se o cancro do estômago se propaga para o fígado, as células cancerígenas do fígado são células de cancro do estômago: chama-se cancro do estômago metastizado, e não cancro do fígado. No entanto, quando o cancro do estômago se propaga para um ovário, o tumor no ovário é chamado de tumor de Krukenberg (também este tumor, com o nome de um médico, não é uma doença diferente, mas sim cancro do estômago metastizado, em que as células cancerígenas são células de cancro do estômago, ou seja, do tumor primário).

CAUSAS

A taxa de incidência de cancro do estômago nos Estados Unidos e o número de mortes desta doença diminuíram dramaticamente, durante os últimos 60 anos.
O cancro do estômago é, ainda, uma doença grave; continuam a ser estudadas as suas causas, bem como as possíveis formas de o prevenir. Nesta altura, os médicos não conseguem explicar porque é que uma pessoa tem cancro do estômago e outra não.

Está estudado que há pessoas mais susceptíveis que outras para desenvolver cancro do estômago. A doença é mais comum em pessoas com mais de 55 anos. Afecta duas vezes mais os homens do que as mulheres, e é mais comum na raça negra do que na branca (caucasiana). O cancro do estômago é mais comum em algumas partes do mundo, como o Japão, a Coreia, algumas zonas da Europa Ocidental e América Latina. Nestas regiões, a alimentação é muito rica em alimentos conservados por secagem, fumeiro, salga ou vinagre. Pensa-se que a ingestão de alimentos conservados desta forma possa ter um papel fundamental no desenvolvimento do cancro do estômago. Por outro lado, os alimentos frescos, especialmente fruta e vegetais frescos, bem como alimentos frescos devidamente congelados, podem proteger desta doença.

As úlceras do estômago parecem não aumentar o risco da pessoa ter um cancro do estômago. No entanto, alguns estudos sugerem que uma bactéria, Helicobacter pylori, que pode causar inflamação e úlceras no estômago, possa ser um importante factor de risco para o cancro do estômago. Alguns estudos demonstram, também, que pessoas que fizeram uma cirurgia ao estômago, que têm anemia perniciosa, acloridria ou atrofia gástrica (que resulta, geralmente, numa diminuição das quantidades normais de sucos digestivos), apresentam risco aumentado de ter cancro do estômago.

A exposição a certos pós e fumos, no local de trabalho, foi associada a um risco aumentado de cancro do estômago. Alguns cientistas acreditam que fumar pode aumentar o risco de ter cancro do estômago.

Se pensa que pode apresentar risco aumentado para ter cancro do estômago, deverá discutir essa preocupação com o médico; poderá saber como reduzir o risco e qual será o calendário ideal para fazer exames regulares.

SINTOMAS DE ALERTA

O cancro do estômago pode ser difícil de detectar precocemente. Geralmente, não há sintomas nos estadios iniciais e, em muitos casos, antes de ser detectado, o tumor já está metastizado. Quando há sintomas, geralmente são vagos, ou seja, não específicos, e a pessoa ignora-os.

O cancro do estômago pode provocar os seguintes sintomas:

  • Indigestão ou sensação de ardor (azia);
  • Desconforto ou dor no abdómen;
  • Náuseas e vómitos;
  • Diarreia ou obstipação;
  • Dilatação do estômago, após as refeições;
  • Perda de apetite;
  • Fraqueza e cansaço;
  • Hemorragia (vómito de sangue ou sangue nas fezes).

Na maioria das vezes, estes sintomas não estão relacionados com um cancro do estômago, e podem, ainda, ser provocados por tumores benignos ou outros problemas de saúde menos graves, como um vírus no estômago ou uma úlcera. Só o médico poderá confirmar. Qualquer pessoa com estes sintomas, ou quaisquer outras alterações de saúde relevantes, deve consultar o médico, regra geral um gastrenterologista, para diagnosticar e tratar o problema, tão cedo quanto possível.

FORMAS DE DIAGNÓSTICO

Se apresentar quaisquer sinais ou sintomas de cancro do estômago, o médico deverá confirmar se são provocados por um tumor ou por qualquer outra causa. O médico irá fazer algumas perguntas relacionadas com a história clínica e familiar, bem como fazer um exame físico. Pode, ainda, pedir análises, raios-X ou outros exames.

Para detectar a causa dos sintomas, podem ser usados os seguintes testes:

  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes (FOBT): por vezes, o cancro do estômago provoca hemorragias que não se conseguem ver, e sangra. Através desta pesquisa (FOBT), podem ser detectadas pequenas quantidades de sangue nas fezes. Se nesta análise for detectado sangue, serão necessários testes adicionais para encontrar a origem do sangue. Há situações benignas, como as hemorróidas, que podem provocar sangue nas fezes.
  • Radiografia (raios-X) com contraste do esófago e do estômago (tracto gastrointestinal superior) – trânsito esófago-gastro-duodenal: a radiografia é realizada depois da pessoa ter bebido uma solução de bário, um líquido grosso e esbranquiçado (ingestão de papa). O bário delimita o estômago, no raio-X, ajudando o médico a encontrar tumores ou outras áreas anómalas. Durante o exame, o médico pode bombear ar para o estômago, de modo a tornar mais visíveis os tumores pequenos.
  • Endoscopia: exame do estômago e do esófago, usando um tubo fino e iluminado, chamado de gastroscópio, que é inserido através da boca, seguindo pelo esófago até ao estômago. A garganta da pessoa é pulverizada com um anestésico local, para reduzir o desconforto e os vómitos. Podem, ainda, ser administrados medicamentos relaxantes. Através do gastroscópio, o médico pode ver directamente para dentro do estômago. Se encontra uma área anormal, pode remover algum tecido, através do gastroscópio. Depois, um patologista examina o tecido, ao microscópio, para verificar se existem células cancerígenas. A este procedimento – remoção de tecido e exame ao microscópio – chama-se biópsia. A biópsia é o único método seguro para saber se há células cancerígenas.

Uma pessoa que precise de fazer uma biópsia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Quanto tempo demora a fazer a biópsia? Estarei acordado? Vai doer?
  • Quando saberei os resultados?
  • Se eu tiver um cancro, quem falará comigo acerca do tratamento? Quando?

ESTADIAMENTO

Se a biópsia comprovar a existência de um cancro, o médico precisa de saber qual a extensão (estadio) da doença, para melhor planear o tratamento. O estadio da doença está relacionado com o facto do tumor ter, ou não, invadido os tecidos vizinhos, e de se ter disseminado para outras partes do corpo. Como o cancro do estômago pode metastizar para o fígado, pâncreas, e outros órgãos perto do estômago, como os pulmões, o médico pode pedir uma TAC, uma ecografia ou outros exames, para verificar estas áreas.

Por vezes, o estadiamento não está terminado até que a pessoa faça uma cirurgia. O cirurgião remove os gânglios linfáticos que se encontram na região do tumor e pode, ainda, colher amostras de tecido de outras áreas do abdómen. Estas amostras serão examinadas por um patologista, para verificar a possível existência de células cancerígenas. A decisão, acerca do tratamento a fazer, após a cirurgia, depende destas análises.

O TRATAMENTO

Para cada caso de cancro do estômago, o médico irá desenvolver um plano de tratamentos, que vá de encontro às necessidades específicas de cada pessoa. O tratamento do cancro do estômago depende, principalmente, do tamanho, da localização e da extensão do tumor, do estadio da doença, do estado geral da pessoa e de outros factores. O médico poderá falar consigo sobre as possíveis escolhas de tratamento e resultados esperados.

Muitas pessoas com cancro do estômago querem saber toda a informação possível sobre a sua doença e métodos de tratamento; querem participar nas decisões relativas ao seu estado de saúde e cuidados médicos de que necessitam. Saber mais acerca da doença ajuda a colaborar e reagir positivamente. No entanto, o choque e o stress que se seguem a um diagnóstico de cancro, podem tornar difícil pensar em todas as perguntas e dúvidas que quer esclarecer com o médico. Muitas vezes, é útil elaborar, antes da consulta, uma lista das perguntas a colocar ao médico.

Não precisa de fazer todas as perguntas de uma vez; terá outras oportunidades para pedir ao médico que explique a informação que não ficou clara, e pedir esclarecimentos adicionais.

Poderá perguntar ao médico sobre a possibilidade de participar num ensaio clínico, ou seja, num estudo de investigação de novos métodos de tratamento.

Antes de iniciar o tratamento, poderá colocar algumas questões ao médico:

  • Qual é o estadio da doença?
  • Quais são as minhas opções de tratamento? Qual o tratamento que sugere para mim? Porquê?
  • Um ensaio clínico seria adequado para mim?
  • Quais são os benefícios esperados do tratamento?
  • Quais são os riscos e possíveis efeitos secundários do tratamento?
  • O que poderá ser feito em relação aos efeitos secundários?
  • Que poderei fazer para ser auto-suficiente, durante o tratamento?
  • Quanto tempo durará o meu tratamento?

Os doentes e seus familiares estão, naturalmente, preocupados com a eficácia do tratamento. Por vezes, usam resultados estatísticos publicados para tentar perceber se a pessoa ficará curada, ou qual o tempo que ainda viverá. No entanto, é importante lembrar que os resultados estatísticos correspondem a médias, baseadas num grande número de doentes; não podem ser usadas para prever o que irá acontecer a determinada pessoa, pois não há pessoas iguais: a resposta aos tratamentos varia muito.
Poderá querer falar com o médico, acerca do prognóstico do seu cancro e da probabilidade de recuperação. Quando o médico fala em sobreviver ao cancro, pode usar o termo remissão, em vez de cura. Embora muitas pessoas recuperem completamente, o médico usa este termo porque a doença pode voltar a aparecer, ou seja, pode ter uma recidiva.

OUVIR UMA SEGUNDA OPINIÃO

Antes de iniciar o tratamento, pode querer ouvir uma segunda opinião, acerca do diagnóstico e das opções de tratamento. Poderá precisar de algum tempo e esforço adicional, para juntar todos os registos médicos (exames imagiológicos, lâminas da biópsia, relatório patológico e plano de tratamentos proposto) e marcar uma consulta com outro médico. Em geral, mesmo que demore algumas semanas, até ouvir uma segunda opinião, o tratamento não se torna menos eficaz. No entanto, há situações em que é necessário fazer tratamento imediato; é importante referir este possível atraso ao médico.

O médico pode aconselhar a consulta com um médico especialista em cancro do estômago. Este tipo de cancro pode ser tratado por diferentes especialistas, como sejam: gastrenterologista (trata doenças do aparelho gastrointestinal), cirurgião, oncologista e radioterapeuta. Pode ter um médico especialista diferente, para cada tipo de tratamento que vá fazer.

MÉTODOS DE TRATAMENTO

O cancro do estômago é difícil de curar, a não ser que tenha sido detectado num estadio precoce, ou seja, antes de se disseminar (metastizar). Infelizmente, e porque o cancro do estômago, nos estadios iniciais, apresenta poucos sintomas, quando é feito o diagnóstico, geralmente a doença encontra-se já avançada. No entanto, o cancro do estômago avançado pode ser tratado, e os sintomas podem ser aliviados. O tratamento para o cancro do estômago pode incluir cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia. Estão a ser estudadas, nos ensaios clínicos, novas abordagens terapêuticas, tal como a imunoterapia, bem como formas melhoradas e optimizadas de usar os métodos actuais.
Uma pessoa com cancro do estômago pode fazer apenas um tipo de tratamento, ou uma combinação de tratamentos.

CIRURGIA

A cirurgia é o tratamento mais comum para o cancro do estômago. A operação chama-se gastrectomia. O cirurgião remove parte (gastrectomia parcial ou sub-total), ou todo (gastrectomia total) o estômago, bem como algum tecido circundante. Depois de uma gastrectomia parcial, o médico liga a porção restante do estômago ao esófago, ou ao intestino delgado. Por outro lado, depois de uma gastrectomia total, o médico liga o esófago directamente ao intestino delgado. Como o tumor pode metastizar através do sistema linfático, durante a cirurgia são, muitas vezes, removidos os gânglios linfáticos localizados perto do tumor, para que o patologista possa analisá-los, procurando células cancerígenas. Se já houver células cancerígenas nos gânglios analisados, significa que a doença pode ter metastizado para outras partes do corpo.

Antes da cirurgia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de operação vou fazer?
  • Quais são os riscos da operação?
  • Como vou sentir-me depois da operação? Se tiver dores, como é que me vai ajudar?
  • Necessitarei de uma dieta especial? Quem me vai ensinar e explicar a nova dieta?

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia consiste na utilização de fármacos, para matar as células cancerígenas. A quimioterapia pode ser constituída apenas por um fármaco, ou por uma associação de fármacos. Os fármacos podem ser administrados oralmente, sob a forma de comprimidos, ou através de uma injecção intravenosa (i.v.), na veia. Em qualquer das situações, os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo – terapêutica sistémica.

A quimioterapia é, geralmente, administrada por ciclos de tratamento, repetidos de acordo com uma regularidade específica, de situação para situação. O tratamento pode ser feito durante um ou mais dias; existe, depois, um período de descanso, para recuperação, que pode ser de vários dias ou mesmo semanas, antes de fazer a próxima sessão de tratamento.

A maioria das pessoas com cancro do estômago, faz a quimioterapia em regime de ambulatório (no hospital, no consultório do médico ou em casa), ou seja, não ficam internadas no hospital. No entanto, algumas pessoas podem precisar de ficar no hospital, internadas, enquanto fazem a quimioterapia; esta opção depende, regra geral, do tipo de fármaco, e do estado geral de saúde da pessoa a tratar. O médico pode optar por fazer apenas quimioterapia, quimioterapia combinada com cirurgia, radioterapia ou ambas.

Quando a quimioterapia é administrada antes da cirurgia, é chamada de terapêutica neo-adjuvante; o objectivo é diminuir o tamanho do tumor.
A quimioterapia administrada logo após a cirurgia, é chamada de terapêutica adjuvante; o objectivo é destruir quaisquer células cancerígenas remanescentes, e prevenir uma recidiva do tumor, no estômago ou noutro local.
A quimioterapia também é usada para tratar pessoas com doença avançada e, neste caso, o intuito é apenas paliativo, ou seja, para controlar a doença e/ou sua sintomatologia.

Os ensaios clínicos estão a estudar novas formas de utilizar a quimioterapia no tratamento do cancro do estômago. Está, também em estudo, o tratamento combinado com quimioterapia e radioterapia, bem como o tratamento em que a terapêutica anti-cancerígena é colocada directamente dentro do abdómen: quimioterapia intra-peritoneal.

Antes da quimioterapia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Qual é o objectivo do tratamento?
  • Que medicamentos vou tomar?
  • Irão os medicamentos causar efeitos secundários? Que posso fazer em relação aos efeitos secundários?
  • Durante quanto tempo terei de fazer este tratamento?
  • Como saberemos se o tratamento está a funcionar?

RADIOTERAPIA

A radioterapia é um tratamento local e, como tal, afecta apenas as células cancerígenas na zona tratada; usa raios de elevada energia, para matar as células cancerígenas. Por vezes, a radioterapia é efectuada depois da cirurgia, para destruir células cancerígenas que possam ter ficado na área do tumor. Está a ser estudada a utilidade da radioterapia, durante a cirurgia: radioterapia intra-operatória. A radioterapia também pode ser apenas com intuito paliativo, ou seja, para aliviar a dor.

Quando a pessoa faz radioterapia externa, a radiação provém de uma máquina. Para este tratamento, a maioria das pessoas vai ao hospital ou clínica. Geralmente, os tratamentos são realizados durante 5 dias por semana, durante várias semanas (5 a 6 semanas).

Antes da radioterapia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Qual é o objectivo do tratamento?
  • Como vai ser administrada a radiação?
  • Quando começa o tratamento? Quando termina?
  • Irei ter efeitos secundários? Que posso fazer em relação aos efeitos secundários?
  • Como saberemos se a radioterapia está a funcionar?

IMUNOTERAPIA – TERAPÊUTICA BIOLÓGICA

A terapêutica biológica, também chamada de imunoterapia, é uma forma de tratamento que “ajuda” o nosso sistema imunitário a atacar, e destruir, as células cancerígenas; ajuda, ainda, o organismo a recuperar de alguns efeitos secundários do tratamento.
Nos ensaios clínicos, está a ser estudada a imunoterapia, em associação a outros tratamentos, para prevenção da recorrência do cancro do estômago. Por outro lado, e noutra utilização da imunoterapia, se apresentar baixa contagem das células do sangue, durante ou após a quimioterapia, poderá receber factores de crescimento, que vão estimular o crescimento das diferentes colónias de células do sangue.
Na administração de alguns tipos de imunoterapia, pode ser necessário ficar no hospital.

ENSAIOS CLÍNICOS

Muitos doentes com cancro do estômago são tratados no âmbito de ensaios clínicos.
Os ensaios clínicos são necessários para descobrir se as novas abordagens à prevenção, detecção, diagnóstico e tratamento do cancro do estômago são seguras e eficazes; são desenhados e realizados para responder a importantes questões científicas. Muitas vezes, os ensaios clínicos comparam um método ou tratamento novo, com outro largamente estudado e aceite pelos médicos.
Muitos médicos, em Portugal, estão a realizar ensaios clínicos, em voluntários, para tentar descobrir e testar novos modos de prevenir, detectar, diagnosticar e tratar o cancro do estômago. Estão, também, a ser estudadas as causas do cancro, bem como os efeitos psicológicos da doença e modos de melhorar o conforto das pessoas com cancro do estômago, e sua qualidade de vida.

Fale com o médico, se tiver interesse em participar num ensaio clínico.

Devido ao progresso obtido através dos ensaios clínicos, muitas pessoas, que foram tratadas para o cancro do estômago, vivem mais tempo, e com melhor qualidade de vida, comparativamente ao passado.

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSIVEIS

Tendo em conta que, provavelmente, o tratamento do cancro do estômago danifica células e tecidos saudáveis surgem, assim, os efeitos secundários. Alguns efeitos secundários específicos dependem, principalmente, do tipo de tratamento e sua extensão (se são tratamentos locais ou sistémicos). Os efeitos secundários podem não ser os mesmos, em todas as pessoas, mesmo que estejam a fazer o mesmo tratamento. Por outro lado, os efeitos secundários sentidos numa sessão de tratamento podem mudar na sessão seguinte.
O médico irá explicar os possíveis efeitos secundários do tratamento, e qual a melhor forma de os controlar. É muito importante que o médico tenha conhecimento de quaisquer problemas que surjam, durante ou após o tratamento.

CIRURGIA

A gastrectomia é uma grande cirurgia. Durante um período de tempo após a cirurgia, a pessoa sentir-se-á limitada, nas suas actividades, para permitir que o correcto processo de cicatrização e recuperação. Durante os primeiros dias após a cirurgia, a pessoa é alimentada por via endovenosa, ou seja, através de uma veia. Depois de poucos dias, a maioria das pessoas já pode ingerir líquidos, seguidos de alimentos, primeiro moles e, depois, sólidos. Pessoas a quem foi removido todo o estômago, não conseguem absorver a vitamina B12, necessária para ter sangue e nervos saudáveis e, como tal, precisam de levar injecções regulares desta vitamina. As pessoas podem apresentar dificuldade, temporária ou permanente, em digerir determinados alimentos e podem, inclusive, precisar de modificar a dieta. Algumas pessoas que fizeram gastrectomia irão necessitar de seguir uma dieta especial, durante algumas semanas ou meses, enquanto outras o terão de fazer permanentemente. O médico, ou um dietista (especialista em nutrição), explicará quaisquer alterações necessárias da dieta.

Algumas pessoas gastrectomizadas apresentam cãibras, náuseas, diarreia e tonturas, depois de comer, tendo em conta que os alimentos e os líquidos chegam ao intestino delgado muito depressa. A este conjunto de sintomas, chama-se síndrome de dumping. Alimentos que contenham grande quantidade de açúcar pioram, muitas vezes, estes sintomas. O síndrome de dumping pode ser tratado, alterando a dieta da pessoa. O médico deverá sempre avisar a pessoa gastrectomizada, para comer pequenas refeições, fraccionadas, durante o dia, para evitar alimentos que contenham açúcar, e para comer alimentos ricos em proteínas. Para poder reduzir a quantidade de fluidos que entram no intestino delgado, regra geral aconselha-se a pessoa a não ingerir líquidos, durante as refeições. O síndrome de dumping, também pode ser controlado com medicação. Os sintomas desaparecem, geralmente, depois de 3 a 12 meses, embora possam ser permanentes.

Depois da gastrectomia, a bílis, no intestino delgado, pode refluir para a porção restante do estômago ou para o esófago, originando os sintomas de perturbação no estômago. Nestes casos, o médico pode aconselhar medicação específica, para controlar esses sintomas.

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia afecta tanto as células normais como as cancerígenas.
Os efeitos secundários da quimioterapia dependem, principalmente, dos fármacos e doses utilizadas. Em geral, os fármacos anti-cancerígenos afectam, essencialmente, células que se dividem rapidamente, como sejam:

  • Células do sangue: estas células ajudam a “combater” as infecções, ajudam o sangue a coagular, e transportam oxigénio a todas as partes do organismo. Quando as células do sangue são afectadas, havendo diminuição do seu número total em circulação, a pessoa poderá ter maior probabilidade de sofrer infecções, de fazer “nódoas-negras” (hematomas) ou sangrar facilmente, podendo, ainda, sentir-se mais fraca e cansada.
  • Células dos cabelos/pêlos: a quimioterapia pode provocar a queda do cabelo e pêlos do corpo; no entanto, este efeito é reversível e o cabelo volta a crescer, embora o cabelo novo possa apresentar cor e “textura” diferentes.
  • Células do aparelho digestivo: a quimioterapia pode causar falta de apetite, náuseas e vómitos, diarreia e feridas na boca e/ou lábios; muitos destes efeitos secundários podem ser controlados com a administração de medicamentos específicos.

Regra geral, estes efeitos desaparecem gradualmente, durante o período de recuperação entre tratamentos, ou depois de estes terminarem.

RADIOTERAPIA

Os efeitos secundários da radioterapia dependem, essencialmente, da dose e do tipo de radiação, bem como da parte do corpo que vá ser tratada. Por exemplo, se a radiação incidir no abdómen, pode provocar náuseas, vómitos e diarreia. Para aliviar estes problemas, o médico pode recomendar medicação específica, ou sugerir alterações na dieta. Adicionalmente, a pele, na área tratada, pode tornar-se vermelha, seca e sensível; como tal, deverá evitar vestir roupas justas, ou seja, vestir roupa larga, de algodão é, geralmente, o melhor. Não deverá usar qualquer creme ou loção, na região tratada, sem conselho médico.
Poderá perder o cabelo e/ou pêlos, na zona tratada.

Durante a radioterapia, poderá sentir-se muito cansado, particularmente nas últimas semanas de tratamento. O descanso é importante, mas, geralmente, o médico aconselha as pessoas a manterem-se activas, dentro do possível.

Os efeitos da radioterapia, na pele, são temporários, e a zona irá sarar, gradualmente, assim que termine o tratamento. Pode, no entanto, haver uma alteração duradoura na cor da pele.

Se tiver um efeito secundário particularmente grave, poder-lhe-á ser sugerida uma interrupção do tratamento.

IMUNOTERAPIA – TERAPÊUTICA BIOLÓGICA

Os efeitos secundários da imunoterapia variam com o tipo de tratamento. Alguns tratamentos provocam sintomas do tipo gripal, tais como arrepios, febre, fraqueza, náuseas, vómitos e diarreia. Por vezes, a pessoa apresenta uma erupção cutânea, e pode, ainda, fazer equimoses ou sangrar facilmente. Estes problemas podem ser graves, e os doentes podem ter de ficar no hospital, durante o tratamento.

Fonte:www.infocancro.com
Roche – Todos os direitos reservados.

One Comment

  1. tania replied:

    Boa Tarde!
    Minha mãe fez gastrectomia ah 4 meses, emagreceu muito e agora os cabelos estão caindo bastante, mas ela não precisou fazer quimioterapia. Pq está acontecendo a queda? o que podemos fazer?
    grata

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Trackback URI

%d bloggers like this: