Cancro da Mama

O CANCRO DA MAMA

O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres (não considerando o cancro da pele), e corresponde à segunda causa de morte por cancro, na mulher.

Em Portugal, anualmente são detectados cerca de 4500 novos casos de cancro da mama, e 1500 mulheres morrem com esta doença.

O cancro da mama é uma das doenças com maior impacto na nossa sociedade, não só por ser muito frequente, e associado a uma imagem de grande gravidade, mas também porque agride um órgão cheio de simbolismo, na maternidade e na feminilidade.

Neste capítulo, poderá encontrar informação importante sobre o cancro da mama. Serão abordadas as causas possíveis, o rastreio, sintomas, diagnóstico, tratamento, e recuperação. Contém, ainda, informação para ajudar as mulheres com cancro da mama a lidarem com a doença.

Cancro da Mama no Homem

Em Portugal, cerca de 1% de todos os cancros da mama são no homem. Grande parte da informação apresentada sobre o cancro da mama é, também, aplicável a homens com cancro da mama.

A investigação continua a esclarecer questões relacionadas com o cancro da mama: são descobertos novos dados acerca das suas causas e novos modos de prevenir, detectar e tratar esta doença. Assim, as pessoas com cancro da mama podem esperar uma melhor qualidade de vida e menor hipótese de morrer devido a esta doença.

A MAMA

A mama é uma glândula que pode produzir leite. Cada mama assenta nos músculos do peito (peitorais) que cobrem as costelas.

Cada mama encontra-se dividida em 15 a 20 secções, os chamados lobos. Os lobos contêm muitos lóbulos mais pequenos. Os lóbulos contêm grupos de pequenas glândulas que produzem leite. O leite flui dos lóbulos através de uns tubos finos, os ductos, até ao mamilo. O mamilo é o centro de uma área escura de pele, a aréola. O espaço entre os lóbulos e os ductos é preenchido com gordura.

A mama também tem vasos linfáticos, que transportam um líquido límpido – a linfa. Os vasos linfáticos terminam nuns órgãos pequenos e arredondados – os gânglios linfáticos. Encontram-se grupos de gânglios linfáticos perto da mama, nas axilas (debaixo do braço), acima da clavícula, no peito (atrás do esterno), e em muitas outras partes do corpo. Os gânglios linfáticos “prendem” e retêm bactérias, células cancerígenas, ou outras substâncias malignas, que se podem encontrar no sistema linfático. Quando as células de cancro da mama entram no sistema linfático, podem ser encontradas nos gânglios linfáticos próximo da mama (regionais).

QUEM ESTÁ EM RISCO

Não é conhecida uma causa específica para o cancro da mama

Sabemos que embates violentos na mama não provocam, por si só, cancro da mama; no entanto, é conveniente ter cuidado com as mamas. O cancro da mama não é contagioso: ninguém “apanha” a doença de outra pessoa.

A investigação tem demonstrado que há mulheres que apresentam um risco aumentado para cancro da mama, que se pensa estar associado a determinados factores de risco (factores que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver uma doença). Foram já identificados alguns factores de risco para o cancro da mama:

  • Idade: a possibilidade de ter cancro da mama aumenta com o aumento da idade; uma mulher com mais de 60 anos apresenta maior risco. O cancro da mama é menos comum antes da menopausa.
  • História pessoal de cancro da mama: uma mulher que já tenha tido cancro da mama (numa mama), tem maior risco de ter esta doença na outra mama.
  • História familiar: o risco de uma mulher ter cancro da mama está aumentado se houver história familiar de cancro da mama, ou seja, se a sua mãe, tia ou irmã tiveram cancro da mama, especialmente em idades mais jovens (antes dos 40 anos); ter outros familiares com cancro da mama, do lado materno ou paterno da família pode, também, aumentar o risco.
  • Algumas alterações da mama: algumas mulheres, apresentam células mamárias que parecem anormais, quando vistas ao microscópio; ter determinado tipo de células anormais, como sejam a hiperplasia atípica ou o carcinoma lobular in- situ , aumenta o risco de cancro da mama.
  • Alterações genéticas: alterações em certos genes (BRCA1, BRCA2, entre outros) aumentam o risco de cancro da mama; em famílias onde muitas mulheres tiveram a doença, os testes genéticos podem, por vezes, demonstrar a presença de alterações genéticas específicas. Assim sendo, em mulheres que apresentem estas alterações genéticas, podem ser sugeridas medidas para tentar reduzir o risco de cancro da mama e melhorar a detecção precoce da doença.
  • Primeira gravidez depois dos 31 anos
  • História menstrual longa: mulheres que tiveram a primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos de idade), tiveram uma menopausa tardia (após os 55 anos) ou que nunca tiveram filhos (nuliparidade), apresentam um risco aumentado.
  • Terapêutica hormonal de substituição: mulheres que tomam terapêutica hormonal para a menopausa (apenas com estrogénios ou estrogénios e progesterona), durante 5 ou mais anos após a menopausa parecem, também, apresentar maior possibilidade de desenvolver cancro da mama.
  • Raça: o cancro da mama ocorre com maior frequência em mulheres caucasianas (brancas), comparativamente a mulheres Latinas, Asiáticas ou Afro-Americanas.
  • Radioterapia no peito: mulheres que tenham feito radioterapia ao peito, incluindo as mamas, antes dos 30 anos, apresentam um risco aumentado para cancro da mama; esta situação inclui mulheres com linfoma de Hodgkin que foram tratadas com radiação – estudos publicados demonstram que, quanto mais nova era a mulher, na altura dos tratamentos com radioterapia, mais elevado é o risco de vir a ter cancro da mama.
  • Densidade da mama: mulheres mais velhas que apresentam, essencialmente, tecido denso (não gordo) numa mamografia (raio-X da mama), têm risco aumentado para cancro da mama.
  • Obesidade após a menopausa: as mulheres que são obesas, após a menopausa, apresentam um risco aumentado de desenvolver cancro da mama. A obesidade está relacionada com uma proporção anormalmente elevada de gordura corporal; tendo em conta que o corpo produz alguns estrogénios (hormona feminina) no tecido gordo é, assim, mais provável que as mulheres obesas apresentem níveis elevados de estrogénios e, consequentemente, risco aumentado para cancro da mama. Alguns estudos demonstram que o aumento de peso, após a menopausa, aumenta o risco de cancro da mama.
  • Inactividade física: mulheres que são fisicamente inactivas, durante a sua vida, parecem ter um risco aumentado para cancro da mama; estar fisicamente activa pode ajudar a diminuir este risco, através da prevenção do aumento de peso e da obesidade.
  • Bebidas alcoólicas: alguns estudos sugerem haver relação entre a maior ingestão de bebidas alcoólicas e o risco aumentado de ter cancro da mama.

Na área Sintomas, estão descritos outros factores de risco ainda em estudo.

Muitos dos factores de risco citados podem ser evitados; outros, como a história familiar, não podem ser evitados. É, no entanto, útil saber e estar consciente dos factores de risco, ainda que muitas mulheres com estes factores de risco não apresentem cancro da mama.

A maioria das mulheres que desenvolvem cancro da mama não tem história de cancro da mama na sua família; de facto, com excepção do envelhecimento, muitas mulheres com cancro da mama não apresentam fortes factores de risco para a doença.

Se pensa estar em risco de ter cancro da mama, deve discutir este facto com o médico; este pode sugerir modos de reduzir o risco e planear um calendário adequado para os exames médicos.

DETECÇÃO

Deve falar com o médico acerca do seu risco pessoal para ter cancro de mama; deve colocar questões acerca de quando começar e com que frequência deve fazer exames para despiste da doença. Estas decisões, tal como muitas outras, devem ser estabelecidas individualmente para cada pessoa.

É muito importante fazer exames de rastreio, antes de surgirem quaisquer sinais ou sintomas; só assim poderá ajudar os médicos a detectar e tratar precocemente o cancro. Se o cancro for detectado precocemente, a probabilidade do tratamento ser eficaz e bem sucedido é muito mais elevada.

O médico pode sugerir a realização de exames de rastreio do cancro da mama, antes de se desenvolverem quaisquer sintomas:

  • Auto-exame da mama
  • Mamografia de rastreio
  • Exame clínico da mama
  • Mamografia de Diagnóstico

Para a detecção precoce do cancro da mama, é recomendado que:

  • Mulheres com 40 anos ou mais, devem fazer uma mamografia (raio-X da mama) anualmente ou em cada dois anos.
  • Mulheres que apresentem um risco aumentado (relativamente à média) de ter cancro da mama, devem falar com o seu médico acerca de fazer uma mamografia antes dos 40 anos, e saber qual a frequência para as próximas.

A mamografia mostra, muitas vezes, um nódulo (ou caroço) na mama, antes que este possa ser sentido ou palpado. Pode, também, mostrar uma agregação de pequenas partículas de cálcio. As partículas chamam-se microcalcificações. Tanto os caroços como estas agregações podem ser sinais de cancro.

Na mamografia, se o médico identificar uma área anormal, pode pedir que seja repetida a mamografia. Pode, ainda, ser necessário fazer uma biópsia. A biópsia é o único processo através do qual se podem ter certezas quanto à existência de cancro. Para mais informações sobre a biópsia, pode consultar a área Diagnóstico.

A mamografia é a melhor “ferramenta” de que os médicos dispõem para descobrir o cancro em fase precoce. No entanto, saiba que:

  • A mamografia pode não detectar alguns cancros que estejam já presentes; são os chamados “falsos negativos”.
  • A mamografia pode detectar alguma coisa que, mais tarde, se verifique não ser um cancro: são os chamados “falsos positivos”.
  • Alguns tumores, de crescimento rápido, podem já se ter metastizado para outras partes do corpo, antes que a mamografia os tenha detectado.
  • A mamografia (bem como os raios-X aos dentes, e outros raios-X de rotina) usa doses muito pequenas de radiação. Regra geral, os benefícios superam os riscos, a exposição repetida aos raios-X pode ser nociva. É boa ideia a mulher falar com o seu médico sobre a necessidade de realizar cada raio-X, e perguntar sobre a utilização de protecção noutras partes do corpo, durante a realização da mamografia.

EXAME CLÍNICO DA MAMA

Durante um exame clínico da mama, o médico palpa as mamas em diferentes posições: enquanto está de pé, sentada e deitada. O médico pode pedir que levante os braços acima da cabeça, que os deixe caídos ou que faça força com as mãos contra as coxas.

O médico procura quaisquer diferenças entre as mamas, incluindo diferenças invulgares de tamanho ou forma. Na pele, é verificada a presença de vermelhidão, depressões cutâneas ou outros sinais anormais. Os mamilos devem ser pressionadas para verificar se existe alguma secreção ou perda de líquido.

O médico poderá examinar toda a mama, usando a ponta dos dedos para sentir quaisquer alterações e/ou nódulos, a área axilar e a área da clavícula, primeiro de um lado e depois do outro (esquerdo e direito), Um nódulo apresenta, geralmente, o tamanho de uma ervilha, antes que alguém o consiga sentir ou palpar. Podem ser verificados os gânglios linfáticos perto da mama, para ver se estão inchados.

Um exame clínico completo da mama, pode demorar cerca de 10 minutos a ser realizado.

AUTO-EXAME DA MAMA

O auto-exame da mama deverá ser feito mensalmente, para avaliar quaisquer alterações nas mamas. Quando faz este exame, é importante lembrar que as mamas são diferentes, de mulher para mulher, e que podem surgir alterações, devidas à idade, ao ciclo menstrual, gravidez, menopausa, ou à toma de pílulas anticoncepcionais, ou outras hormonas. É normal sentir que as mamas são um pouco irregulares, e não lisas. Também é comum que as mamas se apresentem inchadas e sensíveis, no período antes da menstruação.

Se notar algo não usual, durante o auto-exame da mama ou em qualquer outra altura, deve sempre contactar o médico, logo que possível.

A melhor altura para realizar o auto-exame da mama, é aproximadamente uma semana depois da menstruação (no fim do período menstrual). Se não tem uma menstruação regular, deverá realizar, preferencialmente, o auto-exame sempre no mesmo dia de cada mês.

Para realizar o auto-exame de forma correcta, deverá colocar-se de pé, em frente a um espelho, com os braços caídos ao longo do corpo. É importante estar relaxada e certificar-se de que pode fazer o auto-exame calmamente, sem interrupções.

  1. Compare as duas mamas, tendo em atenção a forma e o tamanho. Não é invulgar que uma mama seja maior que a outra. Verifique se as mamas apresentam nódulos ou saliências; observe se houve alguma mudança no tamanho ou aspecto das mamas (como sejam a formação de rugas ou pregas, depressões ou descamação da pele). Verifique se os mamilos estão normais (ou, pelo contrário, se estão retraídos ou escondidos). No mamilo, tente detectar a possível presença de nódulos, o aparecimento de algum tipo de secreção ou perda de líquido. Observe as mesmas características mas, agora, com os braços em diferentes posições.
  2. Levante o braço esquerdo. Examine a mama esquerda com a mão direita, pressionando com a ponta dos dedos. Palpe a mama esquerda, de forma minuciosa e calma. Comece pela extremidade exterior, realizando movimentos circulares. Palpe toda a mama. Examine, também, a área próxima da axila, passando pela clavícula, bem como a zona abaixo da mama.
  3. Pressione, suavemente, o mamilo e verifique se existe algum tipo de secreção ou perda de líquido.
  4. Repita os passos 2 e 3 mas, agora, na mama direita.
  5. Repita os passos 2 e 3 nas duas mamas, deitada. Deve deitar-se de costas, com o braço sobre a cabeça e colocando uma almofada (ou uma toalha dobrada) sob o ombro do lado da mama que vai examinar.

Esta posição é favorável a um bom exame da mama.

É importante, lembrar que o auto-exame da mama não substitui a mamografia regular de rastreio.

SINAIS E SINTOMAS

O cancro da mama pode causar alterações físicas visíveis, que devem ser observadas com atenção:

  • Qualquer alteração na mama ou no mamilo, quer no aspecto quer na palpação;
  • Qualquer nódulo ou espessamento na mama, perto da mama ou na zona da axila;
  • Sensibilidade no mamilo;
  • Alteração do tamanho ou forma da mama;
  • Retracção do mamilo (mamilo virado para dentro da mama);
  • Pele da mama, aréola ou mamilo com aspecto escamoso, vermelho ou inchado; pode apresentar saliências ou reentrâncias, de modo a parecer “casca de laranja”.
  • Secreção ou perda de líquido pelo mamilo.

Apesar dos estadios iniciais do cancro não causarem dor, se sentir dor na mama ou qualquer outro sintoma que não desapareça, deve consultar o médico. Na maioria das vezes, estes sintomas não estão associados a cancro, mas é importante ser vista pelo médico, para que qualquer problema possa ser diagnosticado e tratado atempadamente.

FORMAS DE DIAGNÓSTICO

Se tiver uma alteração na mama, o médico deverá determinar qual a sua causa (ou etiologia): pode não ser cancro. Neste caso, deverá fazer um exame físico. O médico irá fazer perguntas relacionadas com a história clínica e familiar. Se tiver realizado alguma mamografia ou outro exame imagiológico, com imagens dos tecidos internos da mama, deverá levá-los e mostrar ao médico. Depois de avaliar estes exames, o médico poderá decidir que não são necessários quaisquer exames adicionais, nem mesmo tratamento. No entanto, pode precisar de fazer uma biópsia, para verificar se na zona suspeita existem células cancerígenas.

EXAME CLÍNICO DA MAMA

O médico palpa cada uma das mamas, procurando a possível presença de nódulos ou gânglios, e verifica se há outros problemas. Se a mulher tiver um nódulo na mama, o médico deverá conseguir caracterizá-lo através da palpação (pelo tacto), sentindo o nódulo e a pele à sua volta. Na palpação, os nódulos benignos são diferentes dos cancerígenos. O médico pode verificar o tamanho, a forma, e a textura do nódulo, e sentir se este se move facilmente. Os gânglios que se apresentam macios, lisos, redondos e móveis são, provavelmente, benignos. Um nódulo duro, com forma estranha e irregular, que se sente bem preso (ou fixo) dentro da mama é, provavelmente, cancro.

MAMOGRAFIA DE DIAGNÓSTICO

A mamografia de diagnóstico é constituída por imagens de raio-X da mama, para que sejam obtidas imagens mais claras e detalhadas de qualquer área que pareça suspeita ou anormal.

ECOGRAFIA (ULTRASONOGRAFIA)

Através de ondas de som de alta-frequência, a ecografia (ultrasons) pode, frequentemente, mostrar se um nódulo é um quisto, cheio de líquido, ou uma massa sólida que pode, ou não, ser cancerígena. O médico vê estas imagens num monitor. Após o exame, as imagens podem ser impressas ou gravadas em vídeo. Este exame pode ser usado em conjunto com a mamografia, como complemento imagiológico.

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

Na ressonância magnética (RM), liga-se um potente íman a um computador, para que sejam produzidas imagens mais detalhadas dos tecidos internos da mama. O médico vê estas imagens num monitor ou pode gravá-las em filme. A RM pode ser usada em conjunto com a mamografia.

BIÓPSIA

Muitas vezes é necessário retirar tecido ou líquido da mama, para ajudar o médico a perceber se é um cancro. A este procedimento chamamos biópsia. Para efectuar uma biópsia, o médico pode recomendar uma consulta com um cirurgião ou um médico especializado em doenças da mama.

Por vezes, uma área suspeita, visível numa mamografia, não é palpável (sentida) no exame clínico da mama. O médico poderá usar aparelhos que fornecem imagens, para ver a área onde será retirado o tecido. Estes procedimentos incluem a biópsia guiada por ultra-sons, com agulha localizada ou estereotáxica.

Os médicos podem retirar células ou tecido da mama, recorrendo a diferentes métodos:

  • Aspiração com agulha fina: o médico usa uma agulha fina para remover líquido e/ou células de um nódulo na mama, que deverá ser analisado num laboratório, onde um patologista usa um microscópio para procurar células cancerígenas.
  • Biópsia “Core: o médico usa uma agulha para remover tecido mamário. Um patologista analisa o tecido, para ver se tem células cancerígenas; este procedimento é, também, chamado microbiópsia.
  • Biópsia cirúrgica: numa biópsia incisional, o cirurgião remove uma amostra de um nódulo ou de uma zona anormal. Se for uma biópsia excisional, o cirurgião remove completamente o nódulo ou a zona anormal. Posteriormente, um patologista analisa o tecido retirado, para ver se tem células cancerígenas.

Se existirem células cancerígenas, o patologista pode, então, caracterizar o tipo de cancro. O tipo de cancro da mama mais comum é o carcinoma ductal: tem início no interior dos ductos (canais de passagem do leite). Outro tipo de cancro da mama é o carcinoma lobular: tem início nos lóbulos (locais onde se forma e armazena o leite).

Se precisar de fazer uma biópsia, pode ter diversas perguntas para colocar ao médico:

  • Que tipo de biópsia vou fazer? Porquê?
  • Quanto tempo irá demorar? Estarei acordada? Vai doer? Serei anestesiada? Qual será o tipo de anestesia?
  • Quando irei saber os resultados?
  • Existem alguns riscos? Quais são as hipóteses de infecção ou sangramento, após a biópsia?
  • Se eu tiver cancro, quem irá falar comigo acerca do tratamento? Quando?

EXAMES ADICIONAIS

Se o diagnóstico for cancro, o médico poderá pedir testes laboratoriais especiais, no tecido que foi removido. Os resultados destes testes irão ajudar o médico a saber mais sobre o cancro e a planear adequadamente o tratamento.

Todas as mulheres com cancro da mama irão fazer o teste dos receptores hormonais. Esta informação é relevante para saber se o cancro necessita de hormonas (estrogénios ou progesterona) para se desenvolver. Os resultados podem condicionar a escolha e planeamento do tratamento.

Na amostra do tecido mamário deverá, também, ser analisado e pesquisado o aumento (ou sobre-expressão) do receptor-2 para o factor de crescimento epidérmico humano (HER2) – receptor existente na membrana das células tumorais, também designado gene HER2/neu . Esta alteração corresponde a um sub-tipo específico de cancro da mama, denominado cancro da mama HER2 positivo (HER2+); este aumento é detectado, nos tecidos, por uma técnica laboratorial. O cancro da mama HER2+ está associado a maior agressividade da doença. Existe uma terapêutica (com um anticorpo monoclonal) específica para as células HER2+.

O TRATAMENTO

Muitas mulheres com cancro da mama, querem saber toda a informação possível sobre a sua doença e métodos de tratamento. Querem participar nas decisões relativas ao seu estado de saúde e cuidados médicos de que necessitam. Saber mais acerca da doença, ajuda a colaborar e reagir positivamente.

O choque e o stress que se seguem a um diagnóstico de cancro da mama, podem tornar difícil pensar em todas as perguntas e dúvidas que quer esclarecer com o médico. Muitas vezes, é útil elaborar, antes da consulta, uma lista das perguntas a colocar ao médico.

O médico pode aconselhar a consulta com um médico especialista que trate cancro da mama: cirurgião, oncologista, ginecologista, radioterapeuta e cirurgião plástico. Pode ter um médico especialista para cada tipo de tratamento.

O tratamento começa, geralmente, poucas semanas após o diagnóstico de cancro da mama. Regra geral, tem tempo para falar com o médico sobre as opções de tratamento e, se considerar necessário, ouvir uma segunda opinião, para saber mais acerca do seu cancro da mama, antes de tomar qualquer decisão sobre o tratamento.

OUVIR UMA SEGUNDA OPINIÃO

Antes de começar o tratamento, pode querer ouvir uma segunda opinião, acerca do diagnóstico e das opções de tratamento. Poderá precisar de algum tempo e esforço adicional, para juntar os registos médicos (filmes das mamografias, lâminas da biópsia , relatório patológico e plano de tratamentos proposto) e marcar uma consulta com outro médico. Em geral, mesmo que demore algumas semanas até ouvir uma segunda opinião, o tratamento não se torna menos eficaz.

TRATAMENTOS DISPONÍVEIS

As mulheres com cancro da mama têm várias opções de tratamento. Estes tratamentos incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapêutica hormonal e imunoterapia.

Na maioria dos casos, o factor mais importante, na escolha do tratamento, é o estadio da doença.

Muitas mulheres recebem mais do que um tipo de tratamento. Adicionalmente, em qualquer estadio da doença podem ser administrados medicamentos para controlar a dor e outros sintomas do cancro, bem como para aliviar os possíveis efeitos secundários do tratamento. Estes tratamentos são designados como tratamentos de suporte, para controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

O tratamento para o cancro pode ser local ou sistémico:

  • Tratamento local: a cirurgia e a radioterapia são tratamentos locais: removem ou “destroem” as células do cancro na mama. Se o cancro da mama tiver metastizado para outras partes do corpo, a terapêutica local pode ser usada apenas para controlar a doença, nessa área específica, mas em mais nenhum local.
  • Tratamento sistémico: quimioterapia, terapêutica hormonal e imunoterapia; estes tratamentos “entram” na corrente sanguínea e “destroem” ou controlam o cancro, em todo o corpo. Algumas mulheres com cancro da mama podem, ainda, receber terapêutica sistémica para diminuir o tamanho do tumor, antes da cirurgia ou da radioterapia, para que a intervenção seja menos extensa – tratamento neo-adjuvante. Outras, recebem terapêutica sistémica após a cirurgia e/ou radioterapia, para prevenir que alguma célula cancerígena tenha permanecido e seja responsável pelo retorno do cancro. Os tratamentos sistémicos também são usados no cancro metastizado.

A maioria das mulheres quer saber de que forma o tratamento poderá alterar as suas actividades diárias normais, e como vai ficar a sua aparência, durante e após o tratamento. O médico é a pessoa indicada para lhe dar toda a informação relacionada com a escolha dos tratamentos, possíveis efeitos secundários e resultados esperados com o tratamento. Cada mulher deverá desenvolver, com o seu médico, um plano de tratamento que seja compatível, dentro do possível, com as suas necessidades, valores pessoais e estilo de vida.

Antes de iniciar o tratamento, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Quais as opções possíveis de tratamento? O que recomenda para o meu caso específico? Porquê?
  • Quais os benefícios esperados com cada tipo de tratamento?
  • Quais os riscos e possíveis efeitos secundários de cada tratamento?
  • Quanto irá custar o tratamento? Este tratamento estará coberto pela minha apólice de seguro?
  • Em que medida irá o tratamento afectar as minhas actividades normais?
  • No meu caso específico, seria adequada a participação num ensaio clínico?

Se não colocar todas as questões de uma vez, não fique preocupada; terá outras ocasiões para o fazer, e para pedir ao médico que lhe explique qualquer tema que não esteja claro e pedir mais informações.

CIRURGIA

No cancro da mama, a cirurgia é o tratamento mais comum. Existem vários tipos de cirurgia; o médico explicar-lhe-á cada tipo de cirurgia, analisando benefícios e riscos, e descrever o impacto físico de cada abordagem, na mulher.

  • Cirurgia conservadora: nesta cirurgia, é removido o cancro, e não a mama toda; pode ser uma tumorectomia, uma mastectomia segmentar ou uma mastectomia parcial.
    Muitas vezes o cirurgião remove, também, os gânglios linfáticos axilares, para ver se as células cancerígenas entraram já no sistema linfático. O procedimento para remover estes gânglios chama-se dissecção ou esvaziamento dos gânglios linfáticos axilares.
    Depois de uma cirurgia conservadora, a maioria das mulheres faz radioterapia, na mama operada, para destruir qualquer célula cancerígena que possa, ainda, ter ficado, depois da cirurgia.
  • Mastectomia: nesta cirurgia, é removida toda a mama. Na maioria dos casos, o cirurgião remove, também, os gânglios linfáticos axilares. Depois da cirurgia, pode fazer radioterapia.

Para o cancro da mama em estadio I e II (localizado ou localmente avançado), verificou-se que a taxa de sobrevivência é igual, para a cirurgia conservadora (com radioterapia) e mastectomia.

Existe um novo método para detecção de células cancerígenas nos gânglios linfáticos, chamado biópsia do gânglio sentinela: nesta operação, um cirurgião especialmente treinado remove apenas alguns gânglios linfáticos, em vez de remover um número muito superior de gânglios axilares, diminuindo a possibilidade de desenvolver edema linfático; o gânglio sentinela é o primeiro gânglio para onde as células cancerígenas provavelmente metastizaram sendo, por isso, chamado de gânglio “sentinela”.

Na cirurgia conservadora (mantém a mama), o cirurgião remove o tumor e algum tecido em volta; por vezes, uma biópsia excisional, onde há remoção de todo o tumor, serve como tumorectomia. Ocasionalmente pode, ainda, ser removido algum revestimento dos músculos peitorais, subjacentes ao tumor. Regra geral são removidos alguns gânglios linfáticos axilares.

Na mastectomia radical modificada, o cirurgião remove toda a mama, a maioria ou mesmo todos os gânglios linfáticos axilares e, frequentemente, o revestimento sobre os músculos torácicos.

Antes da cirurgia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de cirurgia poderá ser considerada, no meu caso específico? A cirurgia conservadora, que mantém a mama, é uma opção para mim?
  • Quais são os riscos da cirurgia?
  • Os meus gânglios linfáticos serão removidos? Quantos? Porquê? Quais as possíveis consequências da remoção dos gânglios?
  • Como me irei sentir depois da operação? Quanto tempo vou ficar hospitalizada?
  • Vou precisar de ter cuidados especiais? Como deverei tratar a minha incisão, ou cicatriz, quando for para casa?
  • Onde serão as cicatrizes? Como será o seu aspecto?
  • Se eu decidir fazer uma cirurgia plástica, para reconstrução da minha mama, como e quando poderei fazê-lo? Pode sugerir-me um cirurgião?
  • Terei que fazer exercícios especiais, para ajudar a recuperar os movimentos e ganhar força, no braço e ombro? Deverei consultar um fisioterapeuta ou uma enfermeira para me ensinarem a fazer os exercícios?
  • Quando poderei voltar à minha actividade normal? Que tipo de actividades deverei evitar?

Haverá alguém com quem eu possa falar, que tenha feito a mesma cirurgia que eu vou fazer?

Pode querer fazer uma reconstrução da mama, ou seja, uma cirurgia plástica para “refazer” a forma da mama: esta poderá ser feita em simultâneo com a mastectomia, ou mais tarde. Se considerar fazer a reconstrução da mama, pode querer falar com um cirurgião plástico, antes de fazer a mastectomia.

RADIOTERAPIA

A radioterapia, ou terapêutica por radiações, consiste na utilização de raios altamente energéticos para matar as células cancerígenas. Faz-se, geralmente, depois de uma cirurgia conservadora da mama. Por vezes, dependendo da dimensão do tumor e de outros factores, a radioterapia pode também ser usada depois da mastectomia. A radiação destrói as células do cancro da mama que possam ainda ter ficado, depois da cirurgia.

Algumas mulheres fazem radioterapia antes da cirurgia, para destruir células cancerígenas e diminuir o tamanho do tumor, ou seja, em contexto “neo-adjuvante”; esta situação é mais utilizada quando o tumor é grande ou a sua remoção por cirurgia não é fácil. Nestes casos, podem fazer apenas radioterapia (monoterapia), ou podem fazer radioterapia com quimioterapia ou terapêutica hormonal.

Para tratar o cancro da mama, os médicos usam dois tipos de radioterapia:

  • Radiação externa: a radiação provém de uma máquina. Para a radioterapia externa, a mulher com cancro da mama vai para um hospital ou clínica. Geralmente, os tratamentos são realizados durante 5 dias por semana, durante várias semanas.
  • Radiação interna (radiação por implante ou braquiterapia): a radiação provém de material radioactivo contido em finos tubos de plástico, colocados directamente na mama. Para fazer radiação por implante, a doente fica no hospital. Os implantes permanecem no local, ou seja, na mama, durante vários dias; são retirados antes de ir para casa.

Algumas mulheres com cancro da mama fazem os dois tipos de radioterapia.

Antes da radioterapia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Porque é que preciso de fazer este tratamento?
  • Quais são os benefícios, riscos e efeitos secundários deste tratamento? Irá afectar a minha pele?
  • Poderá haver efeitos a longo prazo?
  • Quando será iniciado o tratamento? Como iremos saber se o tratamento está a ser eficaz? Quando termina o tratamento?
  • Como irei sentir-me durante o tratamento? Vou conseguir deslocar-me pelos meus próprios meios para o tratamento?
  • Que cuidados deverei ter antes, durante e após a radioterapia?
  • Posso continuar com as minhas actividades normais?
  • Como será o aspecto da minha mama depois da radioterapia?
  • Qual é a possibilidade de voltar a ter cancro na mesma mama?
  • Com que frequência terei que fazer exames?

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia consiste na utilização de fármacos para matar as células cancerígenas. A quimioterapia para o cancro da mama é constituída, geralmente, por uma associação de fármacos. Os fármacos podem ser administrados oralmente, sob a forma de comprimidos, ou através de uma injecção intravenosa (i.v.), na veia. Em qualquer das situações, os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo – terapêutica sistémica.

A maioria das pessoas com cancro da mama fazem quimioterapia em regime de ambulatório (no hospital, no consultório do médico ou em casa), ou seja, não ficam internadas no hospital. No entanto, algumas podem precisar de ficar no hospital, enquanto fazem a quimioterapia.

TERAPÊUTICA HORMONAL

A terapêutica hormonal impede que as células cancerígenas “tenham acesso” às hormonas naturais do nosso organismo – estrogénios e progesterona – que necessitam para se desenvolverem. Se os testes laboratoriais demonstrarem que o cancro da mama tem receptores hormonais, ou seja, que é “positivo para os receptores hormonais”, pode fazer terapêutica hormonal. Tal como a quimioterapia, a terapêutica hormonal pode afectar as células de todo o organismo, pois tem actividade sistémica.

Na terapêutica hormonal são utilizados medicamentos; por outro lado, pode obter-se o mesmo efeito recorrendo a uma cirurgia:

  • Medicamento: o médico pode sugerir fármacos que bloqueiem a hormona natural do organismo, através do bloqueio dos receptores de estrogénios e, ainda, fármacos que impeçam o organismo de produzir a hormona feminina estradiol – estrogénio.
  • Cirurgia: se ainda não estiver na menopausa, poderá fazer uma cirurgia para remoção dos ovários; os ovários são a principal fonte de produção de estrogénios do organismo (depois da menopausa, esta produção declina naturalmente, não sendo necessária a cirurgia).

IMUNOTERAPIA

A imunoterapia, também chamada terapêutica biológica, utiliza a capacidade natural do nosso organismo para combater o cancro, através do sistema imunitário.

Tal como já foi referido, existe um sub-tipo específico de cancro da mama, denominado cancro da mama HER2 positivo (HER2+), correspondente a um aumento ou sobre-expressão do receptor HER2 existente na membrana das células tumorais. As mulheres com cancro da mama HER2+ podem ser tratadas com um anticorpo monoclonal específico para as células cancerígenas HER2+; ao bloquear os receptores HER2, este tratamento pode tornar mais lento, ou mesmo parar, o crescimento das células cancerígenas.

Antes de iniciar qualquer terapêutica sistémica, como a quimioterapia, hormonoterapia ou imunoterapia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Porque é que preciso de fazer este tratamento?
  • Que tratamentos / medicamentos vou tomar? Qual o seu efeito?
  • Se preciso de tratamento hormonal, será melhor tomar medicamentos ou fazer uma cirurgia (para remoção dos ovários)?
  • Quando irei iniciar o tratamento? Quando termina?
  • Quais os benefícios esperados do tratamento? Como vamos saber se o tratamento está a ser eficaz?
  • Quais os riscos e possíveis efeitos secundários deste tratamento? O que posso fazer relativamente a essa questão? Quais os efeitos secundários que deverei partilhar consigo? Deverei fazer um registo detalhado dos efeitos que sentir? Poderá haver efeitos secundários a longo prazo?
  • Onde irei fazer o tratamento? Serei capaz de voltar para casa pelos meus próprios meios? Vou precisar de ficar no hospital?
  • Como é que o tratamento vai afectar as minhas actividades normais?
  • Acha que seria adequado participar num ensaio clínico?
  • Que cuidados terei que ter, depois dos tratamentos?

TRATAMENTO DE ACORDO COM O ESTADIO

As opções de tratamento do cancro da mama, dependem do estadio da doença, bem como de outros factores, como sejam:

  • Dimensão do tumor, relativamente à dimensão da sua mama;
  • Resultado dos testes laboratoriais (ex.: receptores hormonais, receptores HER2);
  • Situação relativa à menopausa;
  • Estado geral de saúde da pessoa.

Em seguida, será feita uma breve descrição dos tratamentos mais frequentes em cada estadio, embora para algumas pessoas possam ser aconselhados e adequados outros tratamentos. A participação em ensaios clínicos poderá ser uma opção viável, em todos os estadios do cancro da mama.

ESTADIO 0

O estadio 0 do cancro da mama, corresponde ao carcinoma lobular in-situ ( CLIS ) ou ao carcinoma ductal in-situ ( CDIS ).

CLIS: a maioria das mulheres com CLIS não faz qualquer tratamento, que não a cirurgia. Serão apenas recomendados exames regulares, para detectar quaisquer sinais adicionais do cancro da mama. No CLIS , se os receptores hormonais forem positivos, poderá receber hormonoterapia, para diminuir o risco de desenvolver cancro da mama invasivo.

Ter um CLIS numa mama, aumenta o risco de desenvolver cancro da mama contra-lateral, ou seja, na outra mama.

CDIS: a maioria das mulheres com CDIS faz cirurgia conservadora, ou seja, que mantém a mama, seguida de radioterapia. Algumas pessoas optam por fazer uma mastectomia total. Neste caso, geralmente os gânglios linfáticos axilares não são removidos. Mulheres com CDIS com receptores hormonais positivos, podem fazer hormonoterapia, para diminuir o risco de desenvolver cancro da mama invasivo.

ESTADIOS I,II e IIIa

No tratamento do cancro da mama, nos estadios I, II ou IIIa, pode ser feita uma associação de tratamentos. Algumas mulheres, especialmente as que estejam em estadio I ou II, escolhem fazer uma cirurgia conservadora (que mantém a mama), seguida de radioterapia à mama. Outras, decidem fazer uma mastectomia. Em qualquer das abordagens são, muitas vezes, removidos os gânglios linfáticos axilares (essencialmente em mulheres com cancro da mama no estadio II ou IIIa). Se tiver receptores hormonais positivos, o médico pode sugerir que faça hormonoterapia, após a mastectomia, se tiverem sido encontradas células cancerígenas em mais de três gânglios linfáticos axilares, ou se o tumor na mama for grande.

A escolha entre fazer uma cirurgia conservadora, seguida de radioterapia, e a mastectomia, depende de vários factores:

  • Tamanho, localização e estadio do tumor
  • Tamanho da mama
  • Algumas características específicas do cancro (ex.: histologia, ou seja, tipo de células encontradas)
  • Opinião da pessoa, relativamente a conservar ou não a mama
  • Opinião da pessoa quanto à necessidade de fazer radioterapia, depois da cirurgia (se for conservada a mama)
  • Facilidade da pessoa em poder deslocar-se para fazer a radioterapia

Algumas pessoas, especialmente aquelas que tenham tumores grandes, em estadio II ou IIIa, podem fazer quimioterapia, antes da cirurgia; a este tratamento chama-se terapêutica neo-adjuvante. A quimioterapia antes da cirurgia, ou seja, neo-adjuvante, pode tornar mais pequeno um grande tumor, fazendo com que haja diminuição do seu tamanho, possibilitando fazer uma cirurgia conservadora da mama.

Após a cirurgia, muitas mulheres fazem terapêutica adjuvante, que pode ser quimioterapia, radioterapia ou terapêutica hormonal. A terapêutica adjuvante é utilizada para destruir quaisquer células cancerígenas que possam ter ficado no local do tumor, e prevenir que o cancro volte a aparecer, na mama ou noutra parte do organismo.

ESTADIOS IIIb e IIIc

No tratamento do cancro da mama em estadio IIIb, incluindo o cancro da mama inflamatório, ou em estadio IIIc faz-se, geralmente, quimioterapia.

Se a quimioterapia fizer com que o tumor diminua de tamanho, o médico pode, então, recomendar tratamento adicional:

  • Mastectomia: o cirurgião remove a mama e, geralmente, os gânglios linfáticos axilares. Depois da cirurgia, pode necessitar de fazer radioterapia, na mama e na zona axilar.
  • Cirurgia conservadora (mantém a mama): o cirurgião remove o cancro, mas não a mama. Os gânglios linfáticos axilares são, geralmente, removidos. Após a cirurgia, na maioria das vezes faz-se radioterapia, na mama e na zona axilar.
  • Radioterapia, em vez de cirurgia: por vezes faz-se radioterapia, e não cirurgia.

O médico pode, ainda, recomendar quimioterapia adicional, terapêutica hormonal ou ambas. A terapêutica sistémica, ou seja, que atinge todo o organismo (ex.: quimioterapia e hormonoterapia), pode ajudar a impedir que a doença volte a aparecer, na mama ou noutra parte do organismo.

ESTADIO IV

Na maioria dos casos, no tratamento do cancro da mama em estadio IV, faz-se terapêutica hormonal, se houver receptores hormonais positivos, quimioterapia ou ambas. Pode, ainda, fazer-se imunoterapia. A radiação pode, também, ser usada para controlo de tumores que surjam em algumas zonas do organismo. É provável que estes tratamentos não curem a doença mas, pelo menos, irão ajudar a melhorar a sintomatologia do cancro, melhorando a qualidade de vida e permitindo aumentar o tempo de vida da pessoa com cancro da mama.

Muitas pessoas recebem apenas “cuidados paliativos”, ou seja, tratamentos cujo objectivo já não é curar o cancro, mas sim tentar desacelerar a progressão da doença; estes tratamentos podem ser dados em simultâneo com outros tratamentos para o cancro. No entanto, os cuidados paliativos podem ter como objectivo o controlo dos sintomas do cancro, e melhorar a qualidade de vida da pessoa. Os cuidados paliativos podem ajudar a pessoa a sentir-se melhor, física e emocionalmente. O objectivo deste tipo de tratamento é, mais do que prolongar a vida, controlar a dor e outro tipo de sintomas associados ao cancro, bem como aliviar os efeitos secundários dos tratamentos (ex.: náuseas e vómitos).

RECIDIVA DO CANCRO DA MAMA

Considera-se que há recidiva, recorrência ou progressão do cancro da mama, quando o cancro reaparece, após tratamento. O tratamento para a recidiva depende, principalmente, da localização e extensão do cancro, bem como do tipo de tratamento que recebeu anteriormente.

Depois de uma cirurgia conservadora da mama, se houver recidiva do cancro, apenas na mama, e em mais nenhum sítio, pode fazer uma mastectomia. Há grande probabilidade da doença não voltar a surgir, noutro local do organismo.

Se houver recidiva do cancro da mama, noutras partes do organismo, o tratamento pode envolver quimioterapia, terapêutica hormonal ou imunoterapia. Nestes casos, a radioterapia pode, essencialmente, ajudar a controlar o cancro que metastiza para os ossos.

Tal como com o cancro da mama em estadio IV, o tratamento pode, muitas vezes, regredir o cancro que metastizou (ou progrediu) para fora da mama. Os cuidados paliativos são, muitas vezes, uma parte importante do plano de tratamentos. Muitas pessoas recebem cuidados paliativos para diminuir os sintomas dos tratamentos e para melhorar a qualidade de vida, através da diminuição da dor, das náuseas, vómitos e outros sintomas, claramente incomodativos no dia-a-dia de uma pessoa com cancro; adicionalmente, recebem medicação anti-cancerígena para desacelerar a progressão da doença.

ENSAIOS CLÍNICOS

Pode falar com o médico, relativamente à participação em ensaios clínicos que estejam a decorrer, ou seja, estudos de investigação de novas abordagens no tratamento do cancro e prevenção da sua recorrência. Os ensaios clínicos são uma opção importante para muitas pessoas com cancro. Existem ensaios para todos os estadios do cancro da mama. Os doentes que participam em ensaios clínicos, têm a possibilidade de, em primeira-mão, beneficiar de novos tratamentos que se mostraram promissores, nos estadios anteriores da investigação.

EFEITOS SECUNDÁRIOS DO TRATAMENTO

Tendo em consideração que, provavelmente, o tratamento do cancro danifica células e tecidos saudáveis surgem, assim, os efeitos secundários. Alguns efeitos secundários específicos dependem, principalmente, do tipo de tratamento e sua extensão (se são tratamentos locais ou sistémicos). Os efeitos secundários podem não ser os mesmos em todas as pessoas, mesmo que estejam a fazer o mesmo tratamento. Por outro lado, os efeitos secundários sentidos numa sessão de tratamento podem mudar na sessão seguinte. O médico irá explicar os possíveis efeitos secundários do tratamento, e qual a melhor forma de os controlar.

CIRURGIA

A cirurgia causa dor, a curto prazo, e “sensibilidade” aumentada, na zona da operação. Antes da cirurgia, deve falar com o médico acerca do controlo da dor. Qualquer tipo de cirurgia tem, também, algum risco de infecção, perda de sangue ou outros problemas. Se desenvolver qualquer tipo de problema, deve informar de imediato o médico.

A remoção de uma mama, ou de ambas, pode fazer com que se sinta desequilibrada, especialmente se a mama era grande; este desequilíbrio pode causar desconforto, no pescoço e nas costas. Pode, ainda, sentir a pele “repuxada”, na zona onde foi removida a mama. Os músculos do braço e ombro podem sentir-se tensos e fracos, embora estes problemas sejam, geralmente, temporários. O médico, enfermeiro ou fisioterapeuta podem recomendar alguns exercícios para que sejam readquiridos os movimentos e força, no braço e ombro do lado onde foi retirada a mama.

Tendo em conta que durante a cirurgia, os nervos podem ser cortados ou feridos, pode sentir alguma dormência e comichão no peito, axila, ombro e braço. Esta sensação desaparece, geralmente, ao fim de algumas semanas ou meses, embora em alguns casos a dormência possa nunca desaparecer.

EDEMA LINFÁTICO

A remoção dos gânglios linfáticos axilares torna mais lento o fluxo do fluido linfático, ou linfa. Este líquido pode, então, acumular-se no braço e na mão, provocando inchaço, ou edema linfático, no lado onde foram retirados os gânglios axilares. Este problema pode surgir logo após a cirurgia ou meses, e até anos, mais tarde. É preciso ser prudente e proteger o braço, e mão, do lado tratado, para o resto da vida. Como cuidados essenciais, deverá:

  • Evitar vestir roupa justa
  • Evitar utilizar jóias no braço afectado
  • Andar com a carteira ou qualquer bagagem na outra mão
  • Evitar qualquer tipo de ferida ou corte na axila, no braço ou na mão
  • Fazer análises clínicas, levar injecções e medir a tensão arterial no braço não afectado
  • Usar luvas para proteger as mãos, sempre que jardinar e quando usar detergentes mais agressivos
  • Evitar quaisquer queimaduras, mesmo as provocadas pelo sol, no braço e mão afectados

Deve perguntar ao médico o que fazer no caso de se cortar, se for picada por um insecto, se sofrer uma queimadura solar ou qualquer outra ferida, no braço e mão afectados. Deverá, ainda, contactar o médico se ferir essa mão ou braço, se houver inchaço ou se ficarem vermelhos, e/ou com uma sensação de calor local.

Em caso de edema linfático, o médico pode sugerir exercícios específicos ou outra forma de lidar com o problema. Por exemplo, algumas pessoas com edema linfático, usam uma manga elástica, para melhorar a circulação linfática. O médico pode, ainda, sugerir outras abordagens, com recurso a medicação, drenagem linfática manual (massagem), ou utilização de uma máquina que massaja suavemente o braço. Poderá ser vista por um fisioterapeuta, ou outro médico especialista.

RADIOTERAPIA

Durante a radioterapia, pode sentir-se cansada, especialmente com o avançar do tratamento. Esta sensação pode, ainda, continuar durante algum tempo após o tratamento ter terminado. O descanso é importante, mas, geralmente, o médico aconselha as pessoas a manterem-se activas, dentro do possível.

Também é comum que a pele, na zona tratada, se torne vermelha, seca, sensível e que sinta alguma comichão. Estes problemas desaparecerão com o tempo. No fim do tratamento, a pele pode apresentar um aspecto húmido. É importante expor essa zona ao ar, tanto quanto possível, para ajudar a pele a sarar.

Atenção à roupa interior: os soutiens , e outro tipo de roupa, podem roçar na pele e causar irritação; neste período, deverá usar roupa folgada de algodão. Também é importante a utilização de produtos suaves na pele; como tal, deve perguntar ao médico quais os produtos mais adequados, antes de usar quaisquer desodorizantes, loções ou cremes, na área tratada.

Os efeitos da radioterapia, na pele, são temporários, e a zona irá sarar, gradualmente, assim que termine o tratamento. Pode, no entanto, haver uma alteração duradoura na cor da pele.

QUIMIOTERAPIA

Tal como a radiação, a quimioterapia afecta tanto as células normais como as cancerígenas. Os efeitos secundários da quimioterapia dependem, principalmente, dos fármacos e doses utilizadas. Em geral, os fármacos anti-cancerígenos afectam, essencialmente, células que se dividem rapidamente, como sejam:

  • Células do sangue: estas células ajudam a “combater” as infecções, ajudam o sangue a coagular, e transportam oxigénio a todas as partes do organismo. Quando as células do sangue são afectadas, havendo diminuição do seu número total em circulação, poderá ter maior probabilidade de sofrer infecções, de fazer “nódoas-negras” (hematomas) ou sangrar facilmente, podendo, ainda, sentir-se mais fraca e cansada.
  • Células dos cabelos/pêlos: a quimioterapia pode provocar a queda do cabelo e pêlos do corpo; no entanto, este efeito é reversível e o cabelo volta a crescer, embora o cabelo novo possa apresentar cor e “textura” diferentes.
  • Células do aparelho digestivo: a quimioterapia pode causar falta de apetite, náuseas e vómitos, diarreia e feridas na boca e/ou lábios; muitos destes efeitos secundários podem ser controlados com a administração de medicamentos específicos.

Alguns fármacos anti-cancerígenos podem, ainda, afectar os ovários; se deixar de haver produção de hormonas pelos ovários, poderá apresentar sintomas de menopausa, tal como afrontamentos e secura vaginal. Os períodos menstruais podem tornar-se irregulares ou mesmo parar podendo, ainda, ficar infértil, ou seja, incapaz de engravidar. Se tiver idade igual ou superior a 35 anos, é provável que a infertilidade seja permanente; por outro lado, se permanecer fértil durante a quimioterapia, a gravidez é possível. Como não são conhecidos os efeitos secundários da quimioterapia no feto, antes de iniciar o tratamento deverá sempre falar com o médico, relativamente à utilização de métodos contraceptivos eficazes.

Os efeitos secundários de longa duração, ou seja, sentidos a longo prazo, são raros; ainda assim, verificaram-se casos em que o coração se torna mais fraco. Em pessoas que receberam quimioterapia existe, também, a possibilidade de surgirem cancros secundários, como a leucemia, ou seja, um cancro nas células do sangue.

TERAPÊUTICA HORMONAL

Os efeitos secundários da terapêutica hormonal dependem, principalmente, do próprio fármaco ou do tipo de tratamento. Nem todas as mulheres que fazem hormonoterapia apresentam efeitos secundários; em geral, estes efeitos são semelhantes a alguns sintomas da menopausa: afrontamentos e possível corrimento vaginal. Algumas mulheres apresentam períodos menstruais irregulares, dores de cabeça, fadiga, náuseas e/ou vómitos, secura vaginal ou comichão, irritação da pele em volta da vagina e erupção cutânea.

Se ainda for menstruada, durante o tratamento poderá ficar grávida, o que pode ser nocivo para o feto. Antes de iniciar o tratamento, deverá falar com o médico, relativamente à utilização de métodos anti-concepcionais eficazes.

É raro surgirem efeitos secundários graves. No entanto, pode provocar coágulos (ou trombos) de sangue nas veias, essencialmente nas pernas e nos pulmões. Num pequeno número de mulheres, alguns tratamentos com hormonoterapia podem aumentar ligeiramente o risco de enfarte do miocárdio. Podem, ainda, aumentar o risco de vir a ter cancro no endométrio, ou seja, no revestimento da parede muscular do útero. Qualquer perda anormal de sangue vaginal, deverá ser sempre comunicada ao médico; poderá ser necessário fazer um exame pélvico, ou mesmo uma biópsia, no revestimento do útero, bem como outros exames.

Se a terapêutica hormonal consistir em cirurgia, para remoção dos ovários, poderá entrar de imediato na menopausa. Neste caso, é provável que os efeitos secundários sejam mais graves, ou mais acentuados, comparativamente à menopausa natural. O médico pode sugerir um método eficaz de lidar com estes efeitos secundários.

IMUNOTERAPIA

No tratamento do cancro da mama HER2 positivo (20-30% de todos os casos de cancro da mama), existe um tratamento específico com um anticorpo monoclonal. Os efeitos secundários mais frequentes, durante o primeiro tratamento, são febre e arrepios. Outros efeitos possíveis são dor, fraqueza, náusea, vómitos, diarreia, dor de cabeça, dificuldade respiratória e erupções cutâneas. Regra geral, estes efeitos secundários tornam-se menos graves, depois do primeiro tratamento. Podem, ainda, surgir problemas cardíacos que, em alguns casos, podem levar a insuficiência cardíaca. Também os pulmões podem ser afectados, provocando problemas respiratórios que podem necessitar de cuidados médicos imediatos. Antes de iniciar o tratamento, o médico deverá verificar se apresenta problemas cardíacos ou pulmonares. Durante o tratamento, o médico deverá estar atento a sinais ou sintomas de problemas cardíacos ou respiratórios.

RECONSTRUÇÃO DA MAMA

Algumas mulheres com cancro da mama, que fazem uma mastectomia, decidem fazer a reconstrução da mama, durante a cirurgia ou mais tarde; outras preferem usar uma prótese. Outras, ainda, decidem não fazer nada. Qualquer das opções tem vantagens e desvantagens e, essencialmente, o que está bem para uma, pode não estar para outra. Cada pessoa tem várias opções. Se considerar fazer a reconstrução da mama, deve falar com um cirurgião plástico, antes da mastectomia, mesmo que a reconstrução seja feita mais tarde.

Na reconstrução da mama, podem ser usados vários procedimentos. Algumas pessoas escolhem fazer implantes, salinos ou de silicone.

A reconstrução da mama também pode ser feita com tecido retirado de outra parte do corpo: pele, músculo e gordura podem ser transferidos para o peito, a partir da barriga, costas e nádegas. O cirurgião plástico usa estes tecidos para criar, ou seja, para construir a forma da mama.

O tipo de reconstrução mamária mais indicado para cada mulher depende da idade, do tipo de corpo e do tipo de cirurgia que fez. O cirurgião plástico deverá explicar os riscos e benefícios de cada tipo de reconstrução.

Relativamente à reconstrução da mama, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Qual é a informação mais recente acerca da segurança dos implantes de silicone para a mama?
  • Que tipo de cirurgia me trará melhores resultados? Como será o meu aspecto, depois da reconstrução?
  • Quando poderei fazer a reconstrução da mama?
  • De quantas cirurgias necessitarei?
  • Quais são os riscos durante a cirurgia? E depois?
  • Ficarei com cicatrizes? Onde? Que aspecto terão?
  • Se for usada pele, músculo e gordura, de outra parte do meu corpo, ficarei com alterações permanentes, no local de onde o tecido foi removido?
  • Que actividades deverei evitar? Quando poderei voltar às minhas actividades normais?
  • Irei precisar de consultas de acompanhamento (ou follow-up )?
  • Quanto custará a reconstrução? O meu seguro irá pagar a reconstrução?

RECUPERAÇÃO

Qualquer pessoa com cancro da mama, deverá voltar às suas actividades normais logo que possível. A recuperação é diferente de pessoa para pessoa, e depende de vários factores, como o estadio da doença (se o cancro estava em fase inicial ou se já havia metastização), o tipo de tratamento efectuado, entre outros.

Fazer exercícios com o braço e ombro, após a cirurgia, pode ajudar a readquirir mobilidade e força nessas áreas; pode, ainda, ajudar a reduzir a dor e rigidez do pescoço e costas. Logo que o médico autorize, por vezes um ou dois dias após a cirurgia, pode iniciar estes exercícios especiais. O exercício deverá começar lenta e suavemente, e pode, inclusive, ser feito na cama; muitas vezes é feito sob a orientação de um fisioterapeuta. Com o passar do tempo, os exercícios podem ser mais activos e intensos. O exercício regular pode tornar-se parte da rotina diária normal. As mulheres que fizeram mastectomia, imediatamente seguida de reconstrução da mama, necessitam de exercícios especiais, que o médico irá explicar.

Muitas vezes, fazer determinados exercícios e, adicionalmente, descansar com o braço apoiado numa almofada, pode ajudar a prevenir ou reduzir o edema linfático, após a cirurgia. Poderá consultar informação adicional sobre edema linfático na área Efeitos Secundários.

APOIO AO DOENTE

O diagnóstico de cancro da mama pode mudar a vida de uma mulher e dos seus familiares. Estas alterações podem ser difíceis de gerir. É comum a mulher, a sua família e amigos sentirem diferentes emoções. Para muitas mulheres, a adaptação é mais fácil se sentirem que têm informação correcta e bons serviços de apoio.

As pessoas com cancro preocupam-se em cuidar da família, manter os seus empregos ou continuar com as actividades diárias. É, também, frequente haver preocupação relativa aos exames a efectuar, aos tratamentos, estadias no hospital e contas do médico. O médico poderá responder-lhe às questões sobre o tratamento, trabalho e outras actividades; por outro lado, poderá falar com uma assistente social ou qualquer profissional especializado, sobre os seus sentimentos ou discutir as suas preocupações. Por vezes, a assistente social sugere recursos para ajudar na recuperação, apoio emocional, ajuda financeira, transporte e cuidados ambulatórios.

Os amigos e familiares podem dar um grande apoio. Muitas pessoas consideram que é útil discutir as suas preocupações com outras que também têm cancro. As mulheres com cancro da mama reúnem-se, muitas vezes, em grupos de apoio, onde podem partilhar o que aprenderam acerca de como lidar com a doença e efeitos do tratamento. No entanto, é importante lembrar que todas as pessoas são diferentes. O modo como uma pessoa lida com a doença, pode não ser adequado para outra.

Várias organizações oferecem programas especiais a mulheres com cancro da mama. Voluntárias treinadas, que já tiveram cancro da mama, podem falar ou visitar mulheres com cancro da mama, dar informações e dar apoio emocional. Muitas vezes, partilham a sua experiência do tratamento do cancro da mama, da reabilitação e da reconstrução da mama.

Muitas mulheres que têm, ou tiveram cancro da mama, têm medo que as alterações no seu corpo, afectem não só o seu aspecto físico, mas também o modo de sentir das outras pessoas; têm receio que o cancro da mama e o seu tratamento afectem o seu relacionamento afectivo e sexual. Muitos casais acham que ajuda falar sobre as suas preocupações, e que o aconselhamento ou participação num grupo de apoio para casais, pode ser útil.

INVESTIGAÇÃO

A investigação científica levou a importantes avanços no conhecimento do cancro da mama. Muitos médicos, em Portugal, estão a realizar ensaios clínicos, em voluntários, para tentar descobrir e testar novos modos de prevenir, detectar, diagnosticar e tratar o cancro da mama. Estão, também, a ser estudados os efeitos psicológicos da doença e modos de melhorar o conforto das pessoas com cancro da mama e sua qualidade de vida.

Os ensaios clínicos são desenhados e realizados para responder a importantes questões científicas, e para descobrir se as novas abordagens são seguras e eficazes. Muitas vezes, os ensaios clínicos comparam um método ou tratamento novo, com outro largamente estudado e aceite pelos médicos.

Qualquer pessoa que participe num ensaio clínico, tem a primeira hipótese de beneficiar de novas abordagens; estará, também, a contribuir para o avanço da medicina, ao ajudar os médicos a saber mais sobre a doença.

INVESTIGAÇÃO SOBRE AS CAUSAS

Os principais riscos conhecidos para o cancro da mama estão referidos na área Sinais de Alerta. Os cientistas e investigadores estão a tentar saber mais sobre outros factores que possam aumentar o risco de cancro da mama, incluindo:

  • Dieta: algumas evidências relacionam a dieta com o aparecimento de cancro da mama; uma dieta rica em fruta e vegetais, e pobre em gordura, está associada a menor risco de cancro da mama. É necessário continuar a investigar, para perceber qual o tipo e quantidade de gordura que aumentam o risco de cancro. Estão, também, a ser estudados suplementos alimentares que possam reduzir o risco de cancro da mama.
  • Factores hormonais: para além dos factores de risco relacionados com a história menstrual e reprodutora, descritos anteriormente, estão a ser estudados outros factores hormonais, para saber como é que as hormonas, em geral e durante a gravidez, influenciam o desenvolvimento e aparecimento de cancro da mama.
  • Factores ambientais: estão a ser estudadas determinadas substâncias, presentes no ambiente, que se pensa poderem aumentar o risco de cancro da mama.
  • Exercício insuficiente: continua a ser estudado o efeito da actividade física no risco de cancro da mama.

INVESTIGAÇÃO SOBRE A PREVENÇÃO

Continuam a ser procurados e estudados fármacos que possam prevenir o aparecimento de cancro da mama.

INVESTIGAÇÃO SOBRE A DETECÇÃO E DIAGNÓSTICO

Neste momento, a mamografia continua a ser a ferramenta mais eficaz na detecção de quaisquer alterações, na mama, que possam corresponder a cancro. Está em estudo a comparação, em termos de precisão, da mamografia normal com a mamografia digital, que usa um computador, em vez de filme de raio-X para armazenar a imagem da mama; as imagens são apresentadas num monitor de computador e podem ser melhoradas (clareadas ou escurecidas). Como a imagem pode ser ajustada, o médico consegue detectar tecido anormal com maior facilidade.

Os investigadores estão, também, a explorar outras técnicas, tal como a ressonância magnética (RM) e a tomografia de emissão de positrões (PET), para produzir imagens detalhadas do tecido mamário.

Adicionalmente, continuam a ser estudados os marcadores tumorais; estas substâncias podem estar presentes, e em quantidades anormais, em pessoas com cancro. Os marcadores tumorais podem ser pesquisados no sangue ou na urina, ou mesmo no líquido da mama (liquido aspirado do mamilo). Alguns marcadores podem ser usados no seguimento de doentes com cancro da mama, para verificar qualquer sinal da doença, após o tratamento. No entanto, nenhum marcador tumoral é suficientemente credível para ser usado por rotina, na detecção do cancro da mama.

Também está em estudo a lavagem ductal. Esta técnica recolhe amostras de células dos ductos mamários; é inserido um catéter (tubo muito fino e flexível) na abertura de um ducto de leite, na superfície do mamilo. Através do catéter, é colocada dentro do ducto mamário uma solução salina. Quando a solução é retirada, contém células do interior dos ductos; estas células são analisadas, num microscópio, para avaliar se há cancro da mama ou outras alterações, que possam sugerir um risco aumentado de cancro.

INVESTIGAÇÃO SOBRE O TRATAMENTO

Os investigadores continuam a estudar a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia, a terapêutica hormonal, a imunoterapia e, adicionalmente, a associação de alguns destes tratamentos.

  • Cirurgia: diferentes tipos de cirurgia estão a ser combinados com outros tratamentos.
  • Radioterapia: os médicos estão a testar tratamentos com e sem radioterapia.
  • Quimioterapia: estão a ser testados novos fármacos anti-cancerígenos, bem como novas doses a administrar. Estão, também, a ser estudadas associações de vários fármacos, incluindo a administração antes da cirurgia, bem como novas formas de associar a quimioterapia com terapêutica hormonal e radioterapia.
  • Terapêutica hormonal: os investigadores estão a testar vários tipos de terapêutica hormonal.
  • Imunoterapia: também estão em estudo novas abordagens biológicas, como por exemplo as vacinas para o cancro, que ajudam o sistema imunitário a eliminar e matar as células cancerígenas.

Adicionalmente, continuam a ser estudadas e exploradas novas formas para atenuar os efeitos secundários do tratamento (como o edema linfático na cirurgia), para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida das pessoas com cancro. Um procedimento já estudado, e utilizado em alguns hospitais, é a biópsia do gânglio linfático sentinela; pensa-se que este procedimento possa reduzir o número de gânglios linfáticos que são removidos, durante a cirurgia.
Resumidamente, a pesquisa do gânglio sentinela é efectuada da seguinte forma: no tecido perto do tumor, é injectada uma substância radioactiva e tinta azul; estas substâncias flúem, através do sistema linfático, até ao primeiro gânglio linfático para onde as células cancerígenas provavelmente metastizaram: gânglio ou gânglios “sentinela”.
Para encontrar e detectar o gânglio sentinela, o cirurgião procura a tinta azul, e usa um scanner para localizar a substância radioactiva. Assim, o cirurgião remove apenas o gânglio ou gânglios contendo a substância radioactiva ou com tinta azul. Um patologista analisa, então, o gânglio sentinela, procurando células cancerígenas.
Se a biópsia do gânglio sentinela provar ser tão eficaz como a excisão dos gânglios linfáticos axilares, o novo procedimento poderá reduzir a hipótese de desenvolver edema linfático, após a cirurgia.

Fonte:www.infocancro.com
Roche – Todos os direitos reservados.

2 comentários

  1. Natalie replied:

    Já passei pelo cancroa da mama e fiz 4 sessões de quimio, tinha 38 anos. De momento confronto-me com bartolinites frequentes e secura vaginal intensa, levando-me mesmo a ferir a entrada vaginal. O que poderei fazer? Pois não posso tomar nada que contenha estrogênio nem hormonas.

  2. maria replied:

    Tenho uma pessoa amiga ,que tem cancro de mama já avançado. Anda a ser seguida por um homeopata, o próprio aconselhou-a a ir ao IPO. Ela recusa-se a seguir os tratamentos normais. Tenho um médico conhecido e que trabalha no IPO, ofereceu-se para ajudar ,mas ela nega qualquer tipo de ajuda. Limita-se a seguir a homeopatia ,até agora não tem melhoras e já lá vão uns meses . Estou muito preocupada.psiculógicamente ela sofre bastante sózinha tenho a certeza. Como ajudar ?

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