Cancro Colo-Renal

O CANCRO COLO-RECTAL

O cancro do cólon e/ou do recto é, também, chamado cancro colo-rectal. O cancro colo-rectal é um dos tipos de cancro mais comum nos homens (tal como o cancro da pele, próstata e pulmão) e nas mulheres (tal como o cancro da pele, pulmão e mama).

Os investigadores continuam a estudar o cancro colo-rectal, para saberem mais sobre a doença; estão a tentar descobrir as suas causas e a explorar novos modos de o prevenir, detectar e tratar.

O CÓLON E O RECTO

O cólon e o recto fazem parte do aparelho digestivo; formam um longo tubo muscular, chamado intestino grosso. O cólon é a primeira porção do intestino grosso (120 a 150 cm) e o recto a última parte (10 a 12 cm). A parte do cólon que se une ao recto, é o cólon sigmóide. A parte que se une ao intestino delgado, é o cego.

Os alimentos, parcialmente digeridos, entram no cólon, vindos do intestino delgado. No cólon, a água e os nutrientes são removidos dos alimentos e o restante é armazenado, como desperdício. Esse desperdício passa do cólon para o recto e, depois, para fora do organismo, através do ânus.

O cancro que tem início no cólon, chama-se cancro do cólon e o cancro que tem início no recto, chama-se cancro rectal. O cancro que afecte qualquer um destes órgãos pode, também, ser chamado de cancro colo-rectal.

Quando o cancro colo-rectal se dissemina, ou metastiza, para fora do cólon ou do recto, as células cancerígenas são, muitas vezes, encontradas nos gânglios linfáticos vizinhos. Se as células cancerígenas já tiverem atingido estes gânglios, é provável que se tenham disseminado, também, para outros gânglios linfáticos, ou mesmo para outros órgãos, como o fígado.

Quando o cancro metastiza, do seu local de origem para outra parte do corpo, o novo tumor tem o mesmo tipo de células “anormais” e o mesmo nome que o tumor primário. Por exemplo, se o cancro colo-rectal metastizar para o fígado, as células cancerígenas no fígado são, na verdade, células de cancro colo-rectal, agora metastizado e não cancro do fígado (ou hepático). Por essa razão, a pessoa irá receber tratamento para o cancro colo-rectal e não para cancro do fígado – os tratamentos são diferentes, consoante o tipo de tumor.

QUEM ESTÁ EM RISCO

Ninguém sabe, exactamente, quais as causas do cancro colo-rectal. Raramente o médico consegue explicar porque é que determinada pessoa desenvolve a doença e outra não. O cancro colo-rectal não é contagioso; ninguém “apanha” a doença através de outra pessoa.

A investigação, demonstrou que pessoas com determinados factores de risco, têm maior probabilidade de desenvolver cancro colo-rectal do que outras. Um factor de risco, é algo que está ligado a uma possibilidade aumentada de desenvolver a doença.

Nos estudos efectuados, foram já identificados os seguintes factores de risco para cancro colo-rectal:

  • Idade: a probabilidade de ter cancro colo-rectal aumenta com o da idade. Mais de 90% dos diagnósticos desta doença, são efectuados em pessoas com mais de 50 anos. A idade média do diagnóstico é 65 anos.
  • Pólipos colo-rectais: os pólipos são saliências do tecido da parede do cólon ou do recto. São comuns em pessoas com mais de 50 anos. A maioria dos pólipos é benigna (não cancerígena), mas alguns pólipos podem tornar-se cancerígenos (adenomas). Detectar e remover os pólipos, pode reduzir o risco de cancro colo-rectal.
  • História familiar de cancro colo-rectal: os familiares próximos (pais, irmãos ou filhos) de uma pessoa com história de cancro colo-rectal, têm maior probabilidade de desenvolver a doença, especialmente se o familiar teve a doença ainda jovem. Se muitos familiares tiverem história de cancro colo-rectal, então o risco ainda é maior.
  • Alterações genéticas: se houver alterações em determinados genes, aumenta o risco de cancro colo-rectal.

O cancro do cólon não-polipoide hereditário (HNPCC ), é o tipo de cancro hereditário, ou genético, mais comum; representa cerca de 2% de todos os casos de cancro colo-rectal e resulta numa alteração num gene. Aproximadamente 3 entre 4 pessoas, com alteração no gene HNPCC , desenvolvem cancro do cólon; a idade média do diagnóstico de cancro do cólon é 44 anos.

A polipose adenomatosa familiar (PAF) hereditária é rara e corresponde à formação de centenas de pólipos no tubo digestivo, mas sobretudo no cólon e no recto. É causada por uma alteração num gene específico, chamado APC . Se a polipose adenomatosa familiar não for tratada resulta em cancro colo-rectal, aproximadamente aos 40 anos de idade. A PAF representa menos de 1% de todos os casos de cancro colo-rectal.

Os familiares de pessoas com HNPCC ou PAF, podem fazer testes genéticos para detectar quaisquer alterações genéticas específicas; nas pessoas que tenham alterações nos seus genes, o médico pode sugerir formas de tentar reduzir o risco ou melhorar a detecção de cancro colo-rectal. Em adultos com PAF, o médico pode recomendar uma cirurgia para remover a totalidade ou parte do cólon e do recto.

  • História pessoal de cancro colo-rectal: uma pessoa que já teve cancro colo-rectal, pode voltar a desenvolver o mesmo tipo de cancro. Mulheres que tenham história de cancro dos ovários, do útero (endométrio) ou da mama, também apresentam, de alguma forma, risco aumentado de desenvolver cancro colo-rectal.
  • Doença de Crohn ou colite ulcerosa: uma pessoa que teve, durante muitos anos, uma doença que provoca inflamação do cólon, como a colite ulcerosa ou doença de Crohn , tem risco aumentado de desenvolver cancro colo-rectal.
  • Dieta: alguns estudos sugerem que uma dieta rica em gorduras, especialmente gordura animal, e pobre em cálcio, folatos e fibras, pode aumentar o risco de cancro colo-rectal. Sugerem, ainda, que pessoas com uma dieta muito pobre em fruta e vegetais, podem ter risco aumentado de cancro colo-rectal. É necessário continuar a investigar de que forma a dieta afecta o risco de cancro colo-rectal.
  • Fumar cigarros: uma pessoa que fume cigarros, pode ter risco aumentado de desenvolver pólipos e cancro colo-rectal.

Se pensa que pode apresentar risco aumentado para ter cancro, deverá discutir essa preocupação com o médico; poderá saber como reduzir o risco e qual será o calendário ideal para fazer exames regulares.

SINTOMAS DE ALERTA

Os sintomas mais comuns do cancro colo-rectal, são:

  • Alteração dos hábitos intestinais.
  • Diarreia, obstipação ou sensação de que o intestino não esvazia completamente.
  • Sangue (vermelho vivo ou muito escuro) nas fezes.
  • Fezes menores do que o habitual.
  • Desconforto abdominal generalizado (dores de gases, inchaço, enfartamento e/ou cãibras).
  • Perda de peso inexplicada.
  • Cansaço constante.
  • Náuseas e vómitos.

Na maioria das vezes, estes sintomas não estão relacionados com um cancro, e podem, ainda, ser provocados por tumores benignos ou outros problemas. Só o médico poderá confirmar. Qualquer pessoa com estes sintomas ou quaisquer outras alterações de saúde relevantes, deve consultar o médico, para diagnosticar e tratar o problema tão cedo quanto possível.

Geralmente, as fases iniciais do cancro não causam dor. Se tem estes sintomas, não espere até ter dor para consultar o médico.

FORMAS DE DETECÇÃO

O rastreio do cancro, antes de haver sintomas, pode ajudar o médico a encontrar e tratar, precocemente, pólipos, ou mesmo algum tumor. Detectar e remover quaisquer pólipos existentes pode prevenir o cancro colo-rectal. Adicionalmente, se a doença for detectada em estadio precoce, é mais provável que o tratamento seja eficaz.

Existem medidas eficazes para detectar pólipos, ou mesmo cancro colo-rectal, em fase inicial:

  • Pessoas com idade igual ou superior a 50 anos devem fazer rastreio, mesmo que não tenham factores de risco..
  • Se apresentar risco mais elevado do que a média, para ter cancro colo-rectal, deve falar com o médico, relativamente a fazer exames de rastreio antes dos 50 anos; deverá saber quais os exames a fazer, incluindo benefícios e riscos de cada um e qual a frequência das consultas médicas.

Para detectar pólipos, tumores ou outras situações anómalas, no cólon e no recto, são usados os seguintes testes de rastreio:

  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSQF): por vezes, o tumor ou os pólipos sangram, e através desta pesquisa (PSQF), podem ser detectadas pequenas quantidades de sangue nas fezes. Se nesta análise for detectado sangue, serão necessários testes adicionais para encontrar a origem do sangue. Há situações benignas, como as hemorróidas, que podem provocar sangue nas fezes.
  • Sigmoidoscopia: neste exame, o médico observa o interior do recto e do cólon descendente, com um tubo iluminado, chamado sigmoidoscópio. Se detectar pólipos, estes serão removidos. O procedimento para remoção de pólipos chama-se polipectomia.
  • Colonoscopia: o médico observa o interior do recto e da totalidade do cólon, usando um longo tubo iluminado, chamado colonoscópio. Quaisquer pólipos que sejam detectados, serão removidos pelo médico.
  • Clister opaco com duplo-contraste: este procedimento envolve vários raios-X do cólon e do recto. É dado, ao doente, um clister com uma solução de bário e é bombeado ar para dentro do recto. O bário e o ar delimitam o cólon e o recto nas imagens de raios-X. Podem aparecer pólipos na radiografia.
  • Toque rectal: um exame como o toque rectal faz, geralmente, parte do exame físico de rotina. O médico, depois de colocar umas luvas, introduz um dedo lubrificado no recto, para detectar zonas anómalas na parte inferior do recto.

O médico pode explicar-lhe, de forma mais detalhada, cada teste.

Relativamente ao rastreio, poderá querer colocar ao seu médico algumas das seguintes questões:

  • Que exames me recomenda fazer? Porquê?
  • Quanto custam os exames médicos? Será que o meu seguro médico vai comparticipar os exames de rastreio?
  • Os exames fazem doer?
  • Quanto tempo depois de fazer os exames saberei os resultados?

FORMAS DE DIAGNÓSTICO

Se apresentar quaisquer sinais ou sintomas de cancro colo-rectal, o médico deverá confirmar se são provocados por um tumor ou por qualquer outra causa. O médico irá fazer algumas perguntas relacionadas com a história clínica e familiar, bem como fazer um exame físico. Pode ainda, pedir análises, raios-X ou outros exames.

Se o exame físico e os resultados dos testes não sugerirem a presença de um tumor, o médico poderá decidir que não é necessário fazer mais testes, nem qualquer tratamento. No entanto, o médico pode recomendar um calendário para fazer novos exames.

Se os testes demonstrarem uma zona anómala como, por exemplo, um pólipo, pode ser necessário proceder a uma biópsia para detecção de células cancerígenas. Muitas vezes, o tecido anómalo é removido durante a colonoscopia ou a sigmoidoscopia; o tecido é, depois, analisado ao microscópio, por um patologista.

Antes de fazer uma biópsia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Como será feita a biópsia?
  • Terei de ir ao hospital para fazer a biópsia?
  • Quanto tempo vai levar? Estarei acordado? Vai doer?
  • Tem riscos? Quais são probabilidades de infecção ou de hemorragia, depois da biópsia?
  • Quanto tempo demora a recuperação? Quando poderei fazer uma dieta normal?
  • Quando saberei os resultados?
  • Se eu tiver cancro, quem vai falar comigo acerca dos passos seguintes? Quando?

TESTES E ESTADIAMENTO

Se a biópsia comprovar a existência de um cancro, o médico precisa de saber qual a extensão (estadio) da doença, para melhor planear o tratamento. O estadio da doença, está relacionado com o facto do tumor ter, ou não, invadido os tecidos vizinhos, e de se ter disseminado para outras partes do corpo. O estadiamento pode envolver alguns dos seguintes testes e procedimentos:

Análises sanguíneas: o médico pede análises, para saber se o antigénio carcino-embriónico (CEA), bem como outras substâncias específicas, são detectadas no sangue. Algumas pessoas com cancro colo-rectal, ou outras doenças, apresentam um nível elevado de CEA .

Colonoscopia: se a colonoscopia não foi realizada para o diagnóstico, o médico observa, agora, toda a extensão do cólon e do recto, com um colonoscópio, para detectar outras possíveis zonas anómalas.

Ecografia endorectal: é inserida uma sonda no recto; esta sonda envia ondas sonoras, não audíveis pelas pessoas. As ondas são reflectidas pelo recto e pelos tecidos circundantes e um computador usa os ecos para criar uma imagem. A imagem (ecografia), mostra a profundidade do crescimento do tumor rectal ou se este metastizou para os gânglios linfáticos ou para outros tecidos.

Radiografia ao tórax: o raio-X do tórax, pode demonstrar se o tumor se metastizou para os pulmões.

TAC: através de uma máquina de raio-X, ligada a um computador, é feita uma série de imagens pormenorizadas, de zonas dentro do organismo. A pessoa pode fazer uma injecção de corante. Os tumores no fígado, nos pulmões ou noutro local, aparecem na TAC.

O médico também pode usar outros exames como, por exemplo, a ressonância magnética – RM, para perceber se o cancro se disseminou. Por vezes, o estadiamento não está terminado, até que a pessoa faça uma cirurgia para remoção do tumor (a cirurgia para o cancro colo-rectal, está descrita na área Tratamento).

O médico classifica o cancro colo-rectal através dos seguintes estadios:

  • Estadio 0: o tumor encontra-se, apenas, no revestimento interior do cólon e do recto. Carcinoma in-situ é outra designação dada ao estadio 0 do cancro colo-rectal.
  • Estadio I: o tumor desenvolveu-se para dentro da parede do cólon e do recto. No entanto, não atingiu a parede exterior do cólon, nem passou para o exterior do cólon . Duke’s A é outro nome para o estadio I do cancro colo-rectal.
  • Estadio II: o tumor desenvolveu-se mais profundamente para o interior da parede do cólon ou através da parede do cólon ou do recto. Pode ter invadido tecidos circundantes, mas as células cancerígenas não chegaram aos gânglios linfáticos. Duke’s B é outro nome para o estadio II do cancro colo-rectal.
  • Estadio III: o tumor já atingiu os gânglios linfáticos vizinhos, mas não chegou a outras partes do corpo. Duke’s C é outro nome para o estadio III do cancro colo-rectal.
  • Estadio IV: o tumor já metastizou para outras partes do corpo como, por exemplo, o fígado ou os pulmões. Duke’s D é outro nome para o estadio IV do cancro colo-rectal.
  • Recidiva do cancro: esta situação corresponde a um tumor que foi tratado e que voltou passado um tempo. A recidiva pode surgir no cólon, no recto ou noutra parte do organismo.

TRATAMENTO

Muitas pessoas com cancro colo-rectal, querem saber toda a informação possível sobre a sua doença e métodos de tratamento; querem participar nas decisões relativas ao seu estado de saúde e cuidados médicos de que necessitam. Saber mais acerca da doença, ajuda a colaborar e reagir positivamente. No entanto, o choque e o stress que se seguem a um diagnóstico de cancro, podem tornar difícil pensar em todas as perguntas e dúvidas que quer esclarecer com o médico. Muitas vezes, é útil elaborar, antes da consulta, uma lista das perguntas a colocar ao médico.

O médico pode aconselhar a consulta com um médico especialista em cancro colo-rectal. O cancro pode ser tratado por diferentes especialistas, como sejam: gastrenterologista (trata doenças do aparelho gastrointestinal), cirurgião, oncologista e radioterapeuta. Pode ter um médico especialista diferente, para cada tipo de tratamento que vá fazer.

O tratamento começa, geralmente, poucas semanas após o diagnóstico de cancro. Regra geral, tem tempo para falar com o médico sobre as opções de tratamento e, se considerar necessário, ouvir uma segunda opinião para saber mais acerca do seu cancro antes de tomar qualquer decisão sobre o tratamento.

OUVIR UMA SEGUNDA OPINIÃO

Antes de iniciar o tratamento, pode querer ouvir uma segunda opinião, acerca do diagnóstico e das opções de tratamento. Poderá precisar de algum tempo e esforço adicional, para juntar todos os registos médicos (exames imagiológicos, lâminas da biópsia, relatório patológico e plano de tratamentos proposto) e marcar uma consulta com outro médico. Em geral, mesmo que demore algumas semanas, até ouvir uma segunda opinião, o tratamento não se torna menos eficaz. No entanto, há situações em que é necessário fazer tratamento imediato; é importante referir este possível atraso ao médico.

PREPARAÇÃO PARA O TRATAMENTO

Para cada caso de cancro colo-rectal, o médico irá desenvolver um plano de tratamentos, que vá de encontro às necessidades específicas de cada pessoa. O tratamento do cancro colo-rectal depende, principalmente, da localização do tumor, no cólon ou no recto, e do estadio da doença. O médico poderá falar consigo sobre as possíveis escolhas de tratamento, e resultados esperados.

Antes de iniciar o tratamento, poderá querer colocar algumas questões ao seu médico:

  • Qual é o estadio da minha doença?
  • Quais são as minhas escolhas de tratamento? Qual me recomenda? Farei mais de um tipo de tratamento?
  • Quais são os benefícios esperados de cada tipo de tratamento?
  • Quais são os riscos e os possíveis efeitos secundários de cada tratamento? Como poderei controlar os efeitos secundários?
  • Como irá o tratamento afectar as minhas actividades normais? Será provável que eu venha a ter problemas urinários? E problemas de intestinos, como diarreia ou perdas de sangue rectal? Será que o tratamento vai afectar a minha vida sexual?
  • Quanto custará o tratamento? O meu seguro cobrirá este tratamento?
  • Será adequado ao meu caso, a participação num ensaio clínico (estudo de investigação)?

Não precisa de fazer todas as perguntas de uma vez; terá outras oportunidades, para pedir ao médico que explique a informação que não ficou clara, e pedir esclarecimentos adicionais.

MÉTODOS DE TRATAMENTO

O tratamento do cancro colo-rectal pode envolver cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Algumas pessoas fazem uma combinação de tratamentos.

O cancro do cólon é, por vezes, tratado de modo diferente do cancro do recto. Os tratamentos para o cancro do cólon e do recto serão descritos em separado.

Em qualquer estadio do cancro colo-rectal, podem ser administrados medicamentos para controlar a dor e outros sintomas do cancro, bem como para aliviar os possíveis efeitos secundários do tratamento. Estes tratamentos são designados como tratamentos de suporte, para controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

Poderá perguntar ao médico sobre a possibilidade de participar num ensaio clínico, ou seja, num estudo de investigação de novos métodos de tratamento. No tópico “Investigação Sobre o Cancro”, poderá encontrar mais informação sobre os ensaios clínicos actualmente a decorrer.

CIRURGIA

A cirurgia é o método mais comum para o tratamento do cancro colo-rectal. É um tipo de tratamento local: trata o cancro, no cólon e no recto e na zona perto do tumor.

Um pequeno pólipo maligno, pode ser removido do cólon ou da zona superior do recto, com um colonoscópio. Alguns pequenos tumores, na porção inferior do recto, podem ser removidos, através do ânus, com um colonoscópio.

Para um cancro maior, o cirurgião faz uma incisão no abdómen, para remover o tumor e uma parte saudável do cólon ou recto, para ter margens de segurança. Também podem ser removidos alguns gânglios linfáticos vizinhos. O cirurgião verifica o resto do intestino e o fígado, para ver se o cancro está metastizado.

Quando uma porção do cólon ou do recto é removida, o cirurgião pode, geralmente, ligar as partes saudáveis. No entanto, por vezes esta ligação não é possível; neste caso, o cirurgião cria uma nova “via”, por onde as fezes serão eliminadas do organismo. O cirurgião cria uma abertura, ou estoma, na parede do abdómen; liga a extremidade superior do intestino ao estoma e fecha a outra extremidade. A operação, para criação de um estoma, chama-se colostomia. Prende-se, com um adesivo especial, e coloca-se um saco junto ao estoma, para recolher as fezes.

Para a maioria das pessoas, a colostomia é temporária. É apenas necessária até que o cólon ou o recto cicatrizem da cirurgia. Após a recuperação, o cirurgião volta a ligar as partes do intestino e fecha o estoma. Algumas pessoas, especialmente aquelas que apresentavam um tumor na parte inferior do recto, necessitam de uma colostomia permanente. Nos tópicos “Efeitos secundários do tratamento” e “Reabilitação”, encontrará mais informação sobre a colostomia.

Antes da cirurgia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de operação me recomenda?
  • Vou precisar de fazer remoção de alguns gânglios linfáticos? Serão removidos outros tecidos? Porquê?
  • Quais são os riscos da operação? Vou ter efeitos secundários de longa duração?
  • Vou ter que fazer uma colostomia? Se assim for, esta vai ser permanente?
  • Como vou sentir-me depois?
  • Se tiver dor, como é que vai ser controlada?
  • Quanto tempo vou ter que permanecer no hospital?
  • Quando poderei voltar às minhas actividades normais?

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia consiste na utilização de fármacos, para matar as células cancerígenas. A quimioterapia pode ser constituída apenas por um fármaco ou por uma associação de fármacos. Os fármacos podem ser administrados oralmente, sob a forma de comprimidos, ou através de uma injecção intravenosa (i.v.), na veia. Em qualquer das situações, os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo: é a chamada terapêutica sistémica.

A quimioterapia é, geralmente, administrada por ciclos de tratamento, repetidos de acordo com uma regularidade específica, de situação para situação. O tratamento pode ser feito durante um ou mais dias; existe, depois, um período de descanso, para recuperação, que pode ser de vários dias ou mesmo semanas, antes de fazer a próxima sessão de tratamento.

A maioria das pessoas com cancro, faz a quimioterapia em regime de ambulatório (no hospital, no consultório do médico ou em casa), ou seja, não ficam internadas no hospital. No entanto, algumas pessoas podem precisar de ficar no hospital, internadas, enquanto fazem a quimioterapia.

A pessoa pode fazer apenas quimioterapia, quimioterapia antes ou depois da cirurgia, radioterapia ou ambas.

Quando a quimioterapia é administrada antes da cirurgia, é chamada de terapêutica neo-adjuvante; o objectivo é diminuir o tamanho do tumor.

A quimioterapia administrada logo após a cirurgia, é chamada de terapêutica adjuvante; o objectivo é destruir quaisquer células cancerígenas remanescentes e prevenir uma recidiva do tumor, no cólon, no recto ou noutro local.

A quimioterapia também é usada para tratar pessoas com doença avançada e, neste caso, o intuito é apenas paliativo, ou seja, para controlar a doença e/ou sua sintomatologia.

Antes de iniciar a quimioterapia, poderá colocar algumas questões ao seu médico:

  • Porque é que preciso deste tratamento?
  • Que fármaco, ou fármacos, me vão ser administrados?
  • Como funcionam os fármacos?
  • Quais são os benefícios esperados do tratamento?
  • Quais são os riscos e possíveis efeitos secundários do tratamento? O que poderá ser feito para minimizá-los?
  • Quando terá início o tratamento? Quando termina?
  • Como irá o tratamento afectar as minhas actividades normais?

RADIOTERAPIA

A radioterapia é um tratamento local e, como tal, afecta apenas as células cancerígenas na zona tratada; usa raios de elevada energia, para matar as células cancerígenas. O médico pode usar vários tipos de radioterapia.

Em determinadas situações, pode ser administrada uma combinação de diferentes tratamentos com radioterapia:

  • Radiação externa: a radiação provém de uma máquina. Para este tratamento, a maioria das pessoas vai ao hospital ou clínica. Geralmente, os tratamentos são realizados durante 5 dias por semana, durante várias semanas. Em alguns casos, é administrada radioterapia externa, durante a cirurgia.
  • Radiação interna (radiação por implante ou braquiterapia): a radiação provém de material radioactivo contido em sementes, agulhas ou finos tubos de plástico, que são colocados directamente no local do tumor ou perto. Para fazer radiação por implante o doente fica, regra geral, internado no hospital. Os implantes permanecem no local durante vários dias; são retirados antes de ir para casa.

Antes de iniciar a radioterapia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Porque é que preciso deste tratamento?
  • Quais são os riscos e os efeitos secundários deste tratamento?
  • Existem efeitos a longo prazo?
  • Quando têm início os tratamentos? Quando terminam?
  • Como me vou sentir durante o tratamento?
  • O que poderei fazer para cuidar de mim, durante o tratamento?
  • Poderei continuar com as minhas actividades normais?

TRATAMENTO PARA O CANCRO DO CÓLON

Grande parte das pessoas com cancro do cólon, é tratada com cirurgia. Algumas pessoas fazem ambos os tratamentos: cirurgia e quimioterapia. Em pessoas com cancro do cólon, raramente é necessária a colostomia.

Apesar da radioterapia não ser muito usada no tratamento do cancro do cólon é, por vezes, usada com intuito paliativo, ou seja, para aliviar as dores e outros sintomas.

TRATAMENTO PARA O CANCRO DO RECTO

Em todas as fases do cancro rectal, a cirurgia é o tratamento mais comum. Alguns doentes fazem cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Cerca de 1, em cada 8 pessoas, precisa de uma colostomia permanente.

A radioterapia pode ser usada antes e depois da cirurgia. Algumas pessoas fazem-na antes da cirurgia, para diminuir o tumor e outras fazem-na depois da cirurgia, para matar possíveis células cancerígenas que tenham permanecido na região. Em alguns hospitais, a pessoa pode fazer radioterapia, durante a cirurgia: radioterapia intra-operatória. Também poderá ser feita radioterapia paliativa, para alívio das dores e de outros problemas, causados pelo cancro.

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSIVEIS

Tendo em conta que, provavelmente, o tratamento do cancro danifica células e tecidos saudáveis surgem, assim, os efeitos secundários. Alguns efeitos secundários específicos dependem, principalmente, do tipo de tratamento e sua extensão (se são tratamentos locais ou sistémicos). Os efeitos secundários podem não ser os mesmos em todas as pessoas, mesmo que estejam a fazer o mesmo tratamento. Por outro lado, os efeitos secundários sentidos numa sessão de tratamento podem mudar na sessão seguinte. O médico irá explicar os possíveis efeitos secundários do tratamento e qual a melhor forma de os controlar.

CIRURGIA

Os efeitos secundários da cirurgia dependem, essencialmente, do tamanho e localização do tumor, bem como do tipo de operação. O tempo necessário para a recuperação é diferente de pessoa para pessoa.

A maioria das pessoas sente algum desconforto nos dias seguintes à cirurgia. No entanto, já há formas de controlar a dor. Antes da cirurgia deverá perguntar ao médico qual a melhor forma de aliviar a dor. A medicação para a dor (ex.: analgésicos) pode ser ajustada.

É normal sentir-se cansado ou fraco durante algum tempo. A cirurgia também pode causar obstipação ou diarreia. A equipa médica deverá fazer a monitorização da pessoa, para detectar possíveis sinais de hemorragia, infecção ou outros problemas, que necessitem de tratamento imediato.

As pessoas que façam uma colostomia podem ter irritação da pele em volta do estoma. O médico ou a enfermeira, deverão ensinar a limpar a região e a prevenir a irritação e infecção. Na área Reabilitação encontrará mais informação sobre a forma de cuidar do estoma.

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia afecta tanto as células normais como as cancerígenas.

Os efeitos secundários da quimioterapia dependem, principalmente, dos fármacos e doses utilizadas. Em geral, os fármacos anti-cancerígenos afectam, essencialmente, células que se dividem rapidamente, como sejam:

  • Células do sangue: estas células ajudam a “combater” as infecções, ajudam o sangue a coagular e transportam oxigénio a todas as partes do organismo. Quando as células do sangue são afectadas, havendo diminuição do seu número total em circulação, a pessoa poderá ter maior probabilidade de sofrer infecções, de fazer “nódoas-negras” (hematomas) ou sangrar facilmente, podendo, ainda, sentir-se mais fraca e cansada.
  • Células dos cabelos/pêlos: a quimioterapia pode provocar a queda do cabelo e pêlos do corpo. No entanto, este efeito é reversível e o cabelo volta a crescer, embora o cabelo novo possa apresentar cor e “textura” diferentes.
  • Células do aparelho digestivo: a quimioterapia pode causar falta de apetite, náuseas e vómitos, diarreia e feridas na boca e/ou lábios; muitos destes efeitos secundários podem ser controlados com a administração de medicamentos específicos.

RADIOTERAPIA

Os efeitos secundários da radioterapia dependem, essencialmente, da dose e do tipo de radiação, bem como da parte do corpo que vá ser tratada. Por exemplo, se a radiação incidir no abdómen e pélvis, pode provocar náuseas, vómitos, diarreia, sangue nas fezes, incontinência fecal e desconforto ao urinar. Adicionalmente, a pele, na área tratada, pode tornar-se vermelha, seca e sensível. Poderá, também, perder o cabelo e/ou pêlos da zona tratada.

Durante a radioterapia, poderá sentir-se muito cansado, particularmente nas últimas semanas de tratamento. O descanso é importante, mas, geralmente, o médico aconselha as pessoas a manterem-se activas, dentro do possível.

Os efeitos da radioterapia, na pele, são temporários, e a zona irá sarar, gradualmente, assim que termine o tratamento. Pode, no entanto, haver uma alteração duradoura na cor da pele.

Se tiver um efeito secundário particularmente grave, poder-lhe-á ser sugerida uma interrupção do tratamento.

REABILITAÇÃO

A reabilitação é uma parte importante dos cuidados a ter numa situação de cancro. A equipa de profissionais de saúde, fará todos os esforços para ajudar a voltar às actividades normais, logo que possível.

Uma pessoa com um estoma, precisa de ter cuidados adicionais. O médico, o cirurgião e o pessoal de enfermagem podem ajudar. Muitas vezes, antes da cirurgia, o cirurgião explica o que vai acontecer e, logo após a cirurgia, ensina a pessoa a cuidar do estoma. Deverão ser abordadas questões práticas relativas ao estilo de vida, incluindo preocupações emocionais, físicas e sexuais. Frequentemente, é aconselhado o recurso a grupos de apoio.

Fonte:www.infocancro.com
Roche – Todos os direitos reservados.

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