Cancro do Útero

O CANCRO DO ÚTERO

Em Portugal, o cancro no útero é o mais comum, considerando os tumores do sistema reprodutor feminino; representa cerca de 6% de todos os cancros nas mulheres.

A investigação constante, numa área de intervenção tão importante como o cancro no útero é, inquestionavelmente, necessária; cada vez se sabe mais sobre as suas causas, sobre a forma como se desenvolve e cresce, ou seja, como progride. Estão, também, a ser estudadas novas formas de o prevenir, detectar e tratar, tendo sempre em atenção a melhoria da qualidade de vida das pessoas com cancro, durante e após o tratamento, bem como a diminuição da probabilidade de morte por cancro no útero.

O ÚTERO

O útero é uma parte do sistema reprodutor da mulher. É um órgão oco, em forma de pêra, onde os bebés crescem. O útero encontra-se na pélvis, entre a bexiga e o recto.

A porção estreita e inferior do útero é o colo ou cérvix. A zona intermédia, mais larga, do útero, é o corpo. O topo, de forma abobadada, é o fundo. As Trompas de Falópio estendem-se de cada lado do topo do útero, até aos ovários.

A parede do útero tem duas camadas de tecido: uma camada interna, ou de revestimento, chamada endométrio, e uma camada muscular externa, o miométrio.

Em mulheres em idade fértil, ou seja, que possam engravidar, todos os meses a parede do útero aumenta de volume e torna-se mais espessa, como forma de se preparar para uma possível gravidez. Se a mulher não engravidar, esse espessamento “adicional” e sanguíneo flúi, para fora do organismo, através da vagina: menstruação ou período menstrual.

Estados benignos do útero :

  • Fibromiomas: tumores benignos comuns, que crescem no músculo do útero. Aparecem, principalmente, em mulheres com idade entre os 40 e os 50 anos. Uma mulher pode ter vários fibromiomas ao mesmo tempo. Os fibromiomas não se desenvolvem para cancro. Quando a mulher atinge a menopausa, é provável que os fibromiomas diminuam de tamanho chegando, por vezes, a desaparecer.
    Geralmente, os fibromiomas não provocam sintomas e não necessitam de tratamento. No entanto, dependendo do tamanho e localização, os fibromiomas podem causar perdas de sangue, corrimento vaginal e aumento da frequência em urinar. Se surgirem estes sintomas, deve consultar o médico. Se os fibromiomas provocarem uma grande perda de sangue, ou se estiverem a pressionar algum órgão vizinho e a causar dor, o médico pode sugerir uma cirurgia ou outro tratamento.
  • Endometriose: outra condição benigna que afecta o útero. É mais comum nas mulheres com idade entre os 30 e os 50 anos, especialmente se nunca estiveram grávidas. Surge quando o tecido endometrial começa a crescer para fora do útero e para os órgãos vizinhos. Esta situação pode causar períodos menstruais dolorosos, perdas de sangue vaginal anormais e, por vezes, perda da fertilidade (capacidade de engravidar); no entanto, não provoca cancro. Uma pessoa com endometriose pode ser tratada com hormonas ou com cirurgia.
  • Hiperplasia endometrial: aumento do número de células, no revestimento do útero. Não corresponde a cancro embora, por vezes, possa evoluir para cancro. Alguns sintomas comuns de hiperplasia são períodos menstruais longos, perdas de sangue entre as menstruações e perdas de sangue após a menopausa. É mais comum depois dos 40 anos.

Para prevenir que a hiperplasia endometrial evolua para cancro, o médico pode recomendar uma cirurgia para remover o útero (histerectomia) ou o tratamento com hormonas (progesterona), bem como exames regulares de acompanhamento.

Quando o tumor do útero se espalha, ou seja, metastiza para fora do útero, as células cancerígenas são, muitas vezes, encontradas nos gânglios linfáticos vizinhos, nos nervos ou nos vasos sanguíneos. Se o cancro já estiver disseminado nos gânglios linfáticos pode, também, ter metastizado para outros gânglios linfáticos, mais distantes, ou mesmo para outros órgãos, como os pulmões, o fígado e os ossos.

Quando o cancro metastiza, o novo tumor tem o mesmo tipo de células anormais do tumor primário. Por exemplo, se o cancro no útero metastizar para os pulmões, as células cancerígenas nos pulmões serão células de cancro uterino; neste caso, estamos perante um cancro uterino metastizado, e não um tumor do pulmão, devendo ser tratado como tal.

O tipo de cancro no útero mais comum, tem origem no revestimento do útero, ou seja, no endométrio; é designado por tumor endometrial, tumor uterino ou cancro do útero. Um outro tipo diferente de cancro, também no útero, é o sarcoma uterino; desenvolve-se no músculo, isto é, no miométrio. Existe, ainda, um tipo de tumor que tem início no colo do útero, também designado por cancro do colo do útero ou cancro do cérvix.

QUEM ESTÁ EM RISCO

Ninguém sabe as causas exactas do cancro no útero. Muitas vezes, o médico não consegue explicar porque é que uma pessoa desenvolve cancro e outra não. No entanto, a investigação demonstra que determinados factores de risco aumentam a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver cancro.

A maioria das mulheres que têm factores de risco conhecidos, não adquirem a doença. Por outro lado, muitas das mulheres que contraem a doença não têm qualquer destes factores. Os médicos raramente conseguem explicar a razão de uma mulher ter cancro do útero.

Globalmente, os factores de risco mais comuns, para o cancro no útero são, em seguida, apresentados:

  • Idade: o cancro no útero surge, principalmente, em mulheres com mais de 50 anos.
  • Hiperplasia endometrial: o risco de cancro no útero é mais elevado se a mulher tiver uma hiperplasia endometrial.
  • Terapêutica hormonal de substituição: é usada para controlar os sintomas da menopausa, para prevenir a osteoporose (fragilidade óssea), e para reduzir o risco de doença cardíaca ou enfarte.
    Mulheres que usam estrogénios, sem progesterona, apresentam um risco aumentado para ter cancro no útero. As doses elevadas de estrogénios e o seu uso prolongado, parecem aumentar esse risco. Pessoas que usam uma combinação de estrogénios e progesterona, apresentam menor risco de desenvolver cancro no útero, comparativamente aquelas que usam apenas estrogénios. A progesterona protege o útero.
    Deverá discutir com o médico os possíveis benefícios e riscos de fazer terapêutica hormonal de substituição. Se fizer exames regulares, durante o tratamento hormonal, poderá melhorar a hipótese do médico detectar o cancro no útero num estadio precoce, se este se desenvolver.
  • Obesidade e situações relacionadas: o organismo produz alguns estrogénios no tecido adiposo. Como tal, é mais provável que pessoas obesas apresentem níveis mais elevados de estrogénios, no seu organismo, comparativamente a pessoas magras. Este pode ser o motivo do risco aumentado de desenvolver cancro no útero, em mulheres obesas. O risco também é maior em mulheres com diabetes ou tensão arterial elevada, problemas que ocorrem em muitas mulheres obesas.
  • Terapêutica hormonal com anti-estrogénios: pessoas que tomem anti-estrogénios, para prevenir ou tratar o cancro da mama, apresentam um risco aumentado para o cancro no útero. Este risco parece estar relacionado com o efeito do tipo estrogénico dos fármacos anti-estrogénicos, no útero. O médico monitoriza, ou seja, acompanha regularmente pessoas que estejam a tomar anti-estrogénios, para detectar possíveis sinais ou sintomas de cancro no útero. Ainda assim, os benefícios dos anti-estrogénios, no cancro da mama, são maiores que o risco de desenvolver outro tipo de cancros. No entanto, as pessoas são diferentes entre si. Qualquer pessoa que pense iniciar tratamento com anti-estrogénios, deve falar com o médico sobre a história clínica, pessoal e familiar, bem como quaisquer preocupações.
  • Raça: pessoas de raça branca (caucasiana), têm maior probabilidade de ter cancro no útero, comparativamente à raça negra (afro-americana).
  • Cancro do cólon e/ou recto: pessoas que tenham uma forma hereditária de cancro do cólon e/ou do recto, apresentam um risco aumentado de ter cancro no útero.
  • Outros factores de risco estão relacionados com o tempo durante o qual a pessoa está “exposta” aos estrogénios; mulheres que não têm filhos, que tiveram a primeira menstruação muito cedo, ou que entraram tarde na menopausa, estão mais expostas aos estrogénios e apresentam um risco aumentado.

Se pensa estar em risco de ter cancro no útero, deve discutir este facto com o médico; este pode sugerir modos de reduzir o risco e planear um calendário adequado para os exames médicos.

SINTOMAS DE ALERTA

O cancro no útero surge, geralmente, depois da menopausa. No entanto, também pode ocorrer no início da menopausa. O sintoma mais comum de cancro no útero é uma perda de sangue vaginal anormal. A perda de sangue pode, no início, conter apenas vestígios de sangue que, gradualmente, vai aumentando. Não deve ser assumido que qualquer perda de sangue vaginal anormal seja provocada pela menopausa.

Se apresentar qualquer destes sintomas, deve consultar o médico:

  • Perda de sangue ou corrimento vaginal anormal.
  • Dificuldade ou dor ao urinar.
  • Dor durante a relação sexual.
  • Dor na zona pélvica.

Na maioria das vezes, estes sintomas não estão relacionados com um cancro no útero, e podem, ainda, ser provocados por tumores benignos ou outros problemas. Só o médico poderá confirmar. Qualquer pessoa com estes sintomas, ou quaisquer outras alterações de saúde relevantes, deve consultar o médico, para diagnosticar e tratar o problema tão cedo quanto possível.

DIAGNÓSTICO

Se apresenta sintomas que sugerem cancro no útero, o médico poderá verificar os sinais gerais de saúde e pedir análises ao sangue e à urina. O médico pode, ainda, realizar um, ou mais, dos exames ou testes descritos em seguida:

  • Exame pélvico: a pessoa faz um exame pélvico, para o médico poder observar a vagina, o útero, a bexiga e o recto. O médico palpa estes órgãos, à procura de quaisquer protuberâncias ou alterações na sua forma ou tamanho. Para ver a zona superior da vagina e do colo do útero, o médico insere um instrumento, chamado espéculo, dentro da vagina.
  • Teste de Papanicolau: o médico recolhe células do colo do útero e da zona superior da vagina. Um laboratório médico procura células anormais. Apesar do teste de Papanicolau poder detectar o cancro do colo do útero, as células de dentro do útero, geralmente, não são “visíveis” neste teste. Como tal, o médico recolhe amostras de células do interior do útero, através de um procedimento chamado biópsia.
  • Ecografia transvaginal: o médico insere um instrumento (sonda) na vagina. A sonda lança ondas sonoras de alta-frequência para o útero, que batem nos tecidos e voltam para trás, como um eco; um computador usa estes ecos para criar uma imagem, chamada ecografia; o padrão dos ecos produzidos cria uma imagem. Se o endométrio parecer muito espesso, o médico pode fazer uma biópsia.
  • Biópsia: o médico remove uma amostra do tecido de revestimento do útero; geralmente, pode ser feito no consultório médico. No entanto, em alguns casos pode precisar de fazer uma dilatação e curetagem, no hospital, embora sem necessitar de internamento. Um patologista examina o tecido, para procurar evidência de células cancerígenas, hiperplasia ou outras situações. Durante um curto período após a biópsia, algumas mulheres têm cãibras e perdas de sangue vaginal.

Antes de fazer uma biópsia, pode querer colocar ao médico as seguintes questões:

  • Que tipo de biópsia vou fazer? Porquê?
  • Quanto tempo demorará? Vou estar acordada? Vai doer?
  • Quando saberei os resultados?
  • Existem riscos? Qual é o risco de infecção ou de perdas de sangue?
  • Se eu tiver cancro, quem falará comigo acerca do tratamento? Quando?

TESTES E ESTADIAMENTO

Se a biópsia revelar a presença de cancro, o seu médico realizará um exame pélvico completo e poderá ter de recolher tecido adicional para determinar a extensão (estadio) da doença. O estadio de evolução revela se o tumor invadiu tecidos adjacentes, se o cancro se disseminou e, em caso afirmativo, para que regiões.

Estadios de evolução do cancro do colo do útero:

  • Estadio 0: o cancro é detectado apenas na camada celular superior do tecido que reveste o colo do útero. O estadio 0 também é designado por carcinoma in-situ.
  • Estadio I: o cancro invadiu o colo do útero abaixo da camada superior das células. É apenas detectado no colo do útero.
  • Estadio II: o cancro disseminou-se para os tecidos adjacentes. Estendeu-se até à parte superior da vagina. O cancro não invadiu o terço inferior da vagina ou a parede pélvica (o revestimento da região entre as ancas).
  • Estadio III: o cancro atingiu a parte inferior da vagina. Também pode ter-se disseminado para a parede pélvica e para os gânglios linfáticos adjacentes.
  • Estadio IV: o cancro disseminou-se para a bexiga, recto ou outras regiões.
  • Cancro recorrente: significa que o cancro foi tratado, mas ocorreu uma recidiva após um período de tempo durante o qual não foi possível detectá-lo. O cancro pode reaparecer no colo do útero ou noutras regiões do organismo.

Para identificar a extensão da doença e delinear um plano de tratamento, o médico pode solicitar alguns dos seguintes exames:

  • Raio-X torácico: muitas vezes o raio-X permite revelar se o cancro se disseminou para os pulmões.
  • TAC: um aparelho de raio-X ligado a um computador, capta uma série de imagens detalhadas dos órgãos. Pode ser-lhe administrado material de contraste por injecção, no braço ou na mão, ou por via oral (ou enema). Algumas pessoas são alérgicas aos materiais de contraste que contêm iodo. Se tiver alergias, informe o seu médico ou enfermeiro. O material de contraste facilita a visualização de zonas anómalas. A TAC pode revelar um tumor no fígado, pulmões ou em qualquer outra região.
  • RM: é utilizado um íman gigante ligado a um computador para obter imagens detalhadas do abdómen e da pélvis. O médico pode visualizar estas imagens num monitor e imprimi-las. A RM pode mostrar para onde se disseminou o cancro. Por vezes, o material de contraste permite evidenciar as áreas anómalas na imagem.
  • Ecografia: um dispositivo de ultrassons é inserido na vagina ou encostado ao abdómen. O aparelho emite ondas sonoras não audíveis pelos seres humanos. As ondas sonoras incidem no colo do útero ou nos tecidos adjacentes e um computador utiliza os ecos para criar uma imagem. Os tumores produzem ecos diferentes dos produzidos por tecidos normais. Através destas imagens é possível saber para onde se disseminou o cancro.

O TRATAMENTO

Muitas mulheres com cancro do colo do útero exigem ter um papel activo nas decisões sobre os cuidados médicos que lhes são prestados. Querem estar o mais informados possível sobre a sua doença e as opções de tratamento. Contudo, o choque e a tensão que as pessoas habitualmente sentem após um diagnóstico de cancro fazem com que seja difícil pensar em tudo o que gostariam de perguntar ao médico. Muitas vezes, é útil preparar uma lista de perguntas antes da consulta.

Para ajudar a relembrar o que o médico disse, os doentes podem tirar apontamentos ou pedir autorização para utilizar um gravador. Alguns doentes querem ainda ter consigo um familiar ou amigo quando falam com o médico – para participar na discussão, tomar notas ou simplesmente ouvir.

Não é necessário fazer todas as perguntas nem compreender todas as respostas de uma só vez. Haverá certamente outras oportunidades para pedir ao médico que lhe explique o que não percebeu e para solicitar mais informações.

O médico pode encaminhar os doentes para médicos especializados no tratamento do cancro: ginecologistas, ginecologistas oncológicos, médicos oncologistas e radio-oncologistas, que são especialistas que tratam o cancro do colo do útero.

Obter uma Segunda Opinião

Antes de iniciar o tratamento, o doente pode querer uma segunda opinião relativamente ao diagnóstico e ao plano de tratamento. Algumas seguradoras exigem uma segunda opinião; outras podem cobrir os custos de uma segunda opinião se o doente a solicitar. Reunir os resultados dos exames médicos e preparar-se para consultar outro médico pode demorar algum tempo. Na maioria dos casos, um breve atraso não reduz a eficácia do tratamento. Para ter a certeza, deve falar com o seu médico sobre este atraso no início do tratamento. Algumas mulheres com cancro do colo do útero necessitam de tratamento imediato.

Existem várias formas de encontrar um médico para obter uma segunda opinião:

O seu médico pode encaminhá-la para um ou mais especialistas. Nos centros de oncologia, vários especialistas trabalham em equipa.

Em clínicas locais ou estatais, no hospital mais próximo ou numa universidade de medicina podem-se obter os nomes dos especialistas na sua área.

Preparação para o Tratamento

A escolha do tratamento depende sobretudo da dimensão do tumor e da sua possível disseminação. Para uma mulher em idade fértil, a escolha do tratamento pode ainda depender da sua intenção, ou não, de engravidar.

O médico poderá descrever-lhe as opções de tratamento e os resultados esperados para cada um deles. O médico e o doente podem trabalhar em conjunto no desenvolvimento de um plano terapêutico adaptado às necessidades médicas e aos valores pessoais do doente.

Métodos de Tratamento

As mulheres com cancro do colo do útero podem ser tratadas através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia, radioterapia com quimioterapia ou uma combinação dos três métodos.

Em qualquer estadio da doença, as mulheres com cancro do colo do útero podem ser medicadas no sentido de controlar a dor e outros sintomas, para aliviar os efeitos secundários dos tratamentos e para atenuar problemas práticos e emocionais. Este tipo de tratamento é designado por cuidados de suporte, gestão dos sintomas ou cuidados paliativos.

Poderá, também, querer falar com o seu médico sobre a possível participação num ensaio clínico, um estudo de investigação de novos métodos de tratamento.

Antes de iniciar o tratamento, poderá querer colocar algumas questões ao seu médico:

  • Qual é o estadio de evolução da minha doença? O cancro disseminou-se? Em caso afirmativo, para onde?
  • Quais são as minhas opções de tratamento? O que é que me recomenda? Terei de fazer mais do que um tipo de tratamento?
  • Quais são os benefícios esperados de cada tipo de tratamento?
  • Quais são os riscos e possíveis efeitos secundários de cada tratamento? O que é que se pode fazer para controlar os efeitos secundários?
  • De que modo o tratamento irá afectar a minha actividade normal?
  • Que cuidados devo ter comigo próprio durante o tratamento?
  • Quanto tempo demorará o tratamento?
  • Terei de ser hospitalizada?
  • Com que frequência irei necessitar de realizar exames médicos completos?
  • No meu caso, a participação num  ensaio clínico (estudo de investigação) será uma boa opção?

Cirurgia

A cirurgia trata o cancro localmente, no colo do útero e na área adjacente ao tumor.

A maioria das mulheres com cancro do colo do útero precoce é submetida a cirurgia para remover o colo do útero e o útero (histerectomia total). Contudo, em estadios de evolução muito precoces (estadio 0) de cancro do colo do útero, pode não ser necessário realizar uma histerectomia. Entre outras formas de excisão do tecido cancerígeno contam-se a biópsia core, a criocirurgia, a cirurgia laser ou LEEP.

Algumas mulheres necessitam de efectuar uma histerectomia radical. Na histerectomia radical é removido o útero, o colo do útero e parte da vagina. Tanto na histerectomia total como na histerectomia radical, podem remover-se as trompas de Falópio e os ovários. A este procedimento dá-se o nome de salpingo-ooforectomia.

É ainda possível remover os gânglios linfáticos adjacentes ao tumor, para determinar se contêm células cancerígenas. Se tal acontecer, a doença poderá ter-se disseminado para outras regiões do organismo.

Poderá querer colocar ao médico as seguintes questões sobre a cirurgia:

  • A que tipo de cirurgia serei submetida? Os meus ovários vão ser removidos?
  • Será necessário remover os gânglios linfáticos? Serão removidos outros tecidos? Porquê?
  • Como me sentirei depois da operação?
  • Se tiver dores, como poderei controlá-las?
  • Quanto tempo terei de ficar hospitalizada?
  • Terei efeitos secundários prolongados? Se não for submetida a histerectomia, poderei engravidar e ter filhos? Existe um risco acrescido de aborto espontâneo?
  • Quando poderei retomar as minhas actividades habituais?
  • A cirurgia afectará a minha vida sexual?

Radioterapia

A radioterapia (terapia por radiação) utiliza raios de alta energia para matar as células cancerígenas, afectando apenas as células da região tratada.

As doentes podem ser submetidas a radioterapia, radioterapia com quimioterapia ou quimioterapia com cirurgia.  Para um pequeno número de mulheres que não possam ser submetidas a cirurgia por motivos clínicos, o médico pode sugerir a radioterapia como alternativa à cirurgia. A maioria das mulheres com cancro disseminado é submetida a radioterapia com quimioterapia. Para cancros que atingiram órgãos distantes, apenas a radioterapia é eficaz.

Para tratar o cancro do colo do útero os médicos utilizam dois tipos de radioterapia:

Radiação externa: a radiação é aplicada com um aparelho de grande dimensão que dirige a radiação para a área do tumor. A maioria das pessoas que recebe radiação externa é tratada 5 dias por semana durante 5 a 7 semanas, em regime de ambulatório.

Radiação interna (radioterapia intracavitária): os implantes (constituídos por uns tubos finos) são colocados na vagina, durante algumas horas ou até 3 dias; estes contêm uma substância radioactiva. Durante este tratamento, o doente fica hospitalizado alguns dias. Para proteger as outras pessoas da exposição à radiação, os doentes não podem ter visitas ou só podem tê-las durante um curto período de tempo, enquanto o implante estiver aplicado. Uma vez removido o implante, não fica qualquer radioactividade no organismo. A radiação interna pode ser repetida duas ou mais vezes, durante várias semanas.

Antes de ser submetida a radioterapia, poderá querer colocar algumas questões ao seu médico:

  • Qual é o objectivo deste tratamento?
  • Como serei exposta à radiação?
  • Terei de ser hospitalizada? Em caso afirmativo, durante quanto tempo?
  • Quando começarão os tratamentos? Quando irão terminar?
  • Como me irei sentir durante o tratamento? Existem efeitos secundários?
  • Como sabemos se a radioterapia está a resultar?
  • Poderei continuar a minha actividade normal durante o tratamento?
  • A radioterapia afectará a minha vida sexual?
  • Poderei engravidar e ter filhos, depois de terminar o tratamento?

Quimioterapia

A quimioterapia utiliza fármacos anti-neoplásicos para matar as células cancerígenas. É considerado um tratamento sistémico, uma vez que os fármacos entram na corrente sanguínea e afectam as células de todo o corpo. No tratamento do cancro do colo do útero é usual combinar a quimioterapia com a radioterapia. Em cancros que se disseminaram para órgãos distantes pode utilizar-se apenas quimioterapia.

Os fármacos anti-neoplásicos usados no tratamento do cancro do colo do útero são geralmente administrados por via intravenosa. Regra geral, as mulheres são submetidas ao tratamento no hospital em regime de ambulatório, no consultório médico ou em casa. Durante o tratamento, as doentes raramente necessitam de ser hospitalizadas.

Antes de ser submetida a quimioterapia, poderá querer colocar algumas questões ao seu médico:

  • Por que necessito deste tratamento?
  • Que tipo de fármacos me serão administrados?
  • Como actuam os fármacos?
  • Quais são os benefícios esperados do tratamento?
  • Quais são os riscos e eventuais efeitos secundários do tratamento? O que é possível fazer?
  • Quando irá começar o tratamento? E quando termina?
  • De que forma é que o tratamento afectará a minha actividade normal?

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSIVEIS

Tendo em conta que, muitas vezes, o tratamento causa danos ao nível dos tecidos e das células saudáveis, é comum o aparecimento de efeitos secundários indesejáveis. Os efeitos secundários dependem, em grande parte, do tipo e extensão do tratamento. Os efeitos secundários podem não ser os mesmos para todas as mulheres, e podem variar de uma sessão de tratamento para a seguinte. Antes de iniciar o tratamento, a equipa médica explicar-lhe-á quais são os possíveis efeitos secundários e poderá dar algumas sugestões para ajudar a lidar com estes efeitos.

Cirurgia

Depois da cirurgia, a cicatrização pode demorar algum tempo; o período de recuperação varia de mulher para mulher. Pode sentir-se desconfortável durante os primeiros dias. Contudo, existem medicamentos para controlar a dor. Antes da cirurgia, deve discutir o plano terapêutico com o seu médico ou enfermeiro. Depois da cirurgia, e se necessário, esse plano pode ser ajustado.

Se for submetida a cirurgia para remover um pequeno tumor localizado na superfície do colo do útero, pode sentir cãibras ou outras dores, hemorragias ou derrame de um líquido.

Se tiver sido submetida a histerectomia, o período de hospitalização pode variar entre alguns dias e uma semana. É normal sentir cansaço ou fraqueza durante algum tempo. Pode sentir náuseas e vómitos e ainda problemas intestinais e de bexiga. O médico pode restringir a sua dieta alimentar, iniciando-a apenas com líquidos e introduzindo, gradualmente, os alimentos sólidos. A maioria das mulheres retoma as suas actividades quotidianas 4 a 8 semanas após a cirurgia.

Após a histerectomia, as mulheres deixam de ter períodos menstruais. Não podem engravidar.

Quando os ovários são removidos, a menopausa ocorre imediatamente. Os afrontamentos e outros sintomas da menopausa causados pela cirurgia, podem ser mais intensos do que os causados por uma menopausa natural. Antes da cirurgia, poderá querer abordar este assunto com o seu médico. Alguns fármacos revelaram ser úteis no controlo destes sintomas, podendo ser mais eficazes se começarem a ser tomados antes da cirurgia.

Após a cirurgia, algumas mulheres podem sentir-se apreensivas relativamente à sua vida sexual. Muitas mulheres acabam por perceber que partilhar estas preocupações com o seu parceiro pode ser benéfico. Os casais poderão querer consultar um conselheiro que os ajude a expressar as suas preocupações.

Radioterapia

Os efeitos secundários dependem sobretudo da dose de radiação e da região a tratar. A radiação emitida para o abdómen e pélvis pode causar náuseas, vómitos, diarreia ou problemas urinários. Os pêlos da zona genital podem cair e a pele da área tratada pode ficar avermelhada, seca e sensível.

Pode sentir secura, prurido ou ardor na vagina. A radiação pode também estreitar a sua vagina. O médico ou enfermeiro podem sugerir formas de aliviar esse desconforto. Existem também formas de expandir a vagina, o que facilitará a realização dos exames de acompanhamento. O seu médico poderá recomendar-lhe que não tenha relações sexuais durante o tratamento. Porém, a maioria das mulheres pode retomar a sua actividade sexual algumas semanas após o tratamento terminar.

É natural que se sinta muito cansada durante a radioterapia, sobretudo nas últimas semanas de tratamento. O repouso é fundamental, embora os médicos recomendem às doentes que se mantenham o mais activas possível.

O seu médico pode sugerir formas de atenuar os efeitos secundários da radioterapia.

Quimioterapia

Os efeitos secundários da quimioterapia dependem sobretudo dos fármacos e da dose que os doentes recebem. Os fármacos afectam as células cancerígenas e outras células que se dividem rapidamente:

  • Células sanguíneas: Estas células combatem a infecção, ajudam o sangue a coagular e transportam oxigénio para todo o organismo. Quando os fármacos afectam as células sanguíneas, os doentes ficam mais susceptíveis a infecções, equimoses e hemorragias e podem sentir-se muito fracos e cansados.
  • Células da raiz do cabelo: A quimioterapia pode provocar queda de cabelo. O cabelo volta a nascer, embora o novo cabelo possa ter uma cor e textura ligeiramente diferentes.
  • Células que revestem o aparelho digestivo: A quimioterapia pode provocar falta de apetite, náuseas e vómitos, diarreia, feridas na boca e nos lábios.

Os fármacos utilizados no tratamento do cancro do colo do útero podem ainda causar erupções cutâneas, dificuldade de audição, perda de equilíbrio, dores articulares ou inchaço das pernas e dos pés.

O seu médico pode sugerir formas de controlar a maioria destes efeitos secundários.

Fonte:www.infocancro.com
Roche – Todos os direitos reservados.

One Comment

  1. Daniele Cristina dos Santos replied:

    Muito bom encontrar todos esses esclarecimentos,minha mãe fez uma cirurgia no dia 06 de Março e vai começar o tratamento de radioterapia e talvez quimioterapia,agora mesmo antes de conversar com o medico sinto me mais aliviada,muito obrigada.

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