Cancro do Colo do Útero

O CANCRO DO COLO DO ÚTERO

O Colo do Útero

O colo do útero faz parte do aparelho reprodutor feminino. É a parte inferior e mais estreita do útero (“ventre”). O útero é um órgão oco, em forma de pêra, situado no abdómen inferior. O colo do útero liga o útero à vagina que, por sua vez, conduz ao exterior do corpo.

O canal cervical é uma passagem. O sangue é libertado do útero e passa através do canal até à vagina, durante o período menstrual da mulher. O colo do útero também produz muco , que ajuda os espermatozóides a deslocarem-se desde a vagina até ao útero. Durante a gravidez, o colo do útero contrai-se para ajudar a manter o bebé no interior do útero. Durante o parto, o colo do útero abre-se (dilatação) para permitir a passagem do bebé através da vagina.

FACTORES DE RISCO

Os médicos nem sempre conseguem explicar por que é que algumas mulheres desenvolvem cancro do colo do útero e outras não.

Contudo, sabe-se que uma mulher com determinados factores de risco está mais predisposta do que outras a desenvolver cancro cervical. Um factor de risco é algo que aumenta a possibilidade de se vir a desenvolver a doença. Estudos efectuados identificaram alguns factores que podem aumentar o risco de desenvolver cancro do colo do útero. Quando presentes em simultâneo, estes factores aumentam ainda mais o risco:

  • Vírus do papiloma humano (HPV): a infecção por HPV é o principal factor de risco para o cancro do colo do útero. O HPV é um conjunto de vírus que pode infectar o colo do útero. As infecções por HPV são muito frequentes. Estes vírus podem ser transmitidos de pessoa para pessoa através de contacto sexual, sendo que a maioria dos adultos já foi num dado momento da sua vida infectada com HPV. Alguns tipos de HPV podem provocar alterações nas células do colo do útero, alterações essas que podem originar verrugas, cancro e outras complicações genitais. Os médicos devem verificar se há sinais de HPV, mesmo que não existam verrugas ou outros sintomas. Se uma mulher tiver uma infecção por HPV, o médico pode sugerir algumas formas de evitar o contágio a outras pessoas. O exame de Papanicolau pode detectar alterações nas células do colo do útero causadas por HPV.
    O tratamento destas alterações celulares pode evitar o desenvolvimento de cancro do colo do útero. Existem vários métodos de tratamento, designadamente congelar ou queimar o tecido infectado. Pode também ser utilizada medicação.
  •  Não realizar o exame de Papanicolau regularmente: o cancro do colo do útero é mais frequente em mulheres que não realizam periodicamente o exame de Papanicolau. Este exame possibilita a detecção de células pré-cancerígenas. O tratamento das alterações cervicais pré-cancerígenas previne, muitas vezes, o desenvolvimento de cancro.
  • Sistema imunitário enfraquecido (o sistema de defesa natural do organismo): as mulheres infectadas com VIH (o vírus que provoca SIDA) ou sob medicação inibidora do sistema imunitário, apresentam risco aumentado de desenvolver cancro do colo do útero. Nestas mulheres, os médicos recomendam o rastreio regular do cancro do colo do útero.
  • Idade: o cancro do colo do útero ocorre com maior frequência a partir dos 40 anos de idade.
  • História sexual: as mulheres que tenham tido muitos parceiros sexuais apresentam risco aumentado para o desenvolvimento do cancro do colo do útero. As mulheres que tenham tido relações sexuais com homens que, por sua vez, tenham tido muitas parceiras sexuais, apresentam também maior risco de desenvolver cancro do colo do útero. Em ambos os casos, o risco é acrescido, uma vez que estas mulheres têm maior risco de infecção por HPV.
  • Tabagismo: as mulheres fumadoras com infecção por HPV apresentam um risco acrescido de desenvolver cancro do colo do útero.
  • Tomar a pílula durante longos períodos de tempo: tomar a pílula durante longos períodos de tempo (5 anos ou mais) pode aumentar o risco de desenvolver cancro do colo do útero, em mulheres infectadas por HPV.
  • Ter muitos filhos: estudos efectuados sugerem que as mulheres infectadas por HPV que tenham muitos filhos, podem apresentar risco acrescido para o desenvolvimento de cancro do colo do útero.
  • O dietilestilbestrol (DES) pode aumentar o risco de desenvolver uma forma rara de cancro do colo do útero e outros tipos de cancro do aparelho reprodutor feminino, em crianças do sexo feminino expostas a este fármaco antes do nascimento. Nos Estados Unidos, o DES foi administrado a mulheres grávidas,  entre 1940 e 1971 (actualmente não é prescrito a mulheres grávidas.)

As mulheres que pensem estar em risco de desenvolver cancro do colo do útero, devem debater esta questão com o seu médico e podem, eventualmente, marcar um exame médico completo.

FACTORES DE RISCO

Os médicos nem sempre conseguem explicar por que é que algumas mulheres desenvolvem cancro do colo do útero e outras não.

Contudo, sabe-se que uma mulher com determinados factores de risco está mais predisposta do que outras a desenvolver cancro cervical. Um factor de risco é algo que aumenta a possibilidade de se vir a desenvolver a doença. Estudos efectuados identificaram alguns factores que podem aumentar o risco de desenvolver cancro do colo do útero. Quando presentes em simultâneo, estes factores aumentam ainda mais o risco:

  • Vírus do papiloma humano (HPV): a infecção por HPV é o principal factor de risco para o cancro do colo do útero. O HPV é um conjunto de vírus que pode infectar o colo do útero. As infecções por HPV são muito frequentes. Estes vírus podem ser transmitidos de pessoa para pessoa através de contacto sexual, sendo que a maioria dos adultos já foi num dado momento da sua vida infectada com HPV. Alguns tipos de HPV podem provocar alterações nas células do colo do útero, alterações essas que podem originar verrugas, cancro e outras complicações genitais. Os médicos devem verificar se há sinais de HPV, mesmo que não existam verrugas ou outros sintomas. Se uma mulher tiver uma infecção por HPV, o médico pode sugerir algumas formas de evitar o contágio a outras pessoas. O exame de Papanicolau pode detectar alterações nas células do colo do útero causadas por HPV.
    O tratamento destas alterações celulares pode evitar o desenvolvimento de cancro do colo do útero. Existem vários métodos de tratamento, designadamente congelar ou queimar o tecido infectado. Pode também ser utilizada medicação.
  •  Não realizar o exame de Papanicolau regularmente: o cancro do colo do útero é mais frequente em mulheres que não realizam periodicamente o exame de Papanicolau. Este exame possibilita a detecção de células pré-cancerígenas. O tratamento das alterações cervicais pré-cancerígenas previne, muitas vezes, o desenvolvimento de cancro.
  • Sistema imunitário enfraquecido (o sistema de defesa natural do organismo): as mulheres infectadas com VIH (o vírus que provoca SIDA) ou sob medicação inibidora do sistema imunitário, apresentam risco aumentado de desenvolver cancro do colo do útero. Nestas mulheres, os médicos recomendam o rastreio regular do cancro do colo do útero.
  • Idade: o cancro do colo do útero ocorre com maior frequência a partir dos 40 anos de idade.
  • História sexual: as mulheres que tenham tido muitos parceiros sexuais apresentam risco aumentado para o desenvolvimento do cancro do colo do útero. As mulheres que tenham tido relações sexuais com homens que, por sua vez, tenham tido muitas parceiras sexuais, apresentam também maior risco de desenvolver cancro do colo do útero. Em ambos os casos, o risco é acrescido, uma vez que estas mulheres têm maior risco de infecção por HPV.
  • Tabagismo: as mulheres fumadoras com infecção por HPV apresentam um risco acrescido de desenvolver cancro do colo do útero.
  • Tomar a pílula durante longos períodos de tempo: tomar a pílula durante longos períodos de tempo (5 anos ou mais) pode aumentar o risco de desenvolver cancro do colo do útero, em mulheres infectadas por HPV.
  • Ter muitos filhos: estudos efectuados sugerem que as mulheres infectadas por HPV que tenham muitos filhos, podem apresentar risco acrescido para o desenvolvimento de cancro do colo do útero.
  • O dietilestilbestrol (DES) pode aumentar o risco de desenvolver uma forma rara de cancro do colo do útero e outros tipos de cancro do aparelho reprodutor feminino, em crianças do sexo feminino expostas a este fármaco antes do nascimento. Nos Estados Unidos, o DES foi administrado a mulheres grávidas,  entre 1940 e 1971 (actualmente não é prescrito a mulheres grávidas.)

As mulheres que pensem estar em risco de desenvolver cancro do colo do útero, devem debater esta questão com o seu médico e podem, eventualmente, marcar um exame médico completo.

FORMAS DE DETECÇÃO

O rastreio é fundamental para detectar alterações cervicais antes da manifestação de sintomas. O rastreio permite ao médico detectar células anómalas antes do cancro se desenvolver. A identificação e o tratamento de células anómalas pode prevenir a maioria dos cancros cervicais. O rastreio pode, também, ser útil para detectar cancros precoces, numa altura em que o tratamento tem maior probabilidade de ser eficaz.

Nas últimas décadas, o número de casos de cancro do colo do útero diagnosticados anualmente tem vindo a diminuir, fenómeno que os médicos atribuem sobretudo ao sucesso do rastreio.

Os médicos recomendam às mulheres que efectuem regularmente o exame de Papanicolau, de forma a reduzir o risco de desenvolver cancro do colo do útero. O exame de Papanicolau (por vezes designado por esfregaço Papanicolau ou esfregaço cervical) é um procedimento simples utilizado para analisar as células cervicais que, em geral, não é doloroso. O exame de Papanicolau realiza-se num consultório médico ou clínica, durante o exame pélvico. O médico ou a enfermeira recolhe (“raspa”) uma amostra de células do colo do útero, colocando-as, posteriormente, numa lâmina de vidro (esfregaço). Num tipo novo de exame de Papanicolau (citologia líquida), as células são mergulhadas num pequeno recipiente com líquido; um aparelho especial coloca as células nas lâminas. Nos 2 tipos de exame de Papanicolau, o laboratório analisa ao microscópio as células nas lâminas para detecção de quaisquer anomalias.

Os exames de Papanicolau podem detectar cancro do colo do útero ou células anómalas, que podem levar ao desenvolvimento deste tipo de cancro. Em geral, os médicos recomendam o seguinte:

  • As mulheres devem começar a realizar o exame de Papanicolau 3 anos após terem iniciado a sua actividade sexual ou aos 21 anos (o que ocorrer primeiro).
  • A maioria das mulheres deverá realizar um exame de Papanicolau, pelo menos, de 3 em 3 anos.
  • As mulheres com idades compreendidas entre os 65 e os 70 anos e que, durante os últimos 10 anos, tenham realizado pelo menos três exames de Papanicolau com resultados normais e nenhum exame com alterações, podem decidir, depois de abordar a questão com o seu médico, deixar de realizar o rastreio do cancro do colo do útero.
  • As mulheres que tenham sido submetidas a histerectomia (cirurgia) para remoção do útero e do colo do útero, também designada por histerectomia total, não necessitam de realizar o rastreio do cancro do colo do útero. Contudo, se a cirurgia tiver constituído um tratamento para células pré-cancerígenas, deve-se continuar a realizar o rastreio. As mulheres devem falar com o médico sobre quando começar a realizar o exame de Papanicolau, a sua frequência e quando podem deixar de o fazer. Isto é particularmente importante para mulheres com risco aumentado para o desenvolvimento de cancro do colo do útero.

Há situações que podem “esconder” células anómalas e afectar os resultados do exame de Papanicolau. Os médicos sugerem:

  • Não efectuar irrigação vaginal nas 48 horas anteriores ao exame.
  • Não ter relações sexuais nas 48 horas anteriores ao exame.
  • Não aplicar medicamentos vaginais (excepto por indicação expressa do médico) ou espumas, cremes ou geleias contraceptivas nas 48 horas anteriores ao exame.

Os médicos sugerem, também, a marcação de um exame de Papanicolau 10 a 20 dias após o primeiro dia do período menstrual.

Na maioria dos casos, as células anómalas detectadas no exame de Papanicolau não são cancerígenas. Contudo, com o passar do tempo, algumas alterações do colo do útero podem degenerar em cancro.

  • LSIL (lesão escamosa intraepitelial de baixo grau): as LSILs são alterações celulares moderadas na superfície do colo do útero. Essas alterações são, na maioria das vezes, provocadas por infecções por HPV. As LSILs ocorrem sobretudo em mulheres jovens. As LSILs não são consideradas cancro. Mesmo sem tratamento, a maioria das LSILs mantém o seu estado ou desaparece com o tempo. Contudo, algumas tornam-se lesões de alto grau que podem evoluir para cancro.
  • HSIL (lesão escamosa intraepitelial de alto grau): as HSILs não são consideradas cancro mas, se não forem tratadas, podem evoluir para cancro. As células pré-cancerígenas estão apenas na superfície do colo do útero. Têm um aspecto muito diferente do das células normais.

Poderá querer colocar ao médico as seguintes questões sobre o rastreio:

  • Quanto tempo demoram os resultados depois do exame?
  • Recomenda-me que faça o teste do HPV?
  • Quanto custa o exame? O meu seguro de saúde abrange exames de rastreio?

FORMAS DE DIAGNÓSTICO

Se uma mulher apresentar um dos sintomas típicos ou um resultado do exame de Papanicolau que possa sugerir a presença de células pré-cancerígenas ou de cancro do colo do útero, o médico irá certamente sugerir outros procedimentos para obter o diagnóstico, designadamente:.

  • Colposcopia: utilização de um colposcópio para analisar o colo do útero. O colposcópio associa uma luz brilhante a uma lente de aumento para facilitar a visualização do tecido. Não é inserido na vagina. Em geral, a colposcopia realiza-se num consultório médico ou clínica.
  • Biópsia: o médico recolhe tecido para proceder à pesquisa de células pré-cancerígenas ou cancerígenas. A maioria das biópsias são feitas no consultório médico mediante anestesia local. Posteriormente, o tecido será examinado por microscopia por um patologista.
    • Biópsia por punção: o médico utiliza um dispositivo oco e afiado para retirar pequenas quantidades de tecido cervical.
    • LEEP: o médico utiliza um fio eléctrico com laço para cortar uma porção fina e arredondada de tecido.
    • Curetagem endocervical: o médico utiliza uma cureta (pequeno instrumento em forma de colher) para raspar uma pequena amostra de tecido do canal cervical. Pode utilizar-se uma escova fina e macia em vez da cureta.
    • Biópsia em cone: o médico recolhe uma amostra de tecido em forma de cone. A biópsia em cone, ou conização, permite ao patologista observar se existem células anómalas no tecido abaixo da superfície do colo do útero. Este exame pode ser feito no hospital mediante anestesia geral. A biópsia em cone pode ainda ser utilizada para remover uma zona pré-cancerígena.

A remoção de tecido do colo do útero pode provocar hemorragia ou corrimento. Regra geral, a zona cicatriza rapidamente. A mulher pode sentir alguma dor, semelhante às dores menstruais, e desconforto que é possível aliviar com medicação.

Poderá querer colocar ao médico as seguintes questões antes de realizar um exame:

  • Que exame(s) me recomenda?
  • Como será realizado o exame?
  • Terei de ir para o hospital?
  • Quanto tempo demorará? Estarei acordada durante o procedimento? É doloroso?
  • Existem alguns riscos? Quais são as probabilidades de ocorrer uma infecção ou hemorragia, depois do procedimento?
  • O exame pode afectar a minha capacidade para engravidar e ter filhos?
  • Quanto tempo demoram os resultados? Quem mos irá explicar?
  • Se tiver cancro, quem falará comigo sobre as fases seguintes? Quando?

TESTES E ESTADIAMENTO

Se a biópsia revelar a presença de cancro, o seu médico realizará um exame pélvico completo e poderá ter de recolher tecido adicional para determinar a extensão (estadio) da doença. O estadio de evolução revela se o tumor invadiu tecidos adjacentes, se o cancro se disseminou e, em caso afirmativo, para que regiões.

Estadios de evolução do cancro do colo do útero:

  • Estadio 0: o cancro é detectado apenas na camada celular superior do tecido que reveste o colo do útero. O estadio 0 também é designado por carcinoma in-situ.
  • Estadio I: o cancro invadiu o colo do útero abaixo da camada superior das células. É apenas detectado no colo do útero.
  • Estadio II: o cancro disseminou-se para os tecidos adjacentes. Estendeu-se até à parte superior da vagina. O cancro não invadiu o terço inferior da vagina ou a parede pélvica (o revestimento da região entre as ancas).
  • Estadio III: o cancro atingiu a parte inferior da vagina. Também pode ter-se disseminado para a parede pélvica e para os gânglios linfáticos adjacentes.
  • Estadio IV: o cancro disseminou-se para a bexiga, recto ou outras regiões.
  • Cancro recorrente: significa que o cancro foi tratado, mas ocorreu uma recidiva após um período de tempo durante o qual não foi possível detectá-lo. O cancro pode reaparecer no colo do útero ou noutras regiões do organismo.

Para identificar a extensão da doença e delinear um plano de tratamento, o médico pode solicitar alguns dos seguintes exames:

  • Raio-X torácico: muitas vezes o raio-X permite revelar se o cancro se disseminou para os pulmões.
  • TAC: um aparelho de raio-X ligado a um computador, capta uma série de imagens detalhadas dos órgãos. Pode ser-lhe administrado material de contraste por injecção, no braço ou na mão, ou por via oral (ou enema). Algumas pessoas são alérgicas aos materiais de contraste que contêm iodo. Se tiver alergias, informe o seu médico ou enfermeiro. O material de contraste facilita a visualização de zonas anómalas. A TAC pode revelar um tumor no fígado, pulmões ou em qualquer outra região.
  • RM: é utilizado um íman gigante ligado a um computador para obter imagens detalhadas do abdómen e da pélvis. O médico pode visualizar estas imagens num monitor e imprimi-las. A RM pode mostrar para onde se disseminou o cancro. Por vezes, o material de contraste permite evidenciar as áreas anómalas na imagem.
  • Ecografia: um dispositivo de ultrassons é inserido na vagina ou encostado ao abdómen. O aparelho emite ondas sonoras não audíveis pelos seres humanos. As ondas sonoras incidem no colo do útero ou nos tecidos adjacentes e um computador utiliza os ecos para criar uma imagem. Os tumores produzem ecos diferentes dos produzidos por tecidos normais. Através destas imagens é possível saber para onde se disseminou o cancro.

O TRATAMENTO

Muitas mulheres com cancro do colo do útero exigem ter um papel activo nas decisões sobre os cuidados médicos que lhes são prestados. Querem estar o mais informados possível sobre a sua doença e as opções de tratamento. Contudo, o choque e a tensão que as pessoas habitualmente sentem após um diagnóstico de cancro fazem com que seja difícil pensar em tudo o que gostariam de perguntar ao médico. Muitas vezes, é útil preparar uma lista de perguntas antes da consulta.

Para ajudar a relembrar o que o médico disse, os doentes podem tirar apontamentos ou pedir autorização para utilizar um gravador. Alguns doentes querem ainda ter consigo um familiar ou amigo quando falam com o médico – para participar na discussão, tomar notas ou simplesmente ouvir.

Não é necessário fazer todas as perguntas nem compreender todas as respostas de uma só vez. Haverá certamente outras oportunidades para pedir ao médico que lhe explique o que não percebeu e para solicitar mais informações.

O médico pode encaminhar os doentes para médicos especializados no tratamento do cancro: ginecologistas, ginecologistas oncológicos, médicos oncologistas e radio-oncologistas, que são especialistas que tratam o cancro do colo do útero.

Obter uma Segunda Opinião

Antes de iniciar o tratamento, o doente pode querer uma segunda opinião relativamente ao diagnóstico e ao plano de tratamento. Algumas seguradoras exigem uma segunda opinião; outras podem cobrir os custos de uma segunda opinião se o doente a solicitar. Reunir os resultados dos exames médicos e preparar-se para consultar outro médico pode demorar algum tempo. Na maioria dos casos, um breve atraso não reduz a eficácia do tratamento. Para ter a certeza, deve falar com o seu médico sobre este atraso no início do tratamento. Algumas mulheres com cancro do colo do útero necessitam de tratamento imediato.

Existem várias formas de encontrar um médico para obter uma segunda opinião:

O seu médico pode encaminhá-la para um ou mais especialistas. Nos centros de oncologia, vários especialistas trabalham em equipa.

Em clínicas locais ou estatais, no hospital mais próximo ou numa universidade de medicina podem-se obter os nomes dos especialistas na sua área.

Preparação para o Tratamento

A escolha do tratamento depende sobretudo da dimensão do tumor e da sua possível disseminação. Para uma mulher em idade fértil, a escolha do tratamento pode ainda depender da sua intenção, ou não, de engravidar.

O médico poderá descrever-lhe as opções de tratamento e os resultados esperados para cada um deles. O médico e o doente podem trabalhar em conjunto no desenvolvimento de um plano terapêutico adaptado às necessidades médicas e aos valores pessoais do doente.

Métodos de Tratamento

As mulheres com cancro do colo do útero podem ser tratadas através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia, radioterapia com quimioterapia ou uma combinação dos três métodos.

Em qualquer estadio da doença, as mulheres com cancro do colo do útero podem ser medicadas no sentido de controlar a dor e outros sintomas, para aliviar os efeitos secundários dos tratamentos e para atenuar problemas práticos e emocionais. Este tipo de tratamento é designado por cuidados de suporte, gestão dos sintomas ou cuidados paliativos.

Poderá, também, querer falar com o seu médico sobre a possível participação num ensaio clínico, um estudo de investigação de novos métodos de tratamento.

Antes de iniciar o tratamento, poderá querer colocar algumas questões ao seu médico:

  • Qual é o estadio de evolução da minha doença? O cancro disseminou-se? Em caso afirmativo, para onde?
  • Quais são as minhas opções de tratamento? O que é que me recomenda? Terei de fazer mais do que um tipo de tratamento?
  • Quais são os benefícios esperados de cada tipo de tratamento?
  • Quais são os riscos e possíveis efeitos secundários de cada tratamento? O que é que se pode fazer para controlar os efeitos secundários?
  • De que modo o tratamento irá afectar a minha actividade normal?
  • Que cuidados devo ter comigo próprio durante o tratamento?
  • Quanto tempo demorará o tratamento?
  • Terei de ser hospitalizada?
  • Com que frequência irei necessitar de realizar exames médicos completos?
  • No meu caso, a participação num  ensaio clínico (estudo de investigação) será uma boa opção?

Cirurgia

A cirurgia trata o cancro localmente, no colo do útero e na área adjacente ao tumor.

A maioria das mulheres com cancro do colo do útero precoce é submetida a cirurgia para remover o colo do útero e o útero (histerectomia total). Contudo, em estadios de evolução muito precoces (estadio 0) de cancro do colo do útero, pode não ser necessário realizar uma histerectomia. Entre outras formas de excisão do tecido cancerígeno contam-se a biópsia core, a criocirurgia, a cirurgia laser ou LEEP.

Algumas mulheres necessitam de efectuar uma histerectomia radical. Na histerectomia radical é removido o útero, o colo do útero e parte da vagina. Tanto na histerectomia total como na histerectomia radical, podem remover-se as trompas de Falópio e os ovários. A este procedimento dá-se o nome de salpingo-ooforectomia.

É ainda possível remover os gânglios linfáticos adjacentes ao tumor, para determinar se contêm células cancerígenas. Se tal acontecer, a doença poderá ter-se disseminado para outras regiões do organismo.

Poderá querer colocar ao médico as seguintes questões sobre a cirurgia:

  • A que tipo de cirurgia serei submetida? Os meus ovários vão ser removidos?
  • Será necessário remover os gânglios linfáticos? Serão removidos outros tecidos? Porquê?
  • Como me sentirei depois da operação?
  • Se tiver dores, como poderei controlá-las?
  • Quanto tempo terei de ficar hospitalizada?
  • Terei efeitos secundários prolongados? Se não for submetida a histerectomia, poderei engravidar e ter filhos? Existe um risco acrescido de aborto espontâneo?
  • Quando poderei retomar as minhas actividades habituais?
  • A cirurgia afectará a minha vida sexual?

Radioterapia

A radioterapia (terapia por radiação) utiliza raios de alta energia para matar as células cancerígenas, afectando apenas as células da região tratada.

As doentes podem ser submetidas a radioterapia, radioterapia com quimioterapia ou quimioterapia com cirurgia.  Para um pequeno número de mulheres que não possam ser submetidas a cirurgia por motivos clínicos, o médico pode sugerir a radioterapia como alternativa à cirurgia. A maioria das mulheres com cancro disseminado é submetida a radioterapia com quimioterapia. Para cancros que atingiram órgãos distantes, apenas a radioterapia é eficaz.

Para tratar o cancro do colo do útero os médicos utilizam dois tipos de radioterapia:

Radiação externa: a radiação é aplicada com um aparelho de grande dimensão que dirige a radiação para a área do tumor. A maioria das pessoas que recebe radiação externa é tratada 5 dias por semana durante 5 a 7 semanas, em regime de ambulatório.

Radiação interna (radioterapia intracavitária): os implantes (constituídos por uns tubos finos) são colocados na vagina, durante algumas horas ou até 3 dias; estes contêm uma substância radioactiva. Durante este tratamento, o doente fica hospitalizado alguns dias. Para proteger as outras pessoas da exposição à radiação, os doentes não podem ter visitas ou só podem tê-las durante um curto período de tempo, enquanto o implante estiver aplicado. Uma vez removido o implante, não fica qualquer radioactividade no organismo. A radiação interna pode ser repetida duas ou mais vezes, durante várias semanas.

Antes de ser submetida a radioterapia, poderá querer colocar algumas questões ao seu médico:

  • Qual é o objectivo deste tratamento?
  • Como serei exposta à radiação?
  • Terei de ser hospitalizada? Em caso afirmativo, durante quanto tempo?
  • Quando começarão os tratamentos? Quando irão terminar?
  • Como me irei sentir durante o tratamento? Existem efeitos secundários?
  • Como sabemos se a radioterapia está a resultar?
  • Poderei continuar a minha actividade normal durante o tratamento?
  • A radioterapia afectará a minha vida sexual?
  • Poderei engravidar e ter filhos, depois de terminar o tratamento?

Quimioterapia

A quimioterapia utiliza fármacos anti-neoplásicos para matar as células cancerígenas. É considerado um tratamento sistémico, uma vez que os fármacos entram na corrente sanguínea e afectam as células de todo o corpo. No tratamento do cancro do colo do útero é usual combinar a quimioterapia com a radioterapia. Em cancros que se disseminaram para órgãos distantes pode utilizar-se apenas quimioterapia.

Os fármacos anti-neoplásicos usados no tratamento do cancro do colo do útero são geralmente administrados por via intravenosa. Regra geral, as mulheres são submetidas ao tratamento no hospital em regime de ambulatório, no consultório médico ou em casa. Durante o tratamento, as doentes raramente necessitam de ser hospitalizadas.

Antes de ser submetida a quimioterapia, poderá querer colocar algumas questões ao seu médico:

  • Por que necessito deste tratamento?
  • Que tipo de fármacos me serão administrados?
  • Como actuam os fármacos?
  • Quais são os benefícios esperados do tratamento?
  • Quais são os riscos e eventuais efeitos secundários do tratamento? O que é possível fazer?
  • Quando irá começar o tratamento? E quando termina?
  • De que forma é que o tratamento afectará a minha actividade normal?

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSIVEIS

Tendo em conta que, muitas vezes, o tratamento causa danos ao nível dos tecidos e das células saudáveis, é comum o aparecimento de efeitos secundários indesejáveis. Os efeitos secundários dependem, em grande parte, do tipo e extensão do tratamento. Os efeitos secundários podem não ser os mesmos para todas as mulheres, e podem variar de uma sessão de tratamento para a seguinte. Antes de iniciar o tratamento, a equipa médica explicar-lhe-á quais são os possíveis efeitos secundários e poderá dar algumas sugestões para ajudar a lidar com estes efeitos.

Cirurgia

Depois da cirurgia, a cicatrização pode demorar algum tempo; o período de recuperação varia de mulher para mulher. Pode sentir-se desconfortável durante os primeiros dias. Contudo, existem medicamentos para controlar a dor. Antes da cirurgia, deve discutir o plano terapêutico com o seu médico ou enfermeiro. Depois da cirurgia, e se necessário, esse plano pode ser ajustado.

Se for submetida a cirurgia para remover um pequeno tumor localizado na superfície do colo do útero, pode sentir cãibras ou outras dores, hemorragias ou derrame de um líquido.

Se tiver sido submetida a histerectomia, o período de hospitalização pode variar entre alguns dias e uma semana. É normal sentir cansaço ou fraqueza durante algum tempo. Pode sentir náuseas e vómitos e ainda problemas intestinais e de bexiga. O médico pode restringir a sua dieta alimentar, iniciando-a apenas com líquidos e introduzindo, gradualmente, os alimentos sólidos. A maioria das mulheres retoma as suas actividades quotidianas 4 a 8 semanas após a cirurgia.

Após a histerectomia, as mulheres deixam de ter períodos menstruais. Não podem engravidar.

Quando os ovários são removidos, a menopausa ocorre imediatamente. Os afrontamentos e outros sintomas da menopausa causados pela cirurgia, podem ser mais intensos do que os causados por uma menopausa natural. Antes da cirurgia, poderá querer abordar este assunto com o seu médico. Alguns fármacos revelaram ser úteis no controlo destes sintomas, podendo ser mais eficazes se começarem a ser tomados antes da cirurgia.

Após a cirurgia, algumas mulheres podem sentir-se apreensivas relativamente à sua vida sexual. Muitas mulheres acabam por perceber que partilhar estas preocupações com o seu parceiro pode ser benéfico. Os casais poderão querer consultar um conselheiro que os ajude a expressar as suas preocupações.

Radioterapia

Os efeitos secundários dependem sobretudo da dose de radiação e da região a tratar. A radiação emitida para o abdómen e pélvis pode causar náuseas, vómitos, diarreia ou problemas urinários. Os pêlos da zona genital podem cair e a pele da área tratada pode ficar avermelhada, seca e sensível.

Pode sentir secura, prurido ou ardor na vagina. A radiação pode também estreitar a sua vagina. O médico ou enfermeiro podem sugerir formas de aliviar esse desconforto. Existem também formas de expandir a vagina, o que facilitará a realização dos exames de acompanhamento. O seu médico poderá recomendar-lhe que não tenha relações sexuais durante o tratamento. Porém, a maioria das mulheres pode retomar a sua actividade sexual algumas semanas após o tratamento terminar.

É natural que se sinta muito cansada durante a radioterapia, sobretudo nas últimas semanas de tratamento. O repouso é fundamental, embora os médicos recomendem às doentes que se mantenham o mais activas possível.

O seu médico pode sugerir formas de atenuar os efeitos secundários da radioterapia.

Quimioterapia

Os efeitos secundários da quimioterapia dependem sobretudo dos fármacos e da dose que os doentes recebem. Os fármacos afectam as células cancerígenas e outras células que se dividem rapidamente:

  • Células sanguíneas: Estas células combatem a infecção, ajudam o sangue a coagular e transportam oxigénio para todo o organismo. Quando os fármacos afectam as células sanguíneas, os doentes ficam mais susceptíveis a infecções, equimoses e hemorragias e podem sentir-se muito fracos e cansados.
  • Células da raiz do cabelo: A quimioterapia pode provocar queda de cabelo. O cabelo volta a nascer, embora o novo cabelo possa ter uma cor e textura ligeiramente diferentes.
  • Células que revestem o aparelho digestivo: A quimioterapia pode provocar falta de apetite, náuseas e vómitos, diarreia, feridas na boca e nos lábios.

Os fármacos utilizados no tratamento do cancro do colo do útero podem ainda causar erupções cutâneas, dificuldade de audição, perda de equilíbrio, dores articulares ou inchaço das pernas e dos pés.

O seu médico pode sugerir formas de controlar a maioria destes efeitos secundários.

Fonte:www.infocancro.com
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2 Comentários

  1. paula replied:

    Foi-me detectado hpv-16 e fiz uma histerectomia total já lá vão 6 anos.
    Faço ecografias anuais para vigiar os ovários e tem estado tudo bem.
    Recentemente apareceu-me um corrimento amarelado e com cheiro e por vezes acompanhado de comichão. Gostaria de saber de que se trata?

  2. vouvencerte replied:

    O corrimento de que fala pode dever-se a vários motivos, pelo que o melhor é consultar o seu ginecologista ou o médico de família, que de certo saberão dizer de que se trata. Obrigada pelo seu comentário.

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