Cancro da Próstata

O CANCRO DA PRÓSTATA

Em Portugal, o cancro da próstata é o tipo de cancro mais importante e frequente no homem (superior ao cancro da pele) .

Iremos abordar possíveis factores de risco, sintomas, diagnóstico e tratamento, bem como informação para ajudar a pessoa a lidar com o cancro da próstata.

A investigação constante, numa área de intervenção tão importante como o cancro da próstata é, inquestionavelmente, necessária. Estão a ser estudadas novas formas de o prevenir, detectar e tratar, tendo sempre em atenção a melhoria da qualidade de vida das pessoas com cancro da próstata, durante e após o tratamento.

A PRÓSTATA

A próstata faz parte do sistema reprodutor masculino. Localiza-se à frente do recto e sob a bexiga. O tamanho de uma próstata saudável, é semelhante ao de uma avelã, e tem a forma de um “donut“. A uretra (tubo através do qual flúi a urina), passa através da próstata. Se a próstata aumentar muito de tamanho, comprime a uretra, podendo causar problemas urinários, pois diminui ou pára o fluxo da urina, desde a bexiga até ao pénis.

A próstata é uma glândula que produz parte do fluido seminal. Durante a ejaculação, o fluido seminal ajuda a transportar os espermatozóides (parte do sémen ou esperma), até à sua libertação no exterior.

As hormonas masculinas (androgénios) fazem crescer a próstata. Os testículos são a principal fonte de hormonas masculinas, incluindo a testosterona. As glândulas adrenais também produzem testosterona, mas em pequenas quantidades.

A hiperplasia benigna da próstata (HBP) é o crescimento anormal de células prostáticas benignas. Na HBP, a próstata aumenta de volume, e exerce pressão contra a uretra e bexiga. Esta situação interfere com o fluxo normal de urina.

A HBP é um problema muito comum. A maioria dos homens, com mais de 50 anos, apresentam sintomas de HBP. Para alguns homens, os sintomas tornam-se tão graves que necessitam de tratamento.

Quando o cancro da próstata se dissemina, ou seja, metastiza para fora da próstata, as células cancerígenas são, muitas vezes, encontradas nos gânglios linfáticos vizinhos. Se o cancro atingiu estes gânglios, é provável que as células cancerígenas se tenham metastizado através do sistema linfático para outros gânglios linfáticos, para os ossos ou para outros órgãos.

QUEM ESTÁ EM RISCO

Muitas vezes, o médico não consegue explicar porque é que uma pessoa desenvolve cancro da próstata e outra não. No entanto, a investigação demonstra que determinados factores de risco aumentam a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver este tipo de cancro. Globalmente, os factores de risco mais comuns, para o cancro da próstata, são em seguida apresentados.

Estão estudados os seguintes factores de risco para o cancro da próstata:

  • Idade: a idade é o factor de risco mais importante para o cancro da próstata. Esta doença é rara em homens com menos de 45 anos, embora a probabilidade aumente exponencialmente com o avanço da idade. A maioria dos homens com cancro da próstata, têm mais de 65 anos.
  • História familiar: o risco de um homem ter cancro da próstata, é mais elevado do que a média, se o seu pai ou irmão tiveram a doença.
  • Raça: o cancro da próstata é mais comum nos homens de raça negra, do que de raça branca (caucasiana), incluindo os homens brancos hispânicos. É menos comum entre os homens Asiáticos e os Índios americanos.
  • Determinadas alterações da próstata: apresentar células anómalas, chamadas neoplasia intra-epitelial da próstata ( PIN ) de grau elevado, pode aumentar o risco de cancro da próstata. Estas células da próstata apresentam um aspecto anómalo, quando observadas ao microscópio.
  • Dieta: alguns estudos sugerem que homens que fazem uma dieta rica em gordura animal, ou em carne, podem ter risco aumentado de ter cancro da próstata. Do mesmo modo, homens que façam uma dieta rica em frutos e vegetais, podem apresentar um risco mais baixo.

Os cientistas investigaram se a HBP, a obesidade, o fumo, os vírus sexualmente transmitidos ou a falta de exercício, podem aumentar o risco de cancro da próstata. Até agora, não parecem ser factores de risco importantes. A maioria dos estudos também não encontrou um risco aumentado de cancro da próstata em homens que fizeram uma vasectomia (cirurgia para cortar ou selar os tubos através dos quais o esperma sai dos testículos).

Muitos homens com factores de risco conhecidos, não sofrem de cancro da próstata. Por outro lado, muitos dos que sofrem desta doença, não apresentam qualquer destes factores de risco (para além de terem mais de 65 anos).

Se pensa que pode apresentar risco aumentado para ter cancro da próstata, deverá discutir essa preocupação com o médico; poderá saber como reduzir o risco e qual será o calendário ideal para fazer exames regulares.

FORMAS DE DETECÇÃO

Antes de se desenvolverem quaisquer sintomas, pode ser feito um rastreio à população masculina. Apesar de, até agora, os estudos não terem demonstrado que os exames de rastreio reduzem o número de mortes, por cancro da próstata, pode querer falar com o médico acerca dos possíveis benefícios e riscos de fazer rastreio para esta doença. A decisão de fazer o rastreio, é pessoal. Cada pessoa deve decidir acerca dos prós e contras do rastreio, depois de devidamente informada.

O médico pode dar-lhe informação adicional sobre estes exames de rastreio:

  • Toque rectal (exame rectal digital): depois de colocar umas luvas, o médico insere um dedo lubrificado dentro do recto, e palpa a próstata, através da parede rectal, para verificar se detecta zonas duras ou granulosas.
  • Análise clínica para o antigénio especifico da próstata (PSA): através de uma análise laboratorial, verifica-se o nível de PSA numa amostra de sangue do homem. Um nível elevado de PSA é, geralmente, causado por HBP ou prostatite (inflamação da próstata). Também pode resultar de cancro da próstata.

O toque rectal e o teste de PSA podem ser usados para detectar problemas na próstata, mas não mostram se é um cancro ou outro problema menos grave. O médico irá usar os resultados destes testes, para ajudar a decidir se deve continuar à procura de sinais de cancro ou não.

SINTOMAS DE ALERTA

Geralmente, os sintomas de cancro da próstata incluem:

  • Problemas urinários.
  • Incapacidade de urinar, ou dificuldade em iniciar ou parar o fluxo de urina.
  • Necessidade frequente de urinar, principalmente à noite.
  • Fluxo de urina fraco ou intermitente.
  • Dor ou ardor durante a micção.
  • Dificuldade em ter uma erecção.
  • Sangue na urina ou no sémen.
  • Dor frequente na zona inferior das costas, nas ancas ou na zona superior das coxas.

Na maioria dos casos, estes sintomas não estão relacionados com um cancro da próstata, e podem, ainda, ser provocados por tumores benignos (HBP) ou outros problemas. Só o médico poderá confirmar. Qualquer pessoa com estes sintomas, ou quaisquer outras alterações de saúde relevantes, deve consultar o médico, para diagnosticar e tratar o problema, tão cedo quanto possível.

Geralmente, as fases iniciais do cancro não causam dor. Se tem estes sintomas, não espere até ter dor, para consultar o médico.

FORMAS DE DIAGNÓSTICO

Se apresentar sintomas ou resultados de exames que sugiram cancro da próstata, o médico irá questionar acerca da sua história clínica e familiar, irá observá-lo (exame físico) e poderá, ainda, pedir exames laboratoriais. Os exames e testes podem incluir um toque rectal, uma análise à urina, para detectar sangue ou uma infecção, e análises sanguíneas, para medir o nível de PSA .

O médico pode, ainda, pedir outros exames:

  • Ecografia trans-rectal: o médico insere uma sonda no recto, para detectar zonas anómalas. A sonda envia ondas sonoras que não podem ser ouvidas pelos humanos (ultra-sons). As ondas sonoras são reflectidas na próstata e um computador usa os ecos para criar uma imagem, chamada de ecografia.
  • Cistoscopia: o médico vê o interior da uretra e da bexiga, através de um tubo fino e iluminado.
  • Biópsia: consiste na remoção de tecido, para procurar células cancerígenas. O médico insere uma agulha, através do recto, até à próstata, e remove uma pequena quantidade de tecido (biópsia trans-rectal). O médico retira amostras de tecido de diversas zonas da próstata. Pode ser usada uma ecografia, para guiar a agulha. Um patologista, usa um microscópio para detectar células cancerígenas no tecido. A biópsia é o único método seguro de diagnosticar o cancro da próstata.

Antes de fazer uma biópsia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Onde vou fazer a biópsia? Vou ter que ir para o hospital?
  • Quanto tempo vai demorar? Vou estar acordado? Vai doer?
  • Quais são os riscos? Quais são as hipóteses de infecção ou de hemorragia, depois da biópsia?
  • Quanto tempo demora a recuperação?
  • Quando vou saber os resultados?
  • Se eu tiver cancro da próstata, quem falará comigo acerca dos passos seguintes? Quando?

SE NÃO FOR ENCONTRADO CANCRO?

Se o exame físico e os resultados dos testes não sugerirem a presença de cancro, o médico pode recomendar medicação para reduzir os sintomas causados por uma próstata aumentada. A cirurgia, é outro método para aliviar estes sintomas. A cirurgia mais usada, nestes casos, chama-se ressecção trans-ureteral da próstata ( RTUP ou RTU ). Na RTUP , é inserido um instrumento através da uretra, para remover o tecido prostático que exerce pressão contra a porção superior da uretra, restringindo o fluxo de urina. Deverá falar com o seu médico acerca da melhor opção de tratamento.

SE FOR ENCONTRADO CANCRO?

Se existir cancro, o patologista refere, geralmente, o grau do tumor. O grau revela-nos se o tecido tumoral difere muito do tecido prostático normal. Sugere-nos a velocidade provável de crescimento do tumor. Os tumores de alto grau tendem a crescer mais rapidamente, e a probabilidade de metastização é superior aos tumores de baixo grau.

Um dos sistemas de classificação dos tumores da próstata, classifica-os de G1 a G4. Outro método classifica-os através do “score” de Gleason: o patologista estuda amostras de tecido prostático ao microscópio; cada zona cancerígena recebe uma classificação, que vai do grau 1 ao 5. O patologista pode somar os dois graus mais comuns, para determinar o “score ” de Gleason, ou somar o grau mais comum com o maior grau (mais anómalo). Os graus de Gleason variam de 2 a 10.

TESTES E ESTADIAMENTO

Para poder planear melhor o tratamento do cancro da próstata, o médico precisa de saber a extensão (estadio) da doença. O estadio baseia-se no tamanho do tumor, na disseminação (metastização) do tumor para os gânglios linfáticos, e na sua metastização para outras partes do corpo (metastização à distância).

O médico pode pedir raios-X, análises clínicas e outros testes ou procedimentos, para perceber a extensão da doença.

Para definir o estadio do tumor, o médico pode, ainda, pedir os seguintes exames:

  • Estudo do osso com radioisótopos (cintigrafia óssea): é injectada uma pequena quantidade de substância radioactiva, que entra na corrente sanguínea e deposita-se em áreas de crescimento ósseo anómalo. Através de um aparelho chamado scanner, a radioactividade é detectada e medida. O scanner regista a imagem desses ossos num filme de raio-X. O nosso organismo elimina rapidamente a substância radioactiva.
  • TAC (ou TC) – tomografia axial computorizada: através de uma máquina de raios-X, ligada a um computador, é efectuada uma série de imagens detalhadas dos órgãos. Pode, adicionalmente, ser-lhe administrado um contraste (como um corante), para tornar estas imagens mais fáceis de ler.
  • RM (ressonância magnética): através de um íman forte, ligado a um computador, são criadas imagens detalhadas de determinadas zonas do corpo. O médico pode, depois, ver essas imagens num monitor e imprimi-las em filme.

O médico pode descrever o estadio do cancro da próstata, usando numeração romana (I-IV):

  • Estadio I: tumor não palpável, durante o exame rectal. É detectado “por acaso”, quando se faz uma cirurgia por outro motivo, geralmente por HPB. O tumor está circunscrito à próstata.
  • Estadio II: tumor mais avançado, mas que ainda não metastizou.
  • Estadio III: tumor que se espalhou para além da camada exterior da próstata. Pode ser encontrado nas vesículas seminais, mas ainda não atingiu os gânglios linfáticos.
  • Estadio IV: tumor com uma, ou mais, das seguintes características:
    • Tumor que invadiu a bexiga, o recto ou as estruturas circundantes (para além das vesículas seminais).
    • Tumor que metastizou para os gânglios linfáticos.
    • Tumor que metastizou para outras partes do corpo, como por exemplo para os ossos.
  • Recidiva do cancro da próstata: corresponde a um tumor que foi tratado, e que voltou passado um tempo. A recidiva pode surgir na próstata, ou noutra parte do organismo.

O TRATAMENTO

Muitas pessoas com cancro da próstata, querem saber toda a informação possível sobre a sua doença e métodos de tratamento; querem participar nas decisões relativas ao seu estado de saúde e cuidados médicos de que necessitam. Saber mais acerca da doença, ajuda a colaborar e reagir positivamente.

O choque e o stress que se seguem a um diagnóstico de cancro, podem tornar difícil pensar em todas as perguntas e dúvidas que quer esclarecer com o médico. Muitas vezes, é útil elaborar, antes da consulta, uma lista das perguntas a colocar ao médico.

O médico pode aconselhar a consulta com um médico especialista. O cancro pode ser tratado por diferentes especialistas, como sejam: urologista, oncologista e radioterapeuta. Pode ter um médico especialista diferente, para cada tipo de tratamento que vá fazer.

O tratamento começa, geralmente, poucas semanas após o diagnóstico de cancro da próstata. Regra geral, tem tempo para falar com o médico sobre as opções de tratamento e, se considerar necessário, ouvir uma segunda opinião, para saber mais acerca do seu cancro, antes de tomar qualquer decisão sobre o tratamento.

OUVIR UMA SEGUNDA OPINIÃO

Antes de começar o tratamento, pode querer ouvir uma segunda opinião, acerca do diagnóstico e das opções de tratamento. Poderá precisar de algum tempo e esforço adicional, para juntar todos os registos médicos (exames imagiológicos, lâminas da biópsia , relatório patológico e plano de tratamentos proposto) e marcar uma consulta com outro médico. Em geral, mesmo que demore algumas semanas, até ouvir uma segunda opinião, o tratamento não se torna menos eficaz. No entanto, há situações em que é necessário fazer tratamento imediato; é importante referir este possível atraso ao médico.

Nos centros de oncologia, trabalham, muitas vezes, vários médicos especialistas juntos, formando uma equipa multidisciplinar.

PREPARAÇÃO PARA O TRATAMENTO

Para cada caso de cancro da próstata, o médico irá desenvolver um plano de tratamentos, que vá de encontro às necessidades específicas de cada pessoa. O tratamento do cancro da próstata depende, principalmente, do estadio da doença, do grau do tumor, dos sintomas apresentados e da saúde geral da pessoa. O médico poderá falar consigo sobre as possíveis escolhas de tratamento, e resultados esperados, tendo em consideração os benefícios esperados e possíveis efeitos secundários de cada opção, especialmente os que incidem na actividade sexual e na micção, bem como quaisquer outros que afectem a qualidade de vida da pessoa.

Antes de iniciar o tratamento, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Qual é o estadio da doença?
  • Qual é o grau do tumor?
  • Quais são as minhas escolhas para o tratamento? Qual me recomenda? Porquê?
  • Quais são os benefícios esperados de cada tipo de tratamento?
  • Quais são os riscos e os possíveis efeitos secundários de cada tratamento? Como poderão ser controlados os efeitos secundários?
  • Como irá o tratamento afectar as minhas actividades normais? Afectará a minha vida sexual? Virei a ter problemas urinários? Virei a ter problemas de intestinos?
  • Quanto custará o tratamento? Estará este tratamento abrangido pelo meu seguro?
  • Será indicada para mim a participação num ensaio clínico (estudo de investigação)?

Não precisa de fazer todas as perguntas de uma vez; terá outras oportunidades, para pedir ao médico que explique a informação que não ficou clara, e pedir esclarecimentos adicionais.

MÉTODOS DE TRATAMENTO

O tratamento do cancro da próstata pode envolver a cirurgia, radioterapia, terapêutica hormonal (hormonoterapia) ou apenas observação . Poderá fazer terapêuticas combinadas. Se o médico recomendar que a pessoa fique apenas em observação, a sua saúde será cuidadosamente monitorizada, e só será tratado se surgirem sintomas ou se estes piorarem.

Em qualquer estadio da doença, a pessoa com cancro da próstata pode fazer medicação para tratar e controlar a dor e outros sintomas, para aliviar os efeitos secundários do tratamento e para atenuar quaisquer problemas emocionais. Estes tratamentos são designados por cuidados de suporte, controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

Poderá, ainda, querer falar com o médico sobre a possibilidade de participar num ensaio clínico, ou seja, num estudo de investigação de novos métodos de tratamento.

CIRURGIA

A cirurgia é um tratamento comum, nos estadios iniciais do cancro da próstata. É um tipo de terapêutica local. O médico pode remover toda a próstata ou apenas uma parte. Em alguns casos, o médico pode usar uma técnica conhecida como cirurgia conservadora dos nervos, que permite manter os nervos que controlam a erecção. No entanto, homens que apresentem tumores grandes ou localizados muito perto destes nervos, podem ter que fazer outro tipo de cirurgia.

O médico pode explicar e descrever os diferentes tipos de cirurgia, bem como comparar os possíveis riscos e benefícios:

  • Prostatectomia supra-púbica radical: o médico remove completamente a próstata e os gânglios linfáticos regionais, através de uma incisão no abdómen.
  • Prostatectomia perineal radical: o médico remove completamente a próstata, através de uma incisão efectuada entre o escroto e o ânus. Os gânglios linfáticos regionais são, por vezes, removidos através de uma outra incisão, efectuada no abdómen.
  • Ressecção trans-uretral da próstata (RTUP): o médico remove parte da próstata, com um instrumento que é inserido através da uretra. O tumor é separado da próstata, recorrendo a uma corrente eléctrica que passa através de um pequena laçada de fio eléctrico. Na RTUP não é removida a totalidade da próstata, e pode não remover completamente o cancro, embora remova o tecido que impede o fluxo urinário.
  • Prostatectomia laparoscópica e criocirurgia: estes tipos de cirurgia para o cancro da próstata, encontram-se em estudo em alguns centros médicos.
  • Linfadenectomia pélvica: o médico remove os gânglios linfáticos da pélvis, para verificar se houve invasão tumoral. Por vezes, os gânglios linfáticos são removidos, antes de fazer uma prostatectomia. Se o tumor da próstata não tiver metastizado para os gânglios linfáticos, então o médico remove a próstata. Se o patologista encontrar células cancerígenas nos gânglios linfáticos, é provável que a doença esteja já disseminada noutras partes do corpo. Neste caso, geralmente o médico não remove a próstata, embora possa sugerir outro tratamento.

Antes de fazer a cirurgia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de operação será?
  • Farei anestesia local ou geral?
  • Como me sentirei após a operação?
  • Se tiver dores, como serão controladas?
  • Quanto tempo irei estar hospitalizado?
  • Quando poderei retomar as minhas actividades normais?
  • Virei a sofrer de alguns efeitos de longa duração?

RADIOTERAPIA

Na radioterapia, são utilizados raios de elevada energia para matar as células cancerígenas; é um tipo de terapêutica local. No cancro da próstata em estadio inicial, a radioterapia pode ser o tratamento primário, em vez da cirurgia; também pode ser usada após a cirurgia, para destruir quaisquer células cancerígenas que possam ter ficado na região tumoral. Em estadios avançados, a radioterapia pode ser utilizada com intuito paliativo, para ajudar a aliviar a dor.

No tratamento do cancro da próstata, podem ser utilizados dois tipos de radioterapia:

  • Radiação externa: a radiação provém de uma máquina. Para este tratamento, a maioria das pessoas vai ao hospital ou clínica. Geralmente, os tratamentos são realizados durante 5 dias por semana, durante várias semanas. Algumas pessoas com cancro da próstata, fazem radiação conformacional tri-dimensional; este tipo de radioterapia é mais precisa a atingir o tumor, poupando o tecido normal.
  • Radiação interna (radiação por implante ou braquiterapia): a radiação provém de material radioactivo contido em sementes, agulhas ou finos tubos de plástico, e que são colocados directamente no local do tumor ou perto. Para fazer radiação por implante, o doente fica, regra geral, internado no hospital. Os implantes permanecem no local durante vários dias; são retirados antes de ir para casa.

Alguns doentes precisam de fazer os dois tipos de radioterapia, externa e interna.

Antes da radioterapia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de radioterapia farei?
  • Como me vou sentir depois do tratamento?
  • Quanto tempo durará o tratamento?
  • Se tiver que ser internado num hospital, quanto tempo terei de internamento?
  • Quando poderei retomar as minhas actividades normais?
  • Terei alguns efeitos secundários duradouros?

HORMONOTERAPIA

A terapêutica hormonal impede que as células cancerígenas “tenham acesso” às hormonas naturais do nosso organismo, das quais necessitam para se desenvolverem. É uma terapêutica sistémica, tendo em conta que os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo. A terapêutica sistémica é usada para tratar tumores que tenham metastizado. Por vezes, este tipo de terapêutica é usado para prevenir recidivas, após a cirurgia ou radioterapia.

Existem várias formas de hormonoterapia:

  • Orquidectomia: nesta operação, removem-se os testículos, que são a principal fonte da hormona masculina testosterona.
  • Agonistas da hormona de libertação da hormona luteinizante (LH-RH): estes fármacos podem impedir os testículos de produzir testosterona.
  • Anti-androgénios: estes fármacos podem bloquear a acção dos androgénios.
  • Outros fármacos anti-cancerígenos: fármacos que possam impedir que as glândulas adrenais produzam testosterona

Depois de uma orquidectomia ou do tratamento com um agonista LH-RH, o organismo deixa de ter testosterona proveniente dos testículos. No entanto, as glândulas adrenais ainda produzem pequenas quantidades de hormonas masculinas. Por vezes é, também, administrado um anti-androgénio, que bloqueia o efeito das hormonas masculinas produzidas pelas glândulas adrenais. Esta combinação de tratamentos é conhecida como bloqueio total dos androgénios. A investigação ainda não demonstrou se o bloqueio anti-androgénico total é mais eficaz que a orquidectomia ou LH-RH, usados em separado.

O cancro da próstata, metastizado noutras partes do corpo pode, geralmente, ser controlado com hormonoterapia, durante um determinado período de tempo; muitas vezes, este controlo dura vários anos. No entanto, parece que a maioria dos tumores da próstata conseguem crescer com poucas ou nenhumas hormonas masculinas. Quando isto sucede, a hormonoterapia já não é eficaz, e o médico pode sugerir outras formas de tratamento estudadas.

Antes de iniciar terapêutica hormonal, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de hormonoterapia vou fazer?
  • Quanto tempo durará o tratamento?
  • Se fizer uma orquidectomia , durante quanto tempo terei que ser internado num hospital?
  • Como me vou sentir durante o tratamento?
  • Quando poderei retomar as minhas actividades normais?
  • Terei alguns efeitos secundários duradouros?

OBSERVAÇÃO

Por vezes, a opção não é terapêutica, mas sim ficar sob observação, quando os riscos e os possíveis efeitos secundários da cirurgia, da radioterapia, ou da hormonoterapia não compensam os possíveis benefícios.

Quem opta pela observação é, no entanto, tratado quando surge sintomatologia ou quando os sintomas pioram. A observação pode ser aconselhada a pessoas mais velhas, que têm cancro da próstata e outros problemas graves de saúde. A observação também pode ser sugerida para pessoas a quem o cancro da próstata foi detectado num estadio inicial, e que parece estar a crescer lentamente.

Antes de optar por escolher ficar apenas em observação, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Se eu optar pela observação, posso mudar de ideias mais tarde?
  • A doença vai ser mais difícil de tratar, mais tarde?
  • Com que frequência farei exames médicos?
  • Entre os exames médicos, que problemas deverei referir ao médico?

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSÍVEIS

Tendo em conta que, provavelmente, o tratamento do cancro do estômago danifica células e tecidos saudáveis surgem, assim, os efeitos secundários. Alguns efeitos secundários específicos dependem, principalmente, do tipo de tratamento e sua extensão (se são tratamentos locais ou sistémicos). Os efeitos secundários podem não ser os mesmos, em todas as pessoas, mesmo que estejam a fazer o mesmo tratamento. Por outro lado, os efeitos secundários sentidos numa sessão de tratamento podem mudar na sessão seguinte.

O médico irá explicar os possíveis efeitos secundários do tratamento, e qual a melhor forma de os controlar. É muito importante que o médico tenha conhecimento de quaisquer problemas que surjam, durante ou após o tratamento.

CIRURGIA

Durante um período de tempo após a cirurgia, a pessoa sentir-se-á limitada, nas suas actividades, para permitir o correcto processo de cicatrização e “cura”. É comum a pessoa sentir-se cansada ou fraca, durante algum tempo; durante os primeiros dias, muitas vezes a pessoa sente-se desconfortável.

Depois da cirurgia, a uretra necessita de tempo para recuperar. O homem terá um catéter (tubo inserido através da uretra, até à bexiga – algália) para drenar a urina, durante 10 dias a 3 semanas. A enfermeira ou o médico irão ensinar a pessoa a tratar da algália.

A recuperação após a cirurgia demora tempo, e o tempo necessário para a recuperação difere de pessoa para pessoa. No entanto consegue-se, geralmente, controlar a dor com fármacos. Antes da cirurgia, deve discutir o plano para alívio das dores com o médico ou com a enfermeira. O médico poderá ajustar o plano, se for necessário maior alívio da dor.

A cirurgia para remoção da próstata, pode causar problemas de longa duração, incluindo incontinência. Depois da cirurgia, algumas pessoas não são capazes de controlar o fluxo de urina da bexiga (incontinência urinária). Se o recto estiver lesionado, a pessoa pode não conseguir controlar as fezes (incontinência fecal).

Alguns homens podem ficar impotentes. A cirurgia conservadora dos nervos, é uma tentativa de evitar o problema da impotência. Quando o médico usa a cirurgia conservadora dos nervos, e a operação é bem sucedida, a impotência pode ser apenas temporária; no entanto, em alguns casos, mesmo com este procedimento ficam impotentes. Pode questionar o médico sobre possíveis medicamentos, e outros métodos, para ajudar a controlar os efeitos sexuais do tratamento do cancro da próstata.

RADIOTERAPIA

Durante a radioterapia, poderá sentir-se muito cansado, particularmente nas últimas semanas de tratamento. O descanso é importante, mas, geralmente, o médico aconselha as pessoas a manterem-se activas, dentro do possível.

Algumas pessoas podem ter diarreia ou micção frequente e desconfortável.

Quando a pessoa faz radioterapia externa, no tratamento do cancro da próstata, a pele, na área tratada, pode tornar-se vermelha, seca e sensível. Poderá, também, perder o cabelo e/ou pêlos da zona tratada. Esta perda pode ser temporária ou permanente, dependendo da dose de radiação.

Tanto a radioterapia externa como a interna (braquiterapia), podem danificar os nervos, resultando em impotência. No entanto, a probabilidade de tal acontecer, é inferior com a braquiterapia. Ainda assim, pode provocar incontinência temporária. Os efeitos secundários da braquiterapia, a longo prazo, são pouco comuns.

HORMONOTERAPIA

É provável que a orquidectomia, bem como os agonistas da LH-RH , afectem a qualidade de vida da pessoa. Muitas vezes provocam efeitos secundários, como a impotência, afrontamentos, perda de desejo sexual e fragilidade óssea. No início do tratamento, um agonista da LH-RH pode piorar os sintomas (durante um curto período de tempo); a este problema temporário, chama-se “flare”. No entanto, gradualmente o tratamento faz diminuir o nível de testosterona, no homem e, sem testosterona, o crescimento do tumor diminui; consequentemente, o estado do doente melhora (para prevenir o flare, o médico pode administrar, durante um período de tempo, um anti-androgénio, em simultâneo com o agonista da LH-RH).

Os anti-androgénios podem causar náuseas, diarreia, bem como crescimento ou sensibilidade mamária. Raramente, podem causar dor no abdómen, olhos com um tom “amarelado” ou urina escura, devido a problemas hepáticos. Alguns fármacos podem, ainda, provocar dificuldade respiratória e fotosensibilidade (aumento do tempo que os olhos necessitam para se adaptarem à luz; pode ser difícil passar de um ambiente luminoso para outro às escuras, e vice-versa).

Quando usados em tratamentos de longa duração, alguns fármacos podem provocar problemas hepáticos e erupções cutâneas. As pessoas que fazem bloqueio total dos androgénios, podem ter mais efeitos secundários do que aquelas que fazem apenas um tipo de tratamento hormonal.

Qualquer método de terapêutica hormonal que diminua os níveis hormonais, pode contribuir para enfraquecer os ossos. O médico pode sugerir medicamentos, ou suplementos alimentares, que possam reduzir o risco de fracturas ósseas.

OBSERVAÇÃO

As pessoas que optam apenas pela observação, evitam ou adiam os efeitos secundários da cirurgia e da radiação; no entanto, pode haver aspectos negativos desta escolha. Ao fazer apenas observação, pode ficar reduzida a probabilidade de controlo da doença, antes que esta se dissemine. Por outro lado, quando a pessoa for mais velha, e provavelmente desenvolver outros problemas de saúde, poderá ser difícil “gerir” o tratamento por cirurgia e radioterapia.

Algumas pessoas preferem não ficar apenas em observação, por desconforto em viver com um tumor por tratar, mesmo que seja um tumor com crescimento aparentemente lento. Se optar pela observação, e mais tarde mudar de ideia, deve discutir essa questão com o médico; quase sempre existe a possibilidade de uma abordagem diferente.

Fonte:www.infocancro.com
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